Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

"Unser Leben" o maior mosaico da Europa.

Pegue a linha U2 do metrô, a linha vermelha, e desça em na estação Alexandreplatz. Pronto! Você estará aos pés de uma das maiores obras de arte da Europa e do que é considerado o maior mosaico da Europa. Este painel magnífico, ao estilo de arte mexicana, formado por cerca de 800 mil tesselas, além de pedaços de cerâmica e metal, aparece como uma espécie de cinturão entre o segundo e quinto andares do edifício "Haus des Lehrers" ou "Casa do professor".

Este edifício foi um projeto do arquiteto Hermann Henselmann e substituiu a edificação de mesma finalidade que fora destruída na Segunda Guerra. Seus 54 metros de altura forma erguidos entre dezembro de 1961 e setembro de 1964, sendo o primeiro arranha-céu de Alexanderplatz e um autêntico representante da arquitetura modernista pós-guerra.

O edifício foi concebido para ser um lugar de encontro de educadores. Em suas instalações encontrava-se bar, restaurante, café, livraria, clube, salas de leitura e uma das bibliotecas de ensino mais importantes da Europa, com 650 mil volumes. Após o fim da República Democrática Alemã - RDA (ou DDR - Deutsche Demokratische Republik, em alemão), o acervo foi transferido para a Biblioteca de Pesquisa de História Educacional. Neste período o edifício passou a abrigar parte da administração escolar do Estado. A partir de 1994 o prédio foi alugado para diversos fins e hoje oferece escritórios para locação.

A origem do friso de mosaico remete a um concurso de tema livre promovido pelo Ministério da Cultura. O artista escolhido pelo júri foi Walter Womacka, cujo projeto retratava a humanidade e sua relação com os elementos da natureza. Apesar da aprovação do júri, a abordagem foi rejeitada na fase de design por ser considerada "não-marxista e metafísica". Assim o projeto foi alterado a fim de retratar a "realidade socialista". Womacka fez um panorama com cenas do cotidiano da "vida feliz na RDA". O título da obra é "Unser Leben" ou "Nossa Vida".

Vamos aos quatro lados desta maravilha de 7 metros de altura e 125 metros de comprimento. 

Lado 1:




Lado dois:

Lado três:





Lado quatro:

Olhando de baixo para cima, ficam nítidas as inserções das peças de metal:

Sobre o artista Walter Womacka

Nasceu em 1925 na antiga Tchecoslováquia. Foi pintor, gravurista e designer de inúmeras obras arquitetônicas. Iniciou seus estudos como pintor decorativo de 1940 até 1943, na Escola Estadual de Cerâmica de Teplice. Durante a guerra foi convocado para servir, o que fez até ser ferido em 1945. Após a guerra trabalhou como lavrador e em 1946 passou a frequentar a Escola Formativa de Mestres de Ofício, em Braunscheweig. Em 1949 mudou-se para Weimar, passando a frequentar a Universidade de Arquitetura e Belas Artes. Deu continuidade aos seus estudo em Dresdem, de 1951 a 1952 na Academia de Belas Artes. Em 1953 mudou-se para Berlim onde trabalhou na Academia de Arte Berlin-Weissensse, primeiro como assistente e depois, a partir de 1963, como chefe do departamento de pintura. De 1968 a 1988 foi diretor desta Academia.

Womacka é considerado um artista alemão do Realismo Socialista, que é o estilo artístico oficial da União Soviética entre as décadas de 1930 a 1960, aproximadamente. Na prática, tratava-se de uma política de Estado para a estética que abrangia todos os seus campos e manifestações (literatura, pintura, design, arquitetura, escultura, cinema, teatro, música, etc.). Esta política está associada ao comunismo ortodoxo e aos regimes de orientação stalinista.

Womacka residiu em Berlim até o final de sua via. Faleceu em setembro de 2010.

Se você vier a Berlim, é obrigatório admirar este mural tão, tão, tão, tão emblemático que passou por restauração há cerca de dez anos.

Fontes:
www.de.wikipedia.org
www.hausdeslehrees.de
www.pt.wikipedia.org 
Fotos: Adriana V. Piacezzi

A estação de metrô de Tierpark.

Era uma tarde de sol depois de um dia cinzento e "garoento". Eu precisava ficar ao ar livre e tentar assimilar um pouco de vitamina D. Achei que a melhor pedida seria um parque. Na mesma linha de metro que passa no bairro, a U5, havia visto o nome Tierpark de uma das estações. Tier eu não sei o que é, mas park certamente deve ser parque, então fui até lá. Apesar do ar meio down da plataforma, achei poética a pintura Bauer nas letras que formam o nome da estação. Bom, se tem florzinha pintada nas letras deve mesmo ter um parque aqui ao lado. Ao subir as escadas rumo à saída me deparo com isto:

Painel em mosaico de Dagmar Glaser-Lauermann, de 1973.
É nesse momento que o tempo congela, o céu se abre, uma luz desce e os anjos tocam suas trombetas.

PQP!!! Pensei...é, talvez eu deva ter falado porque sinceramente não esperava por isso. Só acreditei que era mosaico mesmo quando coloquei a mão. Mas que delícia!!!! Fazia, sei lá, um mês àquela altura que eu estava longe do mosaico, de qualquer tipo, e poder senti-lo novamente me deu a sensação de "tudo vai ficar bem".

Eu que sempre havia sido muito relutante em ter um celular do tipo smartphone abençoei até a terceira geração de seu inventor. Comecei a fotografar:

Na extremidade esquerda a representação dos animais marinhos.

No centro o sol, fonte de vida.
Do lado direito a representação dos animais da terra e do ar.

Lá no alto a assinatura da artista.
Fui procurar saber quem é Dagmar Glaser-Lauermann. Não consegui achar muita coisa. Ela nasceu em 1927 em Sluknow, na República Tcheca. Sua formação é em artes aplicadas e designer de vidros. Iniciou seus estudos em Praga e deu continuidade em Berlim, para onde se mudou após a guerra. A partir de 1954 passou a trabalhar como artista freelancer junto com seu marido, também artista. Com sua ajuda ou sozinha, criou diversos vitrais, pinturas, pinturas em murais e painéis de mosaico, que podem ser encontrados em Berlim e arredores.

Esta estação de metrô fica na parte oriental de Berlim, que viveu sob o regime socialista. Não é o caso deste mural, mas já vi outras obras onde a influência do socialismo é nítida. Então me pus a pensar em como o meio influencia a arte, conferindo-lhe características tão marcantes que um especialista pode dizer de que época é uma obra apenas olhando para ela.

Mas fiquei mais tempo mesmo pensando no caminho contrário. Como a arte influencia o meio. Naquela estação tão cinza, a visão do mosaico foi gratificante, revigorante (a propósito, agora sei que tier significa animal e que Tierpark é uma espécie de zoológico, só que sem jaulas ou grades) que lembrei de um projeto muito importante que está em andamento em São Paulo. Já ouviram falar do SP Maps Project? É o projeto de um mural, idealizado pelo grupo Mosaico Paulista . O mural será formado por váááááários mapas de São Paulo feitos de mosaico por artistas do Brasil todo e de alguns outros países. Na comunidade do mosaico não é raro este tipo de projeto: artistas do mundo todo doam seu trabalho para a confecção de um mural que certamente fará a diferença no lugar onde for instalado. É evidente que, além da beleza por si só, o objetivo também é chamar a atenção para a arte do mosaico, um tanto ignorada em solo tupiniquim. Aí pensei com meus botões: imagina você saindo ou entrando apressado numa estação de metrô em São Paulo e se deparar com um mural belíssimo, criativo e cheio de vida! Só um acéfalo ficaria indiferente. A arte tem um poder de preencher aqueles vazios que temos na alma e isso faz bem para nós, isto é capaz de nos tornar pessoas melhores.

Enquanto vou sonhando em ver painéis de mosaico nos metrôs do Brasil, vá no link e sinta o gosto de como ficará o mural do SP Maps Project:

PRÉVIA DO MURAL SP MAPS PROJECT

Fontes sobre Dagmar Glaser-Lauermann:
-www.kunstbuchreihe-26.de
-www.yasni.info

Pausa para reivenção.

Este foi, sem dúvida, o maior período que fiquei longe do blog e, sinceramente, é como se faltasse uma parte minha. Mas se a vida traz pausas, usemo-las para reorganizar tudo (ou uma parte) que há em nós e nos prepararmos para o recomeço.

Então vamos lá: a última atualização foi sobre o que aconteceu em julho. Desde lá o vasinho lâmpada foi finalizado. Ficou a coisa mais doce que se pode imaginar.
Delicado, romântico e alegre. É delicioso criar peças únicas.

Como beleza pouca é bobagem, fiquei muito, muito contente em fazer uma reedição de uma porta retratos todos em smalti Orsoni. Acho essa peça incrível!

Não me canso de dizer que o smalti tem uma força que é só dele. Não dá para ficar blasé se tem smalti na parada.

O nosso amuleto predileto também teve vez. Os últimos Olhos Gregos que fiz foram em uma base um pouco maior do que a de costume. Achei que o símbolo pedia. Esta foi a última versão:

A inserção do dourado veio para ficar!

Nessa altura do campeonato tudo mudou - veio a confirmação que mudaríamos de país. Este tipo de mudança envolve muita coisa e uma série de providências precisavam ser tomadas. Entre elas a mais difícil para mim: escolher uma data para encerrar as encomendas. No meu caso foi quando percebi que não conseguiria mais conciliar o trabalho criativo com o check-list da mudança. Assim, a última peça feita por encomenda foi singela: uma placa de número residencial. Quando fiz este modelo pela primeira vez foi porque acreditava que ficaria bonito. Ninguém havia pedido, mas eu precisava fazer. Então escolhi uma pessoa para ser presenteada, aí eu teria o modelo para colocar na vitrine virtual. De fato este lay-out foi o mais pedido.

No modelo preferido o detalhe que é a minha cara: degradê arco-íris.
O ponto final estava colocado. É claro que teve drama (que por sinal não ajuda em nada...). Mas faltava um arremate. Teve uma pessoa que me ajudou horrores na construção do site e que abriu meus horizontes num assunto que é um dos mais delicados para os artistas: vender seu trabalho. Eu queria de alguma forma retribuir um coleguismo que nunca havia visto na vida. A escolha não poderia ser outra: o corpo sonoro do Absoluto, o símbolo universal do Yôga, o nosso ponto de intersecção.

Força. Poder. Energia.

Cores e materiais foram escolhidos em conjunto e tudo tem um significado. Foi com essa peça tão significativa que encerrei meus trabalhos.

Depois foi aquela correia biruta. Umas coisas dando certo e outras nem tanto, mas tudo dentro do administrável.

Agora estamos aqui, em Berlim, cidade que exala história em cada milímetro, que transborda diversidade e respira cultura. A produção da Lucano Mosaico ainda vai levar um tempo para voltar. Vão alguns meses e uma boa dose de burocracia para um ateliê cruzar o oceano. Enquanto o momento não chega, vou descobrindo o que há de mosaico por aqui. É certo que a produção mudará bastante. Por exemplo, os números residenciais , que eram um hit no Brasil, não terão saída aqui. Isto porque os números das edificações devem seguir um padrão do corpo de bombeiros e isso passa bem longe do mosaico. Em compensação, o pessoal aqui é fascinado por velas. Thanks God! Espero que gostem das luminárias de vidro.

O que fazer agora? Descobrir esse mundo tão antigo, tão marcado, tão vivido, que ressurge das cinzas repetidas vezes. Se você quiser embarcar nessa nova experiência comigo será muito bem-vindo! Até a próxima...em breve!!!