Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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Para quem vive só.

    Para estar sozinho é preciso paciência. Paciência consigo mesmo.
    É preciso estar lúcido, com a cabeça no lugar, vigilante e ter as emoções sob controle.
    Para estar sozinho é preciso gostar muito de si, cuidar-se com carinho e não deixar a mimada criança interior tomar as rédeas.
    É preciso não ter preguiça e saber se ocupar com um bom trabalho. Saber escolher as distrações e não confundir fugas com passatempo.
    Para estar sozinho é preciso cultivar relações fora da sua casca para saber com quem pode contar.
    É preciso saber que haverá um momento no qual precisará de ajuda. É necessário saber pedir ajuda.
    Para estar sozinho não se deve ter orgulho besta para aprender todo dia um pouco. Sobre a vida, as coisas, sobre você mesmo.
    É necessário ter calma e serenidade. Saber esperar, saber ouvir.
    Para estar sozinho é preciso aprender a ceder, pois cederá muito mais do que aqueles que vivem cercados de pessoas.
    É preciso falar com os próprios botões, sempre que sentir necessidade, para não afogar ninguém em enxurradas de palavras ansiosas.
    Para estar sozinho é preciso entender que a vida não são férias e estabelecer uma rotina que lhe favoreça, lhe torne muito produtivo.
    É preciso ter muito disciplina, pois não há ninguém olhando.
    Para estar sozinho é preciso ir fundo e se conhecer sem medo para entender os mínimos sinais.
    Quem faz a vida brilhar quando está sozinho, ilumina o mundo quando está acompanhado.


Novamente outono.

    Sim, eu sei que já falei aqui sobre tudo o que me encanta no outono (se quiser leia o texto "Minhas tardes de outono" de 2011). Mas não tenho como manter tudo isso aprisionado no peito. É bonito demais e seria um pecado não prestar atenção.
    Trata-se de um vento diferente, de outras temperaturas e do sol mais lindo de todas as estações. Trata-se do convite para desacelerar, para contemplar, para sentir. Tudo muda. O azul do céu é degradê, as nuvens tem outra densidade. Tudo brilha, tudo cintila. A beleza é tanta que chama, grita para aproveitar a dia. A vontade é de sair voando pela janela, de ter uma boa companhia para, ao sol da tarde, conversar até escurecer.
    Trata-se das gatas gozando de cada raio de sol, seguindo a luminosidade que caminha pela casa ao longo das horas. Elas estão certas e fazem o que eu tenho vontade de fazer. Trata-se de ter mais apetite e achar tudo mais gostoso, menos acordar cedo. Acontece que a cama fica quentinha e o corpo não quer deixar aquela lembrança de ventre para se equilibrar em duas pernas e lavar o rosto com água fria.
    Trata-se de vislumbres mágicos ao pôr-do-sol, de se agasalhar bem à noite e tomar muito cuidado com o vento encanado. Trata-se de lavar as roupas de lã ou usá-las assim mesmo e espirrar tudo o que tem direito. Trata-se de ter bem menos gente fazendo caminhada de manhã. Com exceção do bloco dos senhores de cabelo branco que, mesmo chegando um pouco mais tarde, não deixam escapar nada da última rodada, nem da redução de juros, nem da situação na Grécia. Trata-se de ver o cachorros usando roupas durante os seus passeios e sentir uma peninha pela dignidade perdida. Trata-se de fazer bolo porque é gostoso ficar na cozinha aquecida e cheirosa. Trata-se de abrir a temporada de sopas e sentir aquele calor gostoso que aquece os pés e dá uma moleza boa.
    Trata-se de ver as rajadas de vento levarem folhas sem destino que abrem espaço para mais sol passar. Trata-se de continuar tomando sorvete, porque não tem época para descobrir e aproveitar uma ótima sorveteria. Trata-se de carregar sacola pesada e subir as escadas sem suar, de andar de mãos dadas sem parar para enxugar.
    Trata-se de se encantar com as cores da vida, de testar novas combinações de roupas e de jurar que ninguém está vendo o meião felpudo que mal cabe no tênis. Trata-se de fechar algumas janelas quando a tarde avança para que dentro continue gostoso. Trata-se de proteger os lábios para que não rachem e de hidratar mais os cabelos porque já chove menos. Trata-se de ter ainda mais dó dos bichos abandonados e de fazer a doação para a camapnha do agasalho.
    Trata-se de ver a mudança, a transição e entender que isto é o que é a nossa vida: constantes mudanças e novas fases.


Nas bolhas do Guaraná.

    Ontem fiz um risoto. Interessante que foi o primeiro que fiz na vida. Não achei nada complicado e a exigência de cozinhar com a panela aberta deixa todo aquele colorido borbulhante à vista, espalhando o aroma que fica cada vez melhor. É divertido! Mais divertido ainda foi constatar que ficou muito bom, cremosão sem ficar um grude e quando a comida fica muito boa parece que é festa. Então para comemorar esta sensação abrimos um guaraná de garrafa. Não sou assídua de refrigerantes, nem um pouco, mas ali pareceu o acompanhamento ideal. No primeiro gole lembrei a razão de não beber refrigerantes: são doces demais, a ponto de dar sede. No segundo gole constatei que o sabor do Guaraná de garrafa é totalmente diferente daquele que vem nas latas ou garrafas pet. Ainda que não seja do meu agrado, o de garrafa é bem melhor pois tem sabor de guaraná e as bolhas de gás são menores, pequenininhas, não fazem lacrimejar e não dão soluço (isso só acontece comigo?). No terceiro gole fiquei meio hipnotizada pelas tais bolhinhas no copo. Pareciam pessoinhas muito apressadas, correndo atrasadas do fundo do copo para a superfície, frenéticas e intermináveis. Entre as garfadas do risoto fiquei olhando a garrafa de vidro que caiu em desuso. Ainda é verde mais o rótulo mudou, ficou menor e não tem mais a incrição "Champagne", os recortes no vidro são quase imperceptíveis. Antes eram profundos, pronunciados e me lembravam de grandes janelas de catedrais.
    Quando as garrafas de Guaraná de 1 litro me remetiam  a essas imagens também consumíamos pouco refrigerante em casa. Era uma item de luxo reservado aos finais de semana ou festas. No nosso caso uma garrafa era aberta no almoço de sábado cujo cardápio não variava do frango assado comprado na venda da coreana, arroz, farofa e maionese, para dar liga. Assim como hoje a pizza indica para mim que é sexta-feira, naquela época o frango assado e o Guaraná indicavam que era sábado. Impossível dizer em que momento isto virou um hábito, mas é certo que havia também um cardápio para nossas mentes pois especificamente nestes almoços dávamos continuidade às aventuras de Glorinha e Arnaldo, um casal paladino habitante de um lugar em nosso imaginário, sempres às voltas com o Capistrano, um vilão sem escrúpulos que tentava destruir todos os bons planos dos heróis, como, por exemplo, acabar com o "Jabirito". Veja como tudo já era muito avançado nos anos de 1980: Jabirito era um alimento mágico capaz de se trasmutar naquilo que você desejasse. Seria uma versão melhorada da água. Não tinha cor ou cheiro, mas era suficiente colocá-lo na boca e imaginar o que quisesse. Se o seu desejo fosse o de comer doce de abóbora com côco, daqueles feito em tachos, mexidos horas a fio com uma gigantesca colher de pau, bastaria comer um Jabirito para sentir todo este sabor. Um detalhe: Jabirito era muito nutritivo. Lógico que o Capistrano queria impedir o sucesso deste produto revolucionário, mas Arnaldo e Glorinha sempre conseguiram derrotá-lo.
    Aos poucos fui saindo da garrafa verde de vidro. O risoto acabou. Os heróis e o vilão continuam lá naqueles anos. Um vida inteira transcorreu desde então. Quanta, quanta coisa já vivemos e tenho a sensação de que estamos somente no início e de que ficará cada vez melhor. Não sei explicar. Sou invadida  por uma torrente de gratidão. Ainda que no final das contas estejamos sozinhos em nossa caminhada evolutiva, poder contar com apoio aqui e ali, para pequenas e grandes coisas, faz os obstáculos não terem tanta importância e isso dá um calor gostoso no peito. É bom caminhar ao lado de outras pessoas.
    Acordei hoje ainda um tanto nostálgica. Aí lembrei que exatamente neste dia faz um ano que o Plinplin se foi (Plínio, a mamãe te ama! Do mesmo jeito!) e então fiquei emotiva, além de nostálgica. Mas nada que emperre, só que faça nascer uma admiração: já tivemos muita coisa boa por aqui! Dias assim costumam vir acompanhados de trilha sonora. A minha está aí abaixo e eu a dedico especialmente para o Baltazar.

Ouça e sinta...

http://youtu.be/uu8iWSL3tDk 




A mistura que dá vida.

    Todos nascemos neste mesmo mundo. Ainda que umas cabeças habitem outros planetas nossos pés estão fincados na Terra. Todos, ou quase todos, damos os primeiros passos mais ou menos na mesma época, mas andamos de forma muito diferente uns dos outros. Cada qual tem seu passo, seu ritmo, seu tempo. Cada qual tempera seu caminho com as cores e as formas que mais lhe agradam. Dessas temperâncias tão pessoais saem misturas únicas e admiráveis.
    Diante de um mesmo fato, variadas são as decisões. Uns param e depois seguem, uns caem, uns seguem em frente olhando para trás, outros seguem em frente olhando para frente, outros nem lembram o que fez atrasar a caminhada. Quais são os ingredientes que resultam na determinação de seguir sem se importar se é difícil ou fácil, bonito ou feio? Não sei e queria muito descobrir. Queria muito sentir a todo momento esta certeza de que a vida sempre vence, de que realmente nada mais importa enquanto estivermos ao lado dos nossos amados. Acho lindo isso. Verdadeiro. Admiro quem consegue. Admiro a clareza e a certeza, a determinação inconteste.
    Quem sabe o segredo desta mistura não se dá por vencido. Nunca. Leva golpes fortíssimos, reflete com calma e retoma a luta. "Enverga, mas não quebra". Quem tem esta mistura emana energia, energia de vida, e ainda que seja bem altivo sabe ser muito humilde sempre que for preciso. Acata orientações, recomendações, faz sacrifícios e privações com um sorriso no rosto e um olhar que diz "deixa comigo". Quem tem energia de vida tem a paciência para esperar a evolução de tudo aquilo que não pode controlar e aproveita todas as oportunidades para aprender e para melhorar, ainda que seja "só" a cabeça. Quem tem energia de vida sabe muito bem quais são os seus valores e não perde tempo com o que não esteja de acordo com isso. Também não perde tempo com assuntos periféricos, detalhes alegóricos. Não se preocupa nem um milímetro com o que os outros vão pensar pois nada disso importa mais do que a sua felicidade que, aliás, sabe muito bem onde está.
    Quem tem energia de vida não sofre de arrependimentos pois não deixa de fazer o que acha que é certo. Se errar, aprende com erro e tenta quantas vezes precisar até conseguir. Quem tem energia de vida sabe a hora de calar e a hora de falar. Sabe falar as verdades duras de forma macia, sempre que for preciso. Quem tem energia de vida sabe que o amor é o que faz a vida e escolhe este lado para ficar. Não se importa com os obstáculos pois sabe que aquilo que não mata, fortalece.


*Texto dedicado para D. Júlia que arrasa na atitude.*