Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

Os mosaicos da Glasgow City Chambers.

Uma grata, gratíssima surpresa ao visitar Glasgow foi constatar que das 25 principais atrações turísticas, 16 custam - sente-se, por favor - nada! Isso mesmo, a entrada é grátis. Para os mão de vaca como eu é de um prazer inenarrável poder visitar museus e galerias de arte sem gastar um puto. Use esse dinheiro para um city tour, para o chá e para o chocolate. Todos valem a pena!

Se você cair de para quedas na George Square, tem a obrigação moral de visitar a "Glasgow City Chambers" que seria a câmara municipal da cidade. É um prédio belíssimo que foi inaugurado em 1888 pela rainha Victoria e oferece visitas guiadas. O que faz desta construção ainda mais majestosa são, na minha opinião (e sem querer puxar a sardinha para lado nenhum, imagina!), ... os MOSAICOS! Eles revestem a maior parte dos pisos, boa parte do teto do andar térreo e  foram declaradamente inspirados nos mosaicos italianos. Apenas nos mosaicos do teto foram utilizadas aproximadamente  1.500.000 tesselas...e isso é música para os ouvidos de mosaicistas.

Logo na entrada há a insígnia da cidade inspirada num conjunto de lendas locais (clique nas fotos para vê-las em tamanho maior).
A inscrição diz "Let Glasgow flourish" que é o fragmento de um pequeno texto inscrito no sino da Igreja Tron, em 1631. O texto completo diz "Lord let Glasgow flourish through the preaching of thy word and praising thy name", que seria algo como Senhor deixe Glasgow florescer através da pregação da tua palavra e do louvor ao teu nome.
A insígnia está presente em muitos outros lugares e de diversas formas. Esta, em forma de vitral, também chamou minha atenção.
Espero que a sua cervical esteja boa pois, se você for como eu, vai gastar um bom tempo com a cabeça tombada para trás olhando os mosaicos do teto.



Para descansar o pescoço olhe, então, para o chão...
Descansou um pouco? Olhe mais uma vez para o teto...
Agora definitivamente para o chão...
Veja que lindos os pisos de mosaico dentro do contexto do edifício. Agora, por favor, quem teve a ideia de colocar os sofás e a mesa de centro sobre aquela preciosidade? Af...
Tão bom quanto conhecer novos lugares é perceber que a história das civilizações é permeada pela arte. É muito interessante constatar o conceito de estética e beleza em lugares diferentes. E mais interessante ainda quando o mosaico é utilizado para fazer esta tradução.
Até a próxima!



Onde há curvas, há sombras...

Certa vez uma querida colega escreveu que ao mudar de casa mudamos muito mais do que de casa. Essa afirmação não poderia ser mais precisa ou mais verdadeira. O novo endereço é resultado de uma sequência de outras mudanças e assim, quando nos olhamos no espelho, não estamos mais ali. Há uma outra pessoa. Quando a nova casa fica a um oceano de distância da antiga, o processo é drástico.

Por mais óbvio que isso seja, não há como saber de que maneira seremos afetados por tudo que não conhecemos. Não dá para saber de antemão quem seremos ao final do processo (se é que há um final neste processo). Ao retomar meus trabalhos da forma como fazia antes, algo havia se perdido. Perdeu-se na pausa, perdeu-se na distância, perdeu-se não sei onde e de forma irrecuperável. Tentei outra vez e de novo...nada. Ao mesmo tempo que tentava contemporizar o que estava acontecendo, havia um conteúdo desesperado para sair, como uma panela de pressão que já alcançou a fervura e cujo pino está prestes a entrar em órbita. Mas o meio que eu conhecia para para escoar tudo isso simplesmente não funcionava mais! Então concluí que era hora de romper com todos os preceitos que vinha seguindo, com padrões estéticos que muitas vezes não eram os meus e com as concepções de certo e errado. "Preciso me render a mim mesma", pensei. A esta altura a tal panela estava prestes a explodir. Então vamos começar com um projeto, certo? Sim! Então vamos falar da natureza, do sol que dita o ritmo da vida que conhecemos, do ar impregnado por essa força, esta energia, que chega à natureza pela água da chuva, indo parar no solo fértil. Ótimo! Tudo lindo! Então vamos lá!!! Só que esta forma de trabalhar funcionou como mais uma repressão...e panela explodiu. Decidi ir até o final do trabalho, do jeito que fosse, com correntes recém cortadas e feridas expostas. Foi doloroso, conflitante e necessário. Agora é daqui para frente. até onde for.

Dizem que a vida é uma estrada. A minha definitivamente não é uma estrada reta. A de ninguém, talvez. Onde há curvas, há muitas sombras, mas também há luz.









Mural de Mosaico na Karl-Marx-Allee

Se tem uma coisa que é tão certa quanto "chover para baixo" é a tal da sintonia. Não tem erro: aquilo onde você deposita sua atenção, orbita na sua frequência. Eu, por exemplo, tenho uma paixão de vidas passadas por gatos. Por isso sou capaz de ver um gatinho a uns 15 km de distância. Nitidamente. Em contrapartida, não ligo a mínima para carros. O trânsito é, para mim, uma massa cinzenta e indistinta que se move feroz ou letargicamente e só. Último modelo? Não para mim...
É por esse motivo que os mosaicos se revelam aqui e ali. Monumentais ou pequenos, magistrais ou amadores eles sempre pulam para o meu campo de visão para dar uma olá. E foi exatamente assim que vimos esse mural. Na caminhada de volta uma olhadela para o lado e lá estava ele com sua cores e estilo vibrantes. O trabalho, todo em pasta vítrea, não traz assinatura e , de fato, não encontrei uma única informação sobre ele. Só posso dizer que está nesta rua que tornou-se sem saída pela presença desta muro sobre o qual o mural foi feito. A rua em questão fica exatamente ao lado do Computerspielemuseum (Museu dos Jogos Eletrônicos) que, por sua vez, fica na Karl-Marx-Allee, 93A, pertíssimo da estação Weberwiese da linha U5 do metrô. 

(Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho maior)







 Se alguém souber quando este mural foi feito e/ou por quem, por favor fale. Eu quero muito saber!