Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

Novamente Chillon

Alguém se lembra de uma mandala que fiz inspirada em uma figura entalhada em um móvel de madeira que estava no castelo de Chillon? Se não lembra, veja aqui. Se lembra, boas novas: nasceu uma irmã!

A inspiração veio exatamente do mesmo móvel, veja:

E a minha versão ficou assim:


Recém terminada, a ansiedade foi tal que nem deu para esperar a luz do dia para fazer um foto mais decente, com um fundo que ofereça contraste e valorize as cores. Não senhor, senti urgência em oferecer ao mundo a beleza destas pastilhas que só quem pode "ver com a mão" apreciará a riqueza. Totalmente diferente da anterior, esta tem ares soturnos, misteriosos e elegantes.

Da mesma maneira que antes, continuo convicta de que não inventamos nada, apenas resgatamos o que já existe. Mas uma coisa me intrigou: fazer uma mandala é diferente, o trabalho flui de uma maneira particular. Já ouvi falar de seus poderes para harmonizar energias, mas com a sensação tão fresca fui pesquisar rapidamente sobre este símbolo tão antigo. Antigo mesmo, século VIII a.C. é de onde remontam as primeiras referências. Mandala significa círculo ou concentração de energia. Podem ser usadas como instrumento de concentração para atingir estados superiores de meditação. Hum...agora as coisas começam a fazer sentido. Li também que são capazes de ativar e irradiar energia, trabalhando na harmonização do ambiente e que trabalhar com mandalas é uma forma carinhosa de abrir o coração para a criatividade, a intuição e o amor. Hum...tudo faz sentido agora. Então sugiro que você experimente desenhar e colorir uma mandala e depois me conte se sentiu algo de bom.

Agora sim, fotos um pouco mais dignas:



 
Esta mandala está à venda na loja virtual. Acesse e confira!


 


Viajar de carro.

    Fazia tempo, muito tempo, que eu não fazia uma boa viagem de carro. Dessas que não é para ter pressa pois quem vai de carro ao invés de tomar o avião é porque aprecia o percurso tanto quanto o destino.
    Como esta eu nunca tinha feito: a bordo de um Opala de luxo, laranja, 1974. Devo informar que o conforto é inegável. O carro é extremamente macio e mais ergonômico do que os atuais.
    Época do ano propícia para estar em um carro sem ar condicionado. Rumamos para o sul, mais apropriado ainda. Havia esquecido como é se deixar ficar em estado contemplativo, descobrindo paisagem após paisagem, colocar a música preferida para tocar e deixar o sol, a vegetação, o céu e o relevo cantarem a poesia.

    
    No meu mundinho de creme para isso e creme para aquilo, deixei a vaidade de lado para permitir que o vento me (des)penteasse. E, sinceramente, como é gostosa a sensação de ter os cabelos esvoaçando livres, loucos, libertos.
 

    Parar a cada tanto percorrido, um bom carro, um bom motorista, água, protetor solar e bons óculos escuros é o que se precisa para viajar com tranquilidade.


    O resto é história, é memória, novas andanças e novas lembranças.



Será que te conheço?

    Quando abriram-se os portais da Era de Aquarius tomei como certo que mergulharíamos num grande bolsão de esperanças, de regeneração e evolução. Ingênua? Pode ser. Afoita, imediatista? É, acho que é esse o caso. Contudo não vi nenhuma placa que indicasse declive tão acentuado à frente. E é aí que não entendi mais nada. Sinto que tomamos o caminho inverso às estradas de serenidade, compreensão, amor fraterno e toda essa turma. O caminho está tão diferente do que eu imaginei que acabei eu mesma assustada com minha intolerância. É tudo tão extremo que não sei para que lado ir. Não consigo me identificar com a nova ordem e por vezes, muitas vezes, prefiro fechar portas e janelas para não ver o que está fora. O motivo é simples: percebi que não consigo lidar com o que está lá. Não sei nem por onde começar. Assusta-me a indignação que cresce desacompanhada de ações. Todos se revoltam em relação a tudo, 80% das vezes com razão, afinal não há mais lugar neste mundo para uma série de coisas. Que bom, então? Não, afinal esta movimentação toda não tem sido acompanhada por atitudes que ajudariam a solucionar os problemas. Fala-se muito, muito mesmo e o tom é alto. Mas as palavras se perdem, sem significado real.
    Assim, com uma sensação prá lá de esquisita, não consigo mais reconhecer as pessoas que achava que conhecia. Arregalo os olhos para tentar enxergar algo que certamente não vi até até então e tento entender como é possível exaltar monstros do passado para expressar a insatisfação com o presente. Ao voltar a respirar após o sopetão, permaneço estarrecida com a minha dúvida: eu também integro este grupo que aos meus olhos parece sinistro, indesejado, mau amado? Caramba! E agora? Agora fica ainda mais evidente a solidão, pois no final de tudo estamos realmente sozinhos, sempre. Não importa o tamanho do seu círculo de convívio, no apagar das luzes estamos sós, eu comigo, você cosigo e ninguém pode salvar ninguém das próprias verdades, dos próprios medos, das próprias perguntas...e respostas. O caminho da cada um é trilhado apenas com dois pés. Mas a ilusão de que não é assim reconforta bastante e ter isso se esvaindo um pouco mais a cada dia me entristece.
    Você também se sente assim? Sente que estamos em uma espécie de "stand by", num entardecer incompleto na expectativa de não se sabe o quê? Sente que tudo se desintegra velozmente? Que não conseguimos desatar as amarras que nos impedem de agir?