Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

A mistura que dá vida.

    Todos nascemos neste mesmo mundo. Ainda que umas cabeças habitem outros planetas nossos pés estão fincados na Terra. Todos, ou quase todos, damos os primeiros passos mais ou menos na mesma época, mas andamos de forma muito diferente uns dos outros. Cada qual tem seu passo, seu ritmo, seu tempo. Cada qual tempera seu caminho com as cores e as formas que mais lhe agradam. Dessas temperâncias tão pessoais saem misturas únicas e admiráveis.
    Diante de um mesmo fato, variadas são as decisões. Uns param e depois seguem, uns caem, uns seguem em frente olhando para trás, outros seguem em frente olhando para frente, outros nem lembram o que fez atrasar a caminhada. Quais são os ingredientes que resultam na determinação de seguir sem se importar se é difícil ou fácil, bonito ou feio? Não sei e queria muito descobrir. Queria muito sentir a todo momento esta certeza de que a vida sempre vence, de que realmente nada mais importa enquanto estivermos ao lado dos nossos amados. Acho lindo isso. Verdadeiro. Admiro quem consegue. Admiro a clareza e a certeza, a determinação inconteste.
    Quem sabe o segredo desta mistura não se dá por vencido. Nunca. Leva golpes fortíssimos, reflete com calma e retoma a luta. "Enverga, mas não quebra". Quem tem esta mistura emana energia, energia de vida, e ainda que seja bem altivo sabe ser muito humilde sempre que for preciso. Acata orientações, recomendações, faz sacrifícios e privações com um sorriso no rosto e um olhar que diz "deixa comigo". Quem tem energia de vida tem a paciência para esperar a evolução de tudo aquilo que não pode controlar e aproveita todas as oportunidades para aprender e para melhorar, ainda que seja "só" a cabeça. Quem tem energia de vida sabe muito bem quais são os seus valores e não perde tempo com o que não esteja de acordo com isso. Também não perde tempo com assuntos periféricos, detalhes alegóricos. Não se preocupa nem um milímetro com o que os outros vão pensar pois nada disso importa mais do que a sua felicidade que, aliás, sabe muito bem onde está.
    Quem tem energia de vida não sofre de arrependimentos pois não deixa de fazer o que acha que é certo. Se errar, aprende com erro e tenta quantas vezes precisar até conseguir. Quem tem energia de vida sabe a hora de calar e a hora de falar. Sabe falar as verdades duras de forma macia, sempre que for preciso. Quem tem energia de vida sabe que o amor é o que faz a vida e escolhe este lado para ficar. Não se importa com os obstáculos pois sabe que aquilo que não mata, fortalece.


*Texto dedicado para D. Júlia que arrasa na atitude.*

O que fazer no seu tempo livre.

    Não me venha com aquela conversinha enferrujada de "não tenho tempo", pois provado está que arrumamos tempo para tudo aquilo que é do nosso interesse. Enfim, se você consegue administrar a rotina a seu favor e se libertar do grilhões dos questináveis valores nos quais estamos em conserva há décadas, faça o seguinte: desça a serra. Sim, pegue o carro e siga para o litoral. Assim que botar o pé, ou melhor, as rodas na estrada desligue o piloto automático da sua mente e repare em tudo, inclusive no trânsito. Veja como a represa é bonita, filosofe sobre a quantidade absurda de caminhões e indague como seriam as coisas se as ferrovias não tivessem sido abandonadas. Dê uma olhadela para o céu só para constatar que os pássaros voam mesmo naquela curiosa formação em "V" que aparece nos desenhos animados e lembre-se que leu um e-mail que falava sobre isso e fazia algum paralelo descartável com os problemas da vida.
    Depois de pagar o doloroso pedágio (afinal isto não é uma história da Pollyana) olhe a vegetação ao redor e diga para você mesmo "Puta que o pariu! Como a Mata Atlântica é linda! Vai se ferrar!" e pense em como deveriam ser os locais por onde está passando antes da chegada da civilização. Começe a descida propriamente dita vendo que neblina pouca é bobagem e mergulhe na nuvem branca, densa e misteriosa que esconde o horizonte. Túneis, túneis, túneis. Neles não há neblina e também não há graça alguma. Mas quando acabam há aquele tapete verde de copa de árvores que convida a um stage diving daqueles (não é possível que ninguém tenha feito isso até hoje). Então siga as placas em direção a Santos. Repare como a paisagem se transforma. Desligue o ar condicionado, abra o vidro e sinta que o ar de lá é totalmente diferente do daqui. Outro clima. Siga as indicações para Praias. Lembre-se que ali as pessoas dirigem com mais calma e quem está fora de contexto é você. Relaxe! Isto é um passeio e não um rali.
    Agora que já reparou como exitem belos prédios antigos em Santos e já cumpriu seu percurso até as praias, procure a Av. Ana Costa. Nem se preocupe se não levou o GPS. As indicações surgem naturalmente e você vai se achar rapidinho. Logo que entrar na avenida verá ao seu lado direito o Shopping Balneário. Deixe seu carro nos estacionamento, suba as escadinhas, siga para a Praça de Eventos e...

...Tchanam! Você acaba de chegar na Mostra dos nossos quadros de Smalti. Assim, fácil, fácil!
    Olhe tudo com calma porque cada quadro merece uma boa encarada. Aliás é muito interessante ver as obras bem de perto, quando se revela a estrutura da composição da cada uma.



    Depois olhe de longe, porque aí a mágica também acontece, a obra se revela.
    Tem este lado...

...e este outro também. Esta Mostra está um pouco diferente daquela que ocorreu em março, em Curitiba. Alguns quadros de lá não vieram para cá e há quadros aqui que não estavam lá. Esta exposição foi organizada pela Helena Sundfeld sob as asas protetoras da nossa querida Renata Ghellere que todo mundo já conhece porque eu não paro de jogar confetes nela. A Helena também fez o curso da Orsoni ano passado. Ela tem ateliê em Santos, é artista experiente e dá aulas também. Além da excelência técnica, os trabalhos da Helena trazem uma riqueza de detalhes quase insana. Portanto é bom levar seu babador.
   
   Na subida das escadas há um quadro da própria Helena que convida à apreciação e ao aconchego.

    Se escolher subir pelo outro lado, é um quadro da Renata que dá as boas-vindas. Pare na frente desta obra pelo menos uns dez minutos. Além de ver a minúcia e a técnica da artista você entenderá o que o Smalti pode proporcionar em termos artísticos graças à sua interminável gradação de tons e cores.









E ali no meio...

...está o réptil querido da mamãe! Matei a saudade da minha amada cobra que sobe.

    A exposição segue até o dia 30/04. Quem vai para o litoral passar o próximo feriado já tem uma ótima sugestão de passeio para abrir a mente a cores, formas e conceitos únicos.
    Para aqueles que farão o famoso bate-volta, sugiro que, após toda esta apreciação você saia até a Av. Ana Costa (a pé, pelo amor de Deus!) e dê alguns passos até chegar à orla. Respire! Respire bem fundo este ar úmido do mar. Pise na areia e veja...

    Santos é uma cidade muito bonita em todas as estações. Fique por aí o quanto quiser pois neste lugares o tempo não passa tão depressa. Aproveite, sinta, desfrute.
    Quando voltar para o shopping, tome um frozen natural com calda de amora em homenagem à sua avó que se curou das pedras na vesícula graças à água do Pai Eterno. Se você não tem uma avó nestas condições pode escolher outra pessoa para fazer a sua homenagem. Incluindo você!
    Agora resta voltar para casa com a alma leve e a mente totalmente desobistruída e descomplicada. Mas se você não quiser mais voltar, não tem problema. Fique em Santos mesmo e aproveite para se aventurar no mundo do mosaico. Precisa de uma professora? Pois não! Anote aí: Helena L. O. Sundfeld. Rua Rio Grande do Norte, 70. Bairro Pompéia - Santos. Telefones: (13) 3028.0004 e 9756.0407. E-mail: helenaormonde@hotmail.com
    No fim das contas só não se diverte quem não quer!

Vaidade.

    Não me refiro ao tipo de vaidade que nos leva a usar maquiagem, vestir uma roupa bonita ou usar creme hidratante. Falo do tipo que pode empatar a vida de alguém, o tipo de vaidade que pode viciar a índole: o apego aos elogios. Fiquei meditativa sobre isso ao observar pessoas se transformando, passando por cima de tudo à frente, deixando a ética láááá para trás com o objetivo certo de colher elogios, estufar o peito, empinar o nariz e apontar o dedo para indicar insuperáveis façanhas. Seriam eles, os elogios, uma forma de reconhecimento? Sinceramente tenho minhas dúvidas. Tendo a acreditar que são palavras vazias e nada mais.
    O dependente vaidoso direciona suas ações não para a produtividade mas para a coroa de louros e padece neste ciclo, estagnado. Geralmente o dependente torna-se agressivo se acredita que sua obra é ameaçada. Por quem? Por alguém que teve uma idéia melhor ou simplesmente trabalha melhor porque não está perocupado com o que vão achar. Esta é a grande roubada do viciado vaidoso - suas ações não são genuínas, mas guiadas na suposição da opinião alheia. Triste isso! Muito triste! É uma vítima de si mesmo numa eterna espera de aprovação. Necessita de  estímulos exteriores constantes porque intimamente não sabe se gosta mesmo de si. É ciente de seus defeitos, mas encara-os não como um apsecto natural, inerente ao ser humano. Enxerga falhas abomináveis, imperdoáveis e torce secretamente para que ninguém as descubra jamais ou deixará de ser tão especial como acredita (ou gostaria de) ser. O adicto da vaidade não desenvolve sua vida sobre aquilo que lhe traz convicção e vai para onde o vento soprar.
    Uma parte deste vício tem sua origem no foro íntimo. Mazelas emocionais muito comuns. Outra parte está presente no grande caldeirão cultural no qual estamos imersos, de forma que tornou-se raro encontar alguém que cultive qualquer atividade sem estar à sombra da auto-afirmação. Fora dos holofotes há uma grande vazio e não se está isento de ter uma dor de barriga ou, pior, o coração partido porque colheu dúzias de elogios no dia anterior. Se somar a isso nossa convenção cultural de não dizer a verdade por medo de magoar alguém, tudo fica mais vexatório, pois de toda a colheita só uns dez por cento dos agraciamentos eram sinceros.
    Em maior ou menor grau, somos todos dependentes. Neste campo estéril seguimos incertos de nosso valor, dependentes de parâmetros alheios, incapazes talvez de encontrar nossa real grandeza, avessos ao fato de que elogios, além de não pagar contas, não conduzem ao crescimento interno.