Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

Se quiser conhecer os mosaicos que faço, visite minha fanpage "Lucano Mosaico" no Facebook, onde há fotos de tudo o que já foi feito por mim. :-)

Se deseja adquirir um mosaico, visite minha Loja Online no site Etsy (clique AQUI).

Para entrar em contato comigo basta deixar um comentário aqui no Blog. Você também pode entre em contato pelo e-mail: avertamatti@yahoo.com ou interagir no Facebook.

"This little light of mine"

    Esta é a história das luminária para velas de sete dias. Por trás de uma ideia existe algo maior e mais profundo, uma crença, uma filosofia talvez.
    Após o nascimento das primeiras luminárias o olhar para tudo que fosse de vidro tomou novas proporções. O gosto da novidade, a empolgação e o encantamento me faziam ter vontade de revestir tudo que fosse transparente para poder brincar com a luz. Era comum gastar um bom tempo nas lojas de R$1,99 imaginando se tal pote resultaria em algo viável ou não. Numa destas vezes comprei o recipiente padrão para velas de 7 dias, aquele que tem a base de metal (não sei qual) onde você coloca a vela e um cilindro de vidro para posicionar por cima. Diga-se de passagem acho aquilo uma coisa tosca e horrenda. O material é ruim, o acabamento é pior ainda e o visual é pobre. Mas foram estas faltas de qualidade que incentivaram minha compra. Acontece que a cabeça aqui não se aguenta no lugar por mais de dez minutos e mergulhei na questão de porque aquilo era tão feio, justo uma peça que estava relacionada ao exercício da fé. Achei uma contradição pois acredito que a beleza nos aproxima um tanto assim de Deus e que simplicidade e despojamento não significam precariedade. Acho ainda que isso é uma espécie de consenso, pois se não fosse os mosteiros e templos não seriam lugares tão belos e sublimes, onde você sempre sai com a sensação de que ali é muito mais fácil ter fé.
    Com esta convicção tinindo, comecei a trabalhar a peça. O resultado ficou ok.

   Mas por hora havia desistido pois o tal porta-velas do R$1,99 era mesmo de lascar, muito torto e não adiantava colocar o revestimento que fosse numa coisa que não ajudava.
    Para minha alegria, minha irmã e parceira criativa (no sentido mais amplo possível do termo) viabilizou os vidros coloridos, pintados artesanalmente. Não eram vidros novos, mas sim reutilizados, ou seja, garrafas e potes eram cortados e então pintados. Por serem mais transparentes do que as pastilhas, a projeção de luz colorida é mais marcante e a sustentabilidade do material não deixou dúvidas de que era hora de tentar de novo. O resultado foi este:

    O princípio é o mesmo: uma base e um cilindro. Só que aqui tudo é reutilizado - a madeira da base, o cilindro, que é uma garrafa cortada e o revestimento de diversos tipos de vidro cortados e coloridos. Agora sim estava tudo alinhado com o que eu sentia. A aceitação foi boa e outras vieram na sequência, com uma diferença aqui e outra ali.




   Mas aí, já acostumada com isso passei a achar que este formato estava austero de mais e que a peça precisava de mais vida. Então nasceu a versão 2013:

   Todas as cores do arco-íris continuam ali, mas misturadas em arabescos. E quem não concordar que luz colorida eleva o espírito, que assopre a primeira vela.

   Por falar em luz e cores, segue o resultado final das luminárias mostradas aqui no último texto. Mostrei as cúpulas e o casal de clientes confeccionaria as bases. Assim fizeram e eu amei o resultado final:
    Para embalar toda esta conversa, sugiro uma trilha sonora para todo mundo ficar brilhando!
http://youtu.be/ZZ6SAryPyQk





Quem é civilizado vive melhor.

    Todo trabalho tem uma história, sem exceção. Umas curtas, outra longas. Umas polidas e sucintas, outras abertas e sorridentes. Cada uma delas traz consigo o estímulo do qual me sirvo para arrumar os caquinhos. A que vou relatar é recente e me marcou. Com a idéia de renovar o hall do andar, foram encomendadas quatro plaquinhas com os números dos apartamentos e duas cúpulas para arandelas. Esta minha cabeça, que apesar do treino de poucos anos não consegue ficar parada, já ficou surpresa, matutando no tipo de condomínio que deixa seus moradores serem livres neste grau. Todo mundo sabe que quando nos mudamos para apartamentos abrimos mão de um punhado de coisas a fim de obter outras. Normal. Faz parte deixar de lado uma parcela da expressão da sua personalidade e acatar a padronização para as ditas áreas comuns. Então o pedido me causou surpresa e contentamento. Bacana ter esta possibilidade, bacana imaginar que um andar pode ser bem diferente do outro. Na verdade sempre é, mas ter esta diversidade manifestada é muito mais interessante. Além disso pensei que, para chegar no consenso do que seria pedido, houve a necessidade dos vizinhos (vizinhas neste caso) conversarem. Mas não aquele "Oi! Tudo bem?" meio constrangido, dito à meia boca, de passagem. Precisam mais do que isso. Precisam bater um papo aqui, outro lá e mais outro acolá. 
    Acredito que pelo fato de experimentar uma realidade diferente desta, tive certo espanto. Pelas minha bandas há quem evite descaradamente esbarrar o olhar em outro ser humano, há quem corra para entrar no elevador para não ter que fazer o sacrifício de dividí-lo com alguém e se ver obrigado a trocar algumas palavras sobre a temperatura do dia. Claro, há os tímidos, e estes estão perdoados pois sei como lhes custa olhar para qualquer coisa que não seja o chão. Mas há aqueles que se acreditam sozinhos no planeta e fazem um cara tão espantada ao escutar um "bom dia!" que já cheguei a pensar que os teria surpreendido nos segundos que se sucedem à libertação do peido contido. Há que faça uma expressão tão estranha que também já achei que fosse eu o próprio peido encarnado. Mas também há os gentis e que lhes seja feita justiça, afinal abrem a porta do elevador quando não tenho mãos para isso e fazem piadas a fim de encerrar o breve encontro sempre com um sorriso. Justiça feita, sinto dizer que são minoria. Por este motivo minha mente foi longe, bem longe enquanto trabalhava. Recordei todas as mudanças de comportomaneto social que já presenciei, as mudanças de hábitos, costumes que morrem e não são substituídos e no final disso tudo cheguei à conclusão de que o exercício da civilidade faz bem a todo mundo. Sim, é óbvio, mas não tão óbvio assim, porque se o fosse não teríamos nenhum espanto em situações como esta.
    O resultado de tanto pensar e do trabalho segue abaixo. Muitos já devem ter visto as fotos no Facebook, mas mostro-as novamente:

    Aqui estão os números. Ainda que tenha um elemento para harmonização, cada uma pode inserir sua individualidade que diz muito sobre quem mora por ali.


    Vejam em uma das portas, como ficou:



    Estas são as cúpulas para arandelas, que ganharão exclusivas bases com lâmpadas. Clientes criativos e habilidosos! Fica o suspense de como ficarão instaladas...
    
    O melhor de tudo é que ao final do trabalho ainda restou um profundo sentimento de admiração por estas pessoas que se conversam e que são capazes de usufruir de tudo o que a boa convivência pode dar.