Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

Nunca é tarde.

Fim de um ciclo, início automático de outro.
As máximas permanecem, então... 

Sempre é tempo de começar tudo de novo.
Sempre é a hora certa para descobrir um novo significado naquilo que já é conhecido.
Sempre é tempo de aprender (ou reaprender) o que é preciso para ser feliz.
Sempre é a hora certa de se despir de tudo que atrapalha, que pesa e não tem valor e ficar nu na essência.
Sempre é tempo de realizar, de colocar em prática o que acabou de aprender.
Sempre é a hora certa de sentir, de dizer, de compartilhar, de compreender e de entregar.
Sempre é tempo de ser melhor do que foi ontem e sempre é a hora certa de senitr a esperança de que issso é possível.




Cantado fica assim:




Boa introspecção e bom recomeço!

De Chillon para a sua parede.

    Nas férias trangredimos a realidade de nossas rotinas e nos lançamos em aventuras que, mesmo planejadas à minúcia, sempre nos surpreendem. Quando tudo acaba temos a árdua tarefa de fazer caber em nossa cabeça uma mente extraordinariamente ampliada, livre, instigada. Desta readaptação forçada à realidade, surgem referâncias aqui e ali aos dias de ócio criativo vividos anteriormente.
    Coloque-se no seguinte cenário: Montreux, uma cidadezinha suíça às margens do lago de Genebra. Depois de adorar a estátua do único e insuperável Freddie Mercury, você caminha pela parte mais antiga da cidade, absorvendo pelos poros de todo o corpo séculos de história e uma paisagem comum nas caixas de bombom de antigamente. Se a companhia é boa, caminhe até o Castelo de Chillon. Esta construção do século XII serviu de inspiração para os escritos de Lord Byron, Victor Hugo e Jean-Jacques Rousseau. Apesar das sucessivas modificações que sofreu no decorrer dos anos não perdeu seu evidente caráter medieval e, por muitas vezes, muito, muito sombrio.
    Quando você desvenda um lugar assim, deixa-se guiar pelos sentidos muito mais do que pela razão. E não somente pelos seus sentidos, mas também pelos sentidos de quem está com você. Assim, em determinado aposento onde vários móveis, mais antigos que nossa pátria mãe, estavam expostos, foi-me apontado um grande baú que ostenta rosáceas entalhadas na laterais. Fotografei-as.
    De volta à realidade, usamos as fotos para detonar uma torrente de lembranças que são editadas com o passar do tempo. Deparei-me novamente com a rosácea.
    Acho-a bonita, sem dúvida. Mas vasculhe sua memória e veja se em algum momento da vida você já não traçou algo muito similar. Provavelmente quando teve seu primeiro compasso para as aulas de geometria. Quando percebi isto, achei interessante que algumas figuras estejam lastreadas há tanto tempo em nossa mente, gravadas profundamente no inconsciente coletivo, com fartas referências simbólicas a formas e números que nem entendemos completamente. Isto me fez constatar que pouco, muito pouco criamos. Na verdade descobrimos coisas que já estavam lá. Acredito que até os avanços da ciência são constatações de coisas que já existiram e a este processo de (re)descobertas chamamos de evolução. Se esta teoria fizer sentido, confirmamos o fato de que a humanidade é nada mais do que uma gotinha de água numa chuva torrencial. Para celebrar nossa insignificância, reforcei os traçados que sempre existiram.




O amigo que não vê a primavera.

    Há um bom tempo, numa conversa de corredor, alguém falava que não entendia porque as pessoas festejavam tanto a chegada da primavera, enfatizando que nada mudava de um dia para o outro. Instantaneamente me lembrei que aquele é o meu modo de ver a passagem de ano. Sim, de um dia para outro nada muda, mas de um dia para três ou quatro outros dias alguma coisa muda e é incrível! A árvores aqui da rua, de totalmente peladas, ganham brotinhos e num piscar de olhos ostentam novas copas de um verde fluorescente. A despeito de toda a loucura climática que testemunhamos, da extinção das meia-estações, uma boa parte das plantas ainda se acha e se renova. Até a minha violetinha me surpreendeu com duas florzinhas rajadas depois de não sei quanto tempo sem florir. O cortado e supostamente falecido abacateiro lançou uma haste surpreendente, fênix, repleta de folhas em meio à demais plantas que ocuparam o seu lugar. E a lista de pequenos milagres segue com notável extensão. Para mim esta delicada explosão de vida é uma manifestação inconteste de amor. É uma mensagem nítida de esperança, de continuidade e possibilidade quando tudo parece irremediável.
    Essa simbologia veio à minha mente porque o hall da fama das coisas mais tristes que ouvi ganhou ontem uma afirmação que foi direto para o "top five". Nosso querido amigo disse que o amor não existe. Assim. Espera aí, para tudo! Semanas antes ele mesmo falou que buscava um amor, que queria envelhecer ao lado de alguém e coisa e tal. Amigão, sinto muito, mas não vai acontecer. É óbvio, não é? Ele supostamente busca algo no qual não acredita. Ai, ai, ai...nós humanos....
    Independento do sucesso ou fracasso afetivo do nosso colega, o que me fez pensar é se ele não percebe que o amor acontece a todo momento, em diferentes escalas, com diferentes formas. Será que ele não percebeu que o que era cinza ficou verde? Será que ele não viu o espetáculo dos Ipês amarelos? Desconfio que ele falou aquilo para gerar comoção, para que alguém resolva lhe provar o contrário. Não é possível que a sua desilusão seja tamanha e que ele decida que o inverno é para sempre. E aqui fico eu inconformada  com o fato de como alguém pode ficar alheio às manifestações concretas de vida  e preferir as manifestações vazias dos foguetórios de 31/12.