Apesar do meu amigo Chuva discordar, ainda acho que a internet é um divisor de eras (para ele a invenção da cola Super Bonder, da fita isolante e da mulher, nesta ordem, foi o que revolucionou nossa existência) . O mundo nunca mais foi o mesmo e vem se transformando velozmente na medida da sua expansão. Para mim a utilidade é evidente e escancarada. Mas fora as áreas nas quais a internet mostrou-se um elemento facilitador, o campo da controvérsia é o das relações sociais. Filas de estudiosos já opinaram a respeito. Uns absolvem, outros condenam. Na prática vejo que, considerando um usuário sadio, não há como o virtual subistituir o real. Dito isso acho um grande barato conhecer o trabalho e as manifestações de pessoas que muito provavelmente eu não travaria contato se não existisse este instrumento. Enveredando por este caminho, me divirto muito com as pluralidades mas também encontro coincidências bem bacanas como um bom número de mosaicistas que adora gatos. Sem falar quando conseguimos reconhecer o nosso sentimento no outro, lá longe, longe mesmo, e então lembramos o óbvio: gente é gente em todo lugar. Parece que todo o planeta é formado por um único país e que todos nós podemos nos entender bem se conseguirmos nos enxergar nos outros seres.
Um desses seres empáticos é a Maria Helena, que achei no Facebook quando alguém curtiu as fotos de uma mesa inacreditável que ela fez em mosaico. A riqueza dos detalhes deixa o queixo caído e quase todos os dias eu precisava rever aquelas fotos para internalizar a paciência e a dedicação que ela teve nos meses em que trabalhou na peça. Amizade virtual estabelecida, aos poucos outros detalhes se mostraram, como o deslumbramento pela natureza, amor aos animais, não ser carnívora, profundos mergulhos na alma e um amor transbordante por todos.
Na semana passada descobri virtualmente pela Carmem (mosaicista, gateira, não carnívora) que a Maria Helena editou um livro em 2009. Fiquei interessada pacas porque tudo o que ela diz encontra muito eco em mim. Ao voltar do correio hoje, o simpático porteiro Zé (que está sempre de bem com a vida) me entregou um pacote de Sedex. Ganhei o livro com uma dedicatória deliciosa! Senti muita esperança e muito afeto. Senti a convicção de que tudo tem dois lados e basta você escolher o seu. Meio desacostumada a receber gentilezas, percebi comovida que tudo é real. As fronteiras com o virtual são tênues e caem facilmente se desejarmos.
As mudanças externas podem acontecer à revelia de nossa vontade. Na mesma linha filosófica de "já que está no inferno, abrace o capeta", mas com menos fatalismo, use o que o mundo tem e aproveite para enviar o que você tem de melhor aos quatro cantos. Hoje isso é possível e fácil. Com um ato singelo, transforme o dia de alguém que está a quilômetros de distância (mas ainda no mesmo planeta). O formato pode estar diferente, mas ainda somos nós por trás dos teclados. Plante pequenas sementes de gentileza. Depois faça a justa colheita.
Abaixo, meu presente:
Conhceça esta mulheres admiráveis e seus trabalhos:
Maria Helena - www.janelasdeaquario.blogspot.com
Carmem - www.ymaguaremosaicos.blogspot.com