Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.
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Reflexo da Sorte

Há um caminhão, uma montanha, um mundo de coisas que fazemos sem pensar. Gestos, passos, atos, palavras e pensamentos que despejamos corpo a dentro e a fora, inconscientes da origem. Acontece, porém, que a vida é esse fluxo que nos empurra por alguns caminhos para que a gente preste mais atenção em detalhes importantes. Acho que é a energia amorosa da existência nos conduzindo para um aprendizado. Observe, reflita e aprenda. Como estamos sempre distraídos, não paramos para observar, não refletimos e não aprendemos. Por isso tomamos tanta porrada da vida, que consegue na violência do infortúnio captar nossa atenção.

Quantas crenças cultivamos e passamos adiante? E quantas delas envolvem medos? Pequenas frases ditas com propósito de proteção entregam pequenas ameaças: "se varrer o pé, não casa mais", " se comer na panela, chove no dia do casamento", "passar embaixo de escada dá azar", "espelho quebrado dá azar". Esses dizeres desvelam os valores em voga na época em que nasceram. Só que tudo é mudança, minha gente! E não é só isso. Tudo é contexto. Quantos de nós já varremos apressados os cacos do espelho que acabou de se partir, colocando-os no lixo e colocando esse lixo para fora de casa o quanto antes? Normalmente não se faz uma pausa para pensar que um espelho é algo frágil e, graças à gravidade, se cair é certeza que quebrará. Não fazemos isso. Queremos é nos livrar da maldição eminente do azar. Até que...você (no caso, eu) começa a fazer mosaicos. Corta para a cena seguinte: você (no caso, eu) está andando na rua e vê ao pé de uma árvore uma quantidade boa de espelho quebrado. O que você (no caso, eu) faz? Para quem faz mosaico, achar um espelho quebrado é como achar dinheiro no chão. Azar para uns, sorte para outros. O contexto mudou. Não há maldição, há alegria por encontrar material de graça. O trabalho a seguir foi feito justamente com espelhos que a rua me presenteou.

Além dos espelhos, também a base sobre a qual o mosaico foi feito, um tipo de Madeirite, é presente das ruas.


Tampas de garrafa sem desenhos também são ótimos elementos para composição.

Os materiais e suas cores foram escolhidos de forma a criar harmonia no local onde estes mosaicos ficarão.

Fazia um tempo que os espaços ao lado do porta-chaves ficavam olhando para mim com expressão suplicante. "Está mesmo muito pelado", pensei. Então fiz essas duas peças, repetindo elementos da Sardinha Mutante e do Porta-Chaves para que todos os mosaicos pareçam membros de uma mesma família.

É evidente que cada um é livre para ter suas crenças e essa liberdade é uma das coisas mais belas que há na vida. Mas acho que no momento, se o assunto for acreditar naquilo que não posso ver ou tocar, eu escolho acreditar que o bem e o mal estão dentro de nós e não em objetos. Também escolho acreditar que nós fazemos crescer uma ou outra força, dependendo da nossa sintonia. Para o bem de nossos corações, seria lindo se cada um pudesse estabelecer conexão com o seu melhor. Livre arbítrio e não medo. Pelo menos só por hoje.

Até a próxima!
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As lâmpadas, o mosaico e a neve.

Já mencionei aqui que quando nos mudamos para Herrsching eu notei um incremento na minha energia de vida. Berlim é uma cidade in-crí-vel, mas morar lá foi especialmente desafiador pela falta de luz. Aqui no sul essa questão é muito mais amena e meu cérebro percebeu isso rapidamente. O impacto que isso teve no meu trabalho é percebido claramente. Aliás, um passeio pelo álbum de fotos vai contando diversas histórias sobre fases e percepções.

Somos capazes de fazer o que fazemos nas mais variadas situações, mas para que a nossa verdade venha à tona é preciso que algumas condições estejam alinhadas. Por exemplo, semana passada nevou muito por aqui. Na minha caminhada em meio ao cenário branco fiquei observando a neve acumulada pelos lugares. Em todas as superfícies, inclusive nas mais estreitas, havia uma torre de gelo. É fascinante!

Floco por floco, um após o outro, um sobre o outro e esculturas improváveis vão se formando.
Olhando para essas fotos, imagine a paz que precisa existir para que estas frágeis paredes se ergam sobre um galho, um corrimão, uma cerca...O vento não pode ser exagerado, a temperatura deve se manter dentro de determinada faixa e o tipo da neve também influencia. Cumprido todos os requisitos o espetáculo acontece.

No mundo encantado do mosaico, a mágica também funciona dessa maneira. É necessária uma dose de paz (muito mais interna do que externa) para que a criatividade baile, para que as ideias e o vidro sejam lapidados. É necessária paciência para unir os pedaços de uma determinada forma para que surja o todo. É necessário esperar, porque o tempo leva o tempo que o tempo leva. Cabe a nós nos encaixarmos nesse fluxo.

Meus objetos de paz e paciência da vez são dois vasinhos de lâmpada que mais parecem duas jóias preciosas de um tesouro inestimado.











Fazer mosaico é como andar na neve, você dá um passo por vez e anda devagar. Às vezes precisa mudar o percurso para contornar um obstáculo, às vezes precisa voltar uma parte para depois retomar a mesma direção. Chegar ao final da caminhada é bom, mas o percurso é o que há de mais gostoso.

Que tenhamos a paz e a paciência que nossos passos requerem para andarmos no rumo que mais nos atrair, desfrutando do caminho tanto quanto do prazer da chegada.

Até a próxima!
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"Só sei que nada sei"

Já devo ter comentado sobre uma coisa que acho muito interessante: ouvir a percepção de outra pessoa sobre algo que fiz. É como viajar para outro planeta. Quando faço algo passo preciosos momentos de introspeção matutando uma ideia, um pensamento ou um conceito que virá ao mundo moldado pelas minhas limitações, sejam elas materiais, mentais ou espirituais. Ninguém tem acesso a esse significado a não ser que eu diga. Justamente por isso que é muito interessante ouvir a leitura de alguém sobre algo que fiz. Algumas pessoas se aproximam muito das minha motivações e outras acabam por externalizar seu próprio conteúdo a partir do estímulo oferecido por mim. Lembro-me agora de um mosaico contemporâneo que dei o nome de "Manifesto sobre a assimetria" e que alguém viu e disse "esse aqui dos peixes ficou bem legal". Peixes??? Pedi que me mostrasse onde via os peixes na peça que para mim era quase uma obra político-social-existencial. Foi sensacional!!! Raul tinha toda razão quando disse que "cada um de nós é um universo".

Dessa vez eu fui o segundo universo de mim mesma. Estava eu a revestir uma garrafa. Como de costume havia começado pela tampa, escolhi as cores, os materiais...tudo ia bem. Antes de dizer o que vi, mostro aqui como a garrafa ficou depois de pronta:



Até então eu me questionava sobre as tonalidades. Estava achando tudo meio pálido mesmo tendo adicionando espelhos e pastilhas com glitter para dar um "up".





Foi então que vi. Bem ali, me encarando pacificamente, estavam os simpáticos olhos de uma corujinha...




Caí na gargalhada sozinha e tentei me abstrair da ave de rapina até terminar tudo. Mas não teve jeito. Só o que vejo é uma coruja...com um exótico adorno de cabeça. Uma coruja vedete! É aquela velha história: existem coisas que não tem como desver.

Por causa dessa coruja acidental fiquei pensando em quanta coisa não tem volta, em como as experiências, as vivências nos desvelam fatos que remodelam tudo o que pensamos ou sentimos ou supomos. O aprendizado é muito, muito, muito dinâmico. Nossa conclusões definitivas de hoje não resistirão em pé até o próximo retorno de Saturno, sendo muito otimista. É o paradoxo socrático sorrindo para nós e nos ajudando a manter os pés no chão. Só com os pés firmes no chão é que conseguimos caminhar, seja na direção que for.

Um bom ano a todos que, como eu, não sabem de nada. Até a próxima!
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Caminhando através do tempo.

As visitas ao passado continuam. Ainda na área das luminárias, escolhi fazer o que chamo de "Luminária Frente Única". Funciona assim: você pega uma garrafa e corta o topo e a base. Sobrará um cilindro. Cortando este cilindro ao meio, duas "meia lua" de vidro surgirão. Fixe uma dessas metades em uma base e você terá uma luminária frente única. Se minha memória não estiver desorganizada, a ideia surgiu da mente brilhante da minha irmã. Naquela época ela estava muito interessada no mundo do vidro. Fez dezenas de experiências que me inspiraram de uma maneira absurda. Enquanto minhas ideias bitolavam no arroz com feijão, as ideias dela corriam selvagens, provando todos os sabores que sua alma podia oferecer.

Na época fiz apenas três exemplares:

A primeira de todas, fazendo a festa com os vidros reutilizados e pintados.
Na segunda me senti um pouco mais à vontade para brincar com as formas.
Na terceira já comecei a sair do armário. Assumi o arco-íris e o aspecto rústico.
Elas foram feitas em 2011, 2012 e 2013 respectivamente, com quase uma ano de diferença entre uma e outra. Cinco anos depois que última foi feita, nasce a irmã mais nova. As diferenças são grandes...

Cadê os vidros coloridos?
Na base, ao invés de MDF, usei um restinho de WEDI e a luminária ficou leve. Gostei disso. Por alguma razão nem cogitei os vidros pintados. Usei muita miçanga, stained glass, gemas, millefiori, pastilhas de vidro e um coração lindo de vidro fusing. Aliás, ele foi o ponto de partida.

Mas ainda é rústica como a luminária anterior.
Achei que era uma boa pintar a base ao invés de revestir e a composição me agradou bastante. O vidro e a pintura se complementam.
Quando a gente escuta que tudo muda o tempo todo acho que é exagero, não acha? Mas eu fiquei meio besta vendo as fotos e me perguntando "quem são essas pessoas que fizeram essas luminárias?". É absolutamente incrível como mudamos através do tempo e eu definitivamente não estou falando do corte de cabelo, de rugas ou do estilo de roupa. Mudamos no nosso âmago, sem perceber ou percebendo, no comando de alguma coisa ou à deriva.


Não é admirável essa força que nos toca e que nos move? TUDO é movimento. Muito, mas muito do que nos atinge independe da nossa escolha. Habitamos uma teia complexa, onde tudo está conectado. Alguém resolve derrubar uma pecinha lááááá longe e por efeito dominó somos nós que colhemos as consequências.



Não dá para controlar o que é externo e não dá para voltar no tempo. O que dá é fazer o melhor possível com aquilo que se tem. O que dá é deixar o estéril "e se..." de lado (de preferência morto e enterrado). O que dá para fazer é tentar. Se der certo, ótimo! A gente aproveita para ser feliz por um momento e depois continua andando. Se tudo der errado, a gente respira fundo e segue andando, mudando, andando e mudando, nessa alternância fascinante que chamamos de vida.


Até a próxima!
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Faça-se a lu...minária!

São vários os sentimentos capazes de nos mover. Esperança, raiva, curiosidade, convicção, esses e outros tantos estados de espírito são capazes de nos fazer dar um passo em outra direção. Ultimamente a força que me conduz é a saudade, uma saudade generalizada que vai dos acontecimentos recentes até um passado distante.

Não é de hoje que prefiro permitir que os sentimentos venham, fiquem e depois partam. Não há porta escancarada o suficiente capaz de fazer a melhor alegria do universo entrar e nem porta trancada o suficiente capaz de manter do lado de lá a tristeza mais profunda. Então é melhor que venham, é melhor que convivamos um tempo, que nos olhemos diretamente nos olhos, aprendamos alguma coisa um sobre o outro para, a seguir, nos separarmos novamente.

Com a saudade instalada aqui em casa - e ela ocupa todos os cômodos desse apartamentinho - sentamos para fazer não uma luminária, mas uma sessão de recordações. Houve descoberta, houve encanto, houve abismo, houve um punhado de pequenos detalhes que só agora sou capaz de entender. Fizemos uma celebração serena sobre o que passou. Agora tento ver quais os caminhos que podem estar à frente. Tento sozinha mesmo, porque acho que a saudade não é muito boa em fazer planos.

Uma vez montada a base, decidi que para revestir queria usar pastilhas avulsas, ou seja, aquelas que vão sobrando e que a gente junta tudo num pote. Também escolhi usar vidro transparente, dando uma segunda vida a um pote de conserva cuja missão de conter alguma coisa já fora cumprida. E gemas! Claro! Na verdade, se fosse possível, eu comeria gemas de vidro porque as acho lindas demais (é normal desejar comer uma coisa que consideramos bonita?). Ciente que meu sistema gastro intestinal é incapaz de digerir vidro, uso as gemas na luminária mesmo.

A diversão maior veio de usar as pastilhas randomicamente. É claro que durante o processo vou colocando alguns critérios para preservar a harmonia, mas nada rígido demais, senão não teria como o acaso participar e eu gosto de saber o que o acaso tem para me dizer.

Assim, depois de alguns dias, eu, a saudade e o acaso concluímos essa luminária. Não sei eles, mas eu gostei muito, muito, muito do resultado.


Olhando assim, de frente, ela parece séria.

Mas é só mudar o ângulo que já dá para ver o sorriso dela.

Ela é quadrada por força das circunstâncias.

Mas ela se sente meio redonda, circular.

Não tem começo.

E também não tem fim.

Desde que ela ficou pronta, de quando em quando vou até a prateleira só para senti-la com as mãos. Ela é nova, mas me parece antiga. Parece que está ligada há algo muito antigo que há em mim, mas eu não sei dizer o que é.



Na escuridão sempre há uma brecha para a passagens da luz. Isso consola e acolhe.

Mas quando é invadida pela luz do sol, sua plenitude se revela.
Por aqui caminhamos agora para uma fase que chamo de "recolhimento forçado". Por maior que seja o seu desejo de extroversão, ele será tolhido pela pouca luz e pelo frio. Somos obrigados a um desafiador período de introspecção que exige de nós concentração e disciplina a fim de que nossa chama interna não se apague.

Tento ver estes períodos (sejam eles literais ou figurados) como uma oportunidade silenciosa e solitária de conexão íntima, um momento de (auto)aceitação, de apaziguamento para que se possa, quem sabe, brotar e desabrochar em cores quando a primavera chegar.

Até a próxima!

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O mosaico é meu espelho.

Toda vez que a gente estuda alguma coisa, recebemos um pacote de regras e parâmetros que, dali para frente, deve ser aplicado. Essa é a teoria. No decorrer dos anos, constato repetidamente que tenho uma dificuldade com isso. Acho que devo ser a personificação do desgosto para meus professores. Não consigo honrar suas regras. Não que exista algo de errado com elas, porém eu as entendo como um ponto de partida para um outro lugar e não um fim em si mesmo. Acredito que se não permitirmos que nossa mente dance livremente, sem coreografia, ficaremos todos repetindo os mesmo passos e isso é muito triste (para mim). Como estamos todos vivendo numa mesma era, (teoricamente) num mesmo mundo, o conforto da inércia nos conduz à reprodução do que já existe. Aí alguém resolve mudar uma vírgula ou duas ou três...e todos passam a mudar uma ou duas ou três vírgulas. Isso não diminui o valor de tudo que é feito, mas acho que não faz jus ao universo infinito que é um indivíduo, à toda percepção única da qual uma pessoa é capaz. É por isso que tenho uma relação meio arisca com regras, ou melhor, com o uso que fazemos das regras.

O mosaico foi o campo vasto que me mostrou este aspecto de mim mesma. Um dos trabalhos que mais gosto de fazer é o de revestir garrafas. Acho mágico e lindo. Desde que fiz o curso, minhas garrafas foram mudando na mesma medida que fui deixando de seguir as regras. E isso aconteceu porque algumas delas impediam minha expressão. É a sensação de usar uma roupa apertada, entende? Então escolhi a liberdade e sei que, muitas vezes, faço isso em detrimento da técnica ou de parte dela. Mas liberdade é esse ópio capaz de nos conduzir à própria paz...fica difícil de abrir mão. Escolhas, meus amigos! A vida é feita de escolhas...

Eis aqui meu mais recente sussurro de liberdade. Eu só sabia que queria usar essas pétalas de vidro vermelho. O que se seguiu foi aquela conversa entre mim e o vidro, permitindo à espontaneidade dizer onde cada peça deveria ser colocada.


Aqui preciso abrir um parênteses só para dizer que me apaixonei por essa lateral. Gostei dela infinitamente mais do que da parte da frente.




Agora, veja que interessante: o aspecto final desta garrafa não me mostra um resultado inédito. Quero dizer, esse padrão geométrico, especialmente da lateral, é familiar para mim. De onde exatamente eu não sei, mas tenho a sensação exata de que isso já existe em algum lugar. Não é impressionante? Ainda que eu diga para minha mente "vai para onde você quiser, do jeito que você quiser", de alguma maneira trilhei um caminho conhecido. Daí eu entendo que entre escolher a liberdade e efetivamente desfrutá-la existe um abismo imenso a ser transposto. E por que eu faço questão de perseguir algo abstrato e distante? Bom, poderíamos passar dias tentando formular a resposta, mas resumindo porcamente é porque sinto que a minha verdade está do lado de lá daquele abismo, acenando e sorrindo para mim.

Beijos a todos que tentam voar e até a próxima!

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O dia em que a tampa e a garrafa se encontraram.

Revestir garrafas é como uma tela de descanso para mim. É o trabalho ideal para ser feito quando tenho uma ideia mas ela ainda está em gestação. Enquanto uma parte da mente fica matutando uma coisa, a outra parte se diverte pensando na coordenação de cores, padrões e texturas. Garrafa para mim é exatamente isso: diversão.

A tampa que usei para essa garrafa era uma tampa mesmo. Sempre faço as tampas a partir de puxadores de gaveta, mas dessa vez foi diferente. Ganhei a tampa há uns bons anos, mas não encontrava a garrafa que combinasse com ela. Como o tempo sempre traz as respostas e as soluções que precisamos, foi só uma questão de esperar. Não que isso seja fácil. Não teve uma santa vez que ,ao iniciar uma nova garrafa, não pegasse essa tampa para ver se encaixava. Quando falo encaixe, é muito menos uma questão mecânica e muito mais uma questão energética. Até que a tampa encaixou. Daí para frente fiz o melhor que pude com aquilo que tenho. Estou nessa onda de quase não comprar material para me forçar a revirar a estante e enxergar mais possibilidades. Tenho achado isso interessante pois influencia diretamente no aspecto final dos trabalhos.

A combinações das cores é uma daquelas que, acredito, não faria por iniciativa própria: azul, amarelo, laranja e branco. Reparei que quase nunca uso branco em garrafas e não tenho a menor ideia do porquê. Quando comecei só sabia que queria fazer um quadriculado e no final me vi repetindo o padrão em outra cor. Fiquei preocupada. Será que estou nesse grau de absorção inconsciente de elementos do ambiente que me cerca? Explico: o brasão da Bavária tem um quadriculado azul e branco. Na verdade não são exatamente quadrados, mas losangos. Porém, o resultado disso, é que tudo aqui carrega o tema "quadriculado azul e branco". Tudo MESMO! De forma que a partir de um certo ponto parece que você vive numa infinita toalha de pique-nique. Pode ser que a resposta ao meu temor seja positiva. Então se vocês começarem a ver, além do quadriculado azul e branco, corações e flores da espécie Edelweiss, saibam que fui abduzida pelas referências locais e que corro o risco de achar a Oktoberfest uma coisa bacana.

Diferenças culturais à parte, posso dizer que o aspecto final desta garrafa tanto me intriga (racionalmente) quanto me alegra (emocionalmente). Agora vocês podem tirar sua próprias conclusões...

Pastilhas do tipo cristal, pastilhas pigmentadas, stained glass, vidrotil, pastilhas lisas e furtacor...

...tudo serviu de pano de fundo para a parte central que tem peças de metal dourado, um lindo coração de fusing e meus últimos miçangões.

A tampa foi um estímulo à parte tanto pelo formato quanto pela combinação de cores.

A filha mais nova é uma das mais altas da família.

E ficou tão harmônica entre os vasos que deu vontade de ter uma jardim só meu para "plantar" garrafas entre os vasos.


O que eu não sei ao certo é se de fato levou esse tempo todo para a tampa e a garrafa se encontrarem ou se sempre estiveram ali e era eu que não estava atenta para o encontro. Estava vendo, mas não estava enxergando. Seja o que for, a constante é que cada um de nós possui as próprias lentes para ver o mundo e para se ver nele. Não é uma loucura imaginar a quantidade de realidades existentes por aí?

Até a próxima!

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Mini Vasos para iluminar a decoração.

Hoje é segunda-feira de Carnaval, mas aqui nesta terra hoje é só segunda-feira mesmo...pelo menos aqui no norte. Parece que lá no sul tem alguma comemoração, num conceito bem mais discreto e inocente do que nós estamos acostumados a ver no nosso amado Brasil. Se você não foi para muito longe do wi-fi e também não está enlouquecido no bloquinho, dá uma olhada nesse par de mini vasos que eu fiz. Consegui encontrar mais umas lâmpadas queimadas por aí e não resisti.

Usei um pouco mais de cor em relação ao último par que fiz e achei que o conjunto precisava de uma base. Recorri a um prato de cerâmica. Como as lâmpadas ficam totalmente revestidas, acredito que fica mais interessante se forem colocadas sobre espelho, assim os detalhes da parte de baixo não se perdem. Os pedaços de espelho que usei foram encontrados na rua, há muito tempo. Parece ser um costume mundial deixar espelhos quebrados por aí...para minha sorte :-) Além dos espelhos, usei também gemas de vidro, pastilhas de vidro, stained glass e miçangas. O rejunte foi colorido com pigmento marrom. Normalmente uso sempre o rejunte grafite que, para meu olhar, é neutro e realça as cores. Mas nesse caso achei que o marrom "aqueceria" a combinação de cores. A parte de baixo do prato é dourada. Usei o mesmo dourado também nos bocais das lâmpadas.

Os Mini Vasos de Lâmpada, sozinhos, pareciam para mim um detalhe lindo e delicado par usar na decoração. Mas assim, em dupla e com uma base, eles deixaram de parecer um detalhe e ficaram com cara de centro de mesa, seja a mesa que for. Vamos a eles:

Desta vez escolhi lâmpadas com formatos diferentes para minha composição.


Repare que o espelho, ao refletir a parte de baixo, confere mais luz e cor ao conjunto.

Gemas de vidro soltas pela base - é para dar charme mesmo.

Com as tulipas mais lindas que se podia encontrar nessa época.

Ficam lindos onde quer que seja.
Para quem é de Mosaico e está entusiasmado em fazer um trabalho com material reutilizado, aproveite os festejos de Carnaval para garimpar objetos pela rua. Acredito que essa época deve render a melhor safra do ano. Seria esse o lado positivo do desleixo dos foliões?

Beijos floridos e até a próxima!
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