Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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Está esperando o quê?

    É coisa nossa esperar pela aprovação dos outros antes de seguir em frente. Podemos ter 50 anos de idade e se a mãe de 75 torce o nariz para nossa última decisão, repassamos todo o plano para ter certeza de que é a melhor opção. Uma parte disso é porque desejamos muito sermos amados e aceitos. Até aí é natural. Damos realmente um peso maior para a opinião daqueles que sabidamente nos amam. Sem contar que uma opinião de quem está de fora, nos enxergando de outra perspectiva, tem grandes chances de nos ajudar. Quando se trata de nós mesmos, somos os maiores cegos do mundo. Contudo, se você duvida de que se vestiu adequadamente porque o porteiro não respondeu o seu "bom-dia" com a mesma entonação da semana passada é hora de puxar o freio de mão. Pára, desengata. Agora vira todo o volante! Não vou sequer entrar no mérito de que se o sol é o centro do sistema solar, está muito longe de nós, pessoas mortais, sermos o centro o universo. Assim é muito pouco provável que a entonação de voz do porteiro, lá de dentro da guarita fechada, naquela manhã  de segunda-feira sem sol e 13 graus Celsius de temperatura tenha alguma coisa a ver com a sua inovação fashonista. Querer ser amado faz parte dos planos, mas empacar a vida a espera de aprovação alheia, de qualquer natureza, me parece doença. Não é das mais graves, já que tem cura, mas merece atenção.
    Quando somos mais jovens podemos deixar de nos descobrir para seguir as preferências do grupo. Quando isto coincide com nosso gosto pessoal fica tudo bem, mas se isto não acontece uma parte da nossa vida fica encoberta. Tudo muda muito rápido, amanhã aquele grupo se desfez ou já não é tão coeso e nos percebemos um tanto sem identidade própria até nos encaixarmos em outro grupo e iniciar um novo ciclo. Entenda que a questão não é desejar conviver com um grupo de pessoas, mas perceber se você não se anula para ficar bonito na foto. A vida nos cobra a responsabilidade de todas as nossas escolhas, às vezes com juros. Uma agressão contra nós mesmos tem suas consequências. Você pode até fugir , mas não conseguirá se esconder para sempre. Há um grito interno que chamará a sua atenção quando estiver só.
    É muito importante pensar sobre isso pois podemos deixar de fazer algo por não conseguir lidar com "o que os outros vão pensar?!". Ou mudar o rumo no meio da jornada para não desagradar ou para agradar mais. Pior, para não ter que se encarar. Acontece que qualquer falha ou decepção jamais será tão amarga quanto deixar de tentar, deixar de fazer. Quando nos arriscamos estamos vivos, tendo ideias, desafiando os próprios padrões, buscando crescimento, nos aprimorando, evoluindo. Quando paramos porque podem pensar algo impróprio sobre nós ou porque não gostaríamos de nos ver em determinada situação, morremos ali mesmo. Viver não é comer, dormir, acordar, comer, dormir, acordar. Vai muito além. É uma jornada pessoal e instransferível. Não tente gastar seus dias vivendo a vida do outro porque isto acaba rápido. Não tente viver a vida que o outro lhe sugere porque isto pode durar para sempre. Em qualquer um dos casos fatalmente você terá que se encarar um dia e saberá que não está fazendo o que deveria.
    Cedo ou tarde, não importa, ainda que só acorde aos 90 anos de idade, caminhe pelas próprias pernas! Viva a vida que deseja ter. Arregace suas mangas e vá fundo. Com as quedas é possível aprender. Ficando estático, não. E quando der certo (sempre há o momento em que dá) você poderá saborear com as duas mãos e sem guardanapo!

Quem sou eu?

    Passamos nossos dias em busca de algumas respostas. São questões comuns a todos nós. Em momentos existencialistas, passamos longos períodos tentando encontrar pistas que nos indiquem o sentido de tudo, a razão por trás dos acontecimentos e qual dos caminhos devemos seguir. São anos e anos analisando o que está do lado de fora. Então um dia você se olha no espelho e, como se acordasse de um longo sono, se pergunta de quem é aquele rosto refletido. Ainda sem encontrar as respostas dos dilemas do planeta, percebe que deixou de lado os próprios enigmas e tornou-se um estranho dentro do próprio corpo. Tendo sucumbido a todos os apelos de valores totalmente invertidos, perdeu a mão do auto-conhecimento. Digo com convicção que, se você deseja se aprimorar, se tornar uma pessoa melhor, alguém que faça a diferença no meio em que está, deve investir no auto-conhecimento. Pode-se escolher uma ferramenta, dentre as tantas disponíveis, para lhe guiar neste processo. Mas se você for um descrente em relação aos métodos existentes, lá vai uma experiência muito didática: observe-se no momento de adversidade. Quando está tudo bem, somos todos lindos, pessoas queridas e sorridentes, andando perfumados por aí. Mas, quando tudo vai pelo ralo, quando a maionese desanda totalmente, quando o tempo fecha, tchanan! As máscaras caem e temos nosso lado obscuro revelado. Creio que todos já estiveram em situações em família, no trabalho, onde, ao instalar-se o revés, sumiram os beijinhos, os abraços, as brincadeiras e um bando de rostos carrancudos e acusadores passou a andar pelos corredores, subindo e descendo escadas, isolando-se em suas salas ou quartos. Há relacionamentos que não sobrevivem a situações assim e nada volta a ser como era antes. Então se você quer se conhecer, observe-se durante a crise. Ali estará escancarado quais são os pontos que precisam ser trabalhados para que possamos viver de forma mais equilibrada e, consequentemente, mais saudável. Ninguém gosta de encarar seu lado negro, mas negá-lo não fará com que seja sublimado. Esta corajosa tentativa de aprendizado só é válida para quem deseja verdadeiramente ser mais feliz. Quem não tem esta aspiração genuína não verá sentido nenhum nestas palavras e perderá o melhor da festa por não assumir a responsabilidade sobre a própria vida.






Conexão interna.

    Esta semana recebi um e-mail, que até repassei para alguns de vocês, com fotos da escultura Pietá, de Michelangelo. Desta vez o fotógrafo obteve permissão para ficar "a sós" com a escultura e poder focalizá-la nos mais diversos ângulos e em closes exclusivos. É redundante dizer que o resultado deixa qualquer um boquiaberto, pois os detalhes são estarrecedores. A dramaticidade aumenta sempre que lembramos que toda aquela riqueza sutil nasceu do mármore.
    Após alguns momentos hipnotizada por veias, unhas, feridas, músculos e expressões faciais, notei que o mais chocante para mim era toda aquela arte ser produto de um homem, um ser mortal e falível como cada um de nós. Este fato é o mais incrível. Técnica somos todos capazes de alcançar com treino e dedicação obstinada, mas aquela escultura é muito mais do que isso. Ainda que fosse feita de barro nossa admiração se renderia inegavelmente pois ali há muito mais do que matéria-prima e trabalho, muito mais. O que nos comove é a cena como um todo, o sentimento visível e palpável com o qual nos identificamos tremendamente. A mistura de perplexidade e resignação perante a dor, não uma dor qualquer, mas a dor de ter o filho morto nos braços, nos captura empaticamente e sabemos que o que está ali representado é a verdade absoluta. Isto nos comove mais do que tudo.
    Para um mortal ser capaz de um feito como aquele, creio que deva ser menos humano e mais divino. Deva ser menos racional, cautelosamente menos emocional e muito mais intuicional. É preciso esta forma etérea de comunicação, de conexão, para traduzir toda nossa complexidade e deflagrar nossos mistérios. Talvez não sintamos a urgência de parir figuras apoteóticas a partir do mármore, mas temos o desejo incessante de sensibilizar nosso semelhante, de sermos compreendidos por ele e de compreendê-lo da mesma maneira. Tudo o que usamos até agora mostrou-se pouco eficaz. Talvez não saibamos utilizar nossas ferramentas. Talvez outras ferramentas sejam mais adequadas. Tudo o que precisamos já está em nós. Na realidade nada há de novo, mas há de esquecido. É chegado o momento de irmos além, de ultrapassarmos as limitações do corpo físico denso e atentarmos para nosso corpo sutil, de escutarmos a preterida "voz do coração", de aprendermos a perceber as falas de nossa intuição. Nossas dúvidas e nossos medos podem ser transmutados e sublimados pois já temos as respostas. Assim que conseguirmos emergir este aspecto de nossa inteligência conseguiremos também extravasar a Pietá que temos guardada. Nesta dia estaremos imersos em beleza, amor e compreensão.


Minhas tardes de outono.

    Gosto muito de acompanhar a mudança de estações. Acho poético ver a vida acontecer na natureza. Tenho preferência pelas estações de transição: outono e primavera. São mais sutis, carinhosas no seu modo de nos preparar para o que virá e despedir do que deixará de ser. Para mim, a gama de cores destas estações é muito mais variada do que no verão ou no inverno. A minha preferência é, descaradamente, o outono que nos prepara para a introspecção profunda do inverno. Em tudo há um convite para a apreciação. A paisagem muda de forma lenta e sutil e é preciso atenção para não perder nenhum detalhe. Algumas árvores perdem suas folhas, algumas flores entram em recesso e os passarinhos param de beber água na sacada (só voltam a aparecer em setembro). Podemos ficar mais aconchegados e dormimos muito mais gostoso com as temperaturas amenas.
    É claro que todo espetáculo deve ter um protagonista de peso. Neste caso, o sol. Ele se inclina com paciência e muito cuidado para tocar a nossa face com a parte de trás dos seus dedos num delicioso afago, bem macio, sem machucar. Nem parece o mesmo que apareceu no verão. Aquele era muito nervoso, impetuoso e impaciente. Este não! Além de nos pegar no colo e aquecer o centro do nosso peito, faz questão de embelezar os dias. Com sua luz agora bem amarelada, realça todas as cores em nuances tão especiais que chegam a brilhar. O céu azul do outono é muito mais azul. O verde das plantas é muito mais verde. Ele está nos dizendo para vermos muito bem como tudo é tão belo. Devemos gravar estas imagens em nossa mente, pois ficaremos alguns meses sem esta exuberância, mas poderemos recorrer à memória sempre que precisarmos.
    A melhor cena do espetáculo é a parte da tarde. É o apogeu das cores! O sol, quase rasante, é âmbar e sua luz produz em mim a mesma sensação de conforto que sinto ao ser embalada por alguém que me ama. Absolutamente tudo fica mais belo com esta luminosidade. Até as pessoas. Sei que todos são sensíveis ao que acontece e dão um jeitinho de escapar só para ficar estático, quase em transe, sob o sol do outono. Nesta época, os expedientes deveriam terminar no máximo às 15:00 para que todos pudessem se fartar desta luz tão carinhosa e das cores tão vivas e tão únicas. O melhor de tudo é que nem todas as tardes de outono são assim. O dia pode até começar límpido, mas não sabemos se teremos uma tarde esplendorosa. Isto acontece porque os presentes especiais não chegam até nós a todo momento. Vem de quando em quando, assim valorizamos ainda mais a sua chegada e jamais deixamos de perceber como são divinais.