Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.
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A tristeza, a garrafa e o recomeço.

Dia 15 de setembro de 2023 deixei a "vida-não vida" para trás. A ansiedade batendo recordes. Chegamos dia 16, todos vivos e a salvo. Alívio.

Dia 30 de setembro de 2023 um reencontro aguardado transformou-se em despedida. Nos meses seguintes tentei equilibrar a readaptação do retorno com a readaptação da vida com um afeto a menos e um vazio a mais.

Dia 30 de novembro de 2023 uma nova despedida. Brutal. Esmagadora. Perco o chão e a companhia mais fiel que já conheci. Não há respostas para minhas perguntas. Estou também eu morta. Morta e culpada.

Dia 03 de janeiro de 2024 meus olhos (e todos os meus sentidos) encontram a cena mais triste que já testemunhei. Choque. Trauma. A tristeza vira um poço muito profundo e nesse momento eu duvidei que conseguisse refazer a minha vida. Duvidei que fosse possível criar novamente. A vida virou um lugar terrível na expectativa do próximo luto. Medo constante de trilhar os conhecidos passos de um novo funeral. As perguntas sem respostas tecem um manto de desconsolo que arrasto pelo chão.

Num dia reúno a energia para tentar. Meu olhar, que só consegue se fixar bem abaixo da linha do horizonte, vê as garrafas na prateleira mais baixa. Passo a mão por várias até escolher uma. Não lembro onde estão os puxadores de gaveta. Tudo foi organizado por mim, mas ainda não estou ali. Por fim encontro-os. Escolho um. Mais alguns dias passam com a garrafa e o puxador sobre a mesa. Ainda parece impossível porque dentro de mim só existe morte. Espero o tempo fazer a sua parte.

Desde o último mosaico que fiz, antes da mudança, 5 meses já se passaram. Marco na agenda um dia para (re)começar. Garrafas são o meu lugar seguro. Então começo. Meu ritmo é lento e não tenho muita certeza do que estou fazendo, mas isso não importa. Fazer é o que importa. Vou me reconectando com minhas ferramentas,  com meus materiais e me conectando com o novo espaço que tenho agora.

Vivendo um dia por vez, fui dando vida à garrafa e, de certa forma, a mim mesma. Ficou pronta e senti satisfação. Um pingo de esperança também, apesar de estar brigada com este sentimento.

Parte da frente.

Detalhe da tampa.

Parte de trás.

Lateral

Cada acontecimento da vida, dos pequenos aos grandes, dos bons aos ruins, nos transforma de alguma maneira. Os mais marcantes fazem tudo mudar. Entender o novo cenário no qual passamos a existir é um grande desafio (pelo menos para mim) e requer tempo e paciência. A gente vive o que a gente tem para viver hoje e agora. A gente tenta. Não tenho a menor ideia do sentido disso tudo, se é que isso tudo tem sentido. Mas a gente segue porque é isso que tem para fazer.

Até a próxima.
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A recuperação, a paciência e a garrafa.

20 minutos. Esse era o tempo que eu conseguia fazer um pouco de mosaico antes de ceder à dor. Ao contrário do que imaginava, o mais dolorido não era usar a torquês, mas fazer movimentos mais finos com os dedos, como segurar a pinça ou pegar uma miçanga. A postura também era um problema. O colar cervical diminuía a dor, mas dificultava todo o resto. Destino dado, o melhor que eu poderia fazer era aproveitar esses 20 minutos diários. Lado ruim: quando começo um trabalho, quero ir fazendo até cansar, até dar a hora de fazer outra coisa ou até acabar a inspiração. Era frustrante. Mas fazer nada seria incomparavelmente mais frustrante ainda. Lado bom: o ritmo bem lento foi um convite para mergulhar nos detalhes. Além disso, de um dia para o outro o silicone estava bem seco e isso me dava total liberdade para trabalhar qualquer face da garrafa que quisesse, sem medo de deslocar alguma tessela. Foi sob essas regras que comecei o novo trabalho.

Para este, deixei um pouco de lado o tipo de tampa que normalmente uso - o puxador de gaveta fixado numa rolha. Fui até a última prateleira da estante resgatar uma tampa de vidro comprada num passado já sem data. Nesta garrafa a tampa não ficaria fixa como em todas as antecessoras. Fiquei imaginando que deliciosa extravagância seria tomar qualquer coisa que saísse de uma garrafa completamente revestida em mosaico e cedi à sedução da idéia. Na prática não tenho coragem de fazer isso. Imagina colocar um suco ali dentro. Como seria para limpar depois? Como saberia se a garrafa ficou realmente limpa? Não, não, não! No mundo real não daria certo. Mas na imaginação é incrível! Segui com meu plano.

Não é uma lindeza de tampa?

Como de costume, as cores da tampa determinaram as cores dos materiais para o mosaico. Depois disso, o trabalho de formiguinha correu, ou melhor, andou solto, bem solto mesmo. Um espacinho a cada dia. Um dia em cima, no outro embaixo. Formar linhas, preencher formas, criar e repetir padrões.
Houve momentos em que achei que não terminaria nunca. Precisava me lembrar constantemente que o mais importante era fazer. Terminar seria uma consequência. Era (e ainda é) fundamental manter os músculos em movimento. Aprendi com a fisioterapeuta que é justamento o movimento que nos tira de uma crise. Aprendi ainda que os exercícios devem ser feitos não apenas depois, mas também antes do trabalho.

E, de 20 em 20 minutos, a garrafa ficou pronta. Ao final, o limite dos 20 minutos já era 30, às vezes 40 minutos. Só uma coisa não mudou: o dilema da cor do rejunte. Optei por cinza, mas fiz uma mistura de dois tons que já tinha para ficar num meio termo. Gostei? Gostei. Fiquei pensando se o preto não ficaria melhor? Fiquei...só para não perder o costume.


A parte da frente. Dá um close e vê essa riqueza em detalhes.

A garrafa de perfil. Algo aí me faz pensar em céu, em nuvens, em conforto.

A parte de trás que também poderia ser da frente.

Fiquei com vontade de ter uma base giratória para contemplar em modo contínuo todos os lados da garrafa e me perguntei que história é essa de ter uma parte que fica para frente e outra que fica para trás. Talvez não precise ser sempre assim. Já fiz algumas garrafas que não tem frente ou trás porque todas as faces são iguais. Não é o caso dessa.

Além de pensar sobre lados, também pensei de onde vem a pressa, a urgência que sentimos constantemente. Por que mesmo precisamos correr? O que exatamente tem nos roubado os inestimáveis momentos presentes? Eu sempre tive pressa de terminar um trabalho para poder começar outro. Nessa garrafa não adiantava a pressa. O ritmo foi estabelecido pela dor e na lentidão da minha possibilidade eu pude estar mais no presente, pude desfrutar mais profundamente daquilo que me encanta. Talvez porque soubesse que aquele momento era breve. Talvez porque fosse impossível agir diferente. Seja o que for, me pareceu que vivemos um tanto errados há um tanto de tempo. Esse não é um pensamento do tipo "joga tudo fora e começa de novo". É um pensamento do tipo que quer prestar mais atenção naquilo que traz angústia e ansiedade e então refletir se não há uma outra maneira de fazer o que temos que fazer. Uma maneira que nos permita não apenas um maior desfrute do momento presente, mas o desfrute de nós mesmos, menos apartados de nosso íntimo.

E nas tentativas, seguimos.

Até a próxima!
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Para ficar leve

Não a alma. Tampouco os pensamentos. Foi para aliviar a prateleira de materiais que mosaiquei a garrafa. Estava tudo meio apertado, meio amontoado e eu precisava abrir um pouquinho de espaço. Foi essa a motivação sincera. Não quis provar um ponto, não quis expressar uma angústia, não quis salvar o mundo. Eu quis simplesmente acomodar um pouco melhor o material. Então rumei para aquilo que hoje acontece tão naturalmente: mosaicar garrafa. É divertido, é fluido, é encantador e eu ainda posso me iludir achando que estou fazendo o bem. Olha que maravilha! Penso que dar uma segunda vida à garrafa é sinônimo de reduzir o descarte de materiais. Isso em parte é verdade. Em parte. O buraco é (sempre é) mais embaixo. Sucumbindo - cada dia mais - ao peso das responsabilidades da existência, me contento com minhas meias verdades. Elas dão um meio conforto frente ao que não consigo resolver.

A garrafa! Ajustemos o foco na garrafa! A garrafa era de vinagre, num formato sinuoso e suave.


As cores da tampa ditaram as cores do revestimento.


Se em outros momentos eu evitei garrafas com quinas, agora quis me divertir justamente aí.

Em outra ocasião, na qual constatei que uma das prateleiras da minha estante estava vergando com o peso, falei para mim mesma que só compraria mais material se esvaziasse pelo menos 20% do que tinha ali. Estou 80% fiel a esta proposta. Ainda não resisto quando encontro algo descartado que para mim é muito útil. O mesmo acontece em mercado de pulgas.

Quando terminei a garrafa senti satisfação pela conclusão da tarefa. Limpei daqui e dali, fiquei alisando...


Foi então que percebi que transferi para a minha prateleira de materiais uma sensação que me acomete em relação à geladeira. Não lido bem com geladeira cheia. Fique à vontade para julgar, mas uma geladeira abarrotada de coisas, de um jeito que não dá para ver a luz, me causa aflição. Sinto que não vou dar conta de consumir tudo e haverá desperdício. Com a prateleira de materiais não me aflijo com desperdício, já que vidro não é perecível, mas com o acúmulo.

Que belo ângulo! Para mim, a contemplação do alívio.

Percebi esse paralelismo esquisitíssimo e fiquei achando que faço o que faço não por amor, não por inspiração, mas para esvaziar espaços cheios. Que loucura! Não, não, não!!! Isso não deve ser totalmente verdade. Não pode ser...talvez seja uma meia verdade...e agora preciso de uma meia mentira para me reconfortar de mim mesma.

É, meus amores, a beleza (estou assumindo que a garrafa é bela) pode nascer de lugares incertos e sem nenhum glamour. Vale assim mesmo? Ou só vale quando escorre sangue e sour?

Me despeço, como sempre, sem respostas. Pior: comecei a ver o rosto de um animal orelhudo na última foto. Alguém mais?

Caso não sucumba à minha própria loucura, nos vemos na próxima. Até lá!

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A garrafa Buda e o ego descontrolado.

Por motivos mais abstratos do que técnicos, tinha decidido não vender mais para os Estados Unidos. Mas você sabe que a vida é essa coisa que adora tirar um sarro da nossa cara. Foi bem de lá que veio a pergunta sobre a possibilidade de fazer uma garrafa personalizada. Foi a primeira vez que alguém fez esse tipo de contato através do Etsy. Então entendi que havia realmente uma identificação com o que faço e que valia a pena engolir, sem água, minha decisão anterior. É claro que, além disso, contou o fato de parecer insano recusar um pedido sensato de compra, ainda mais porque já havia vendido uma garrafa, há um ano, para a mesma pessoa.

A proposta era aberta: uma garrafa com o tema Buda. O que é Buda? Qual a melhor representação de Buda? Buda literalmente ou Buda metafórico? É certeza que Buda e garrafa combinam? Essas são perguntas que eu adoraria fazer só para início de conversa, mas que a experiência me mostrou que são inúteis - ninguém responde. Geralmente dizem "faz como você achar melhor". Como não sou portadora de dotes telepáticos, não consigo saber o que exatamente se passa pela cabeça de um ser humano e duvido muito que alguém esteja disposto a pagar em euro para ser surpreendido. Então costumo me limitar a dois pedidos: 1 - conte-me a sua visão sobre isso, e 2 - há algo que você não queira ver ali? O que vier de resposta já é lucro. Nesse caso o que recebi foram as cores que mais gostava - todos os tons de verde, de marrom, dourado e, talvez, algum azul. Em hipótese nenhuma gostaria de ver amarelo, laranja, vermelho, roxo...cores que eu totalmente usaria se não soubesse da preferência. Tá vendo, gente, como é importante abrir o coração para uma artesã? Olha cagada que iria dar...

Fui pesquisar sobre Buda e aprendi algumas coisas que me ajudaram a encontrar uma conexão com o tema. Esboço feito, começo a minha jornada. Dentre tantas possibilidades, escolhi o Buda em posição de meditação e, dentre tantos ensinamentos do Budismo, escolhi o amor, uma das principais ferramentas na caminhada rumo à iluminação, representada nesta garrafa com a Flor de Lótus, colocada no topo.

A figura de Buda fiz com stained glass, contornado com miçangas.


Essas pedras douradas foram um achado na loja de 1,99 e fizeram para mim o arremate ideal, formando essa espécie de gruta que guarda a tranquilidade necessária ao estado meditativo.



Esta é a parte de trás. O coração como representação (ocidental?) do amor. O amor que conduz à iluminação.

O ponto de luz.
Creio que eu nunca tenha feito uma garrafa com essa estética e foi justamente isso o que achei mais interessante. A limitação das cores foi desafiadora. Tive que falar para a minha criança interna "senta ali um pouquinho, bem quietinha, porque a tia precisa fazer uma coisa aqui". Ela ficou no cantinho designado, mas gritava, gritava tão alto! Achei educativo. Fui contratada por ter uma habilidade técnica e não para permitir que meu ego indomado bailasse sobre o desejo do outro. Já ouvi algumas vezes que educar o ego é uma boa receita para uma caminhada pacífica (que não é sinônimo de subserviente) e frutífera sobre a superfície deste planetinha que habitamos. E, quando revejo as emoções que me visitaram ao longo das duas semanas em que me dediquei à garrafa, percebo que há um oceano muito profundo a ser mergulhado quando o tema é educar o ego. Eu, meus amigos, até agora, mal molhei os pés.

Amor para todos e até a próxima!
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A garrafa iluminada

Os fatos já são velhos conhecidos: Adriana adora decorar garrafas com mosaico. Adriana adora luz colorida. Adriana adora vidro colorido. E já faz um bom tempo que eu nutria o desejo de juntar todas as minhas adorações em uma coisa só. Enquanto não achava um bom jeito de fazer a tal união acontecer, praticava o prazer secreto de colocar uma lanterna sob uma garrafa terminada só para imaginar as possibilidades iluminadas do futuro. Até que certo dia, enquanto mergulhava fundo no oceano da internet, apareceu um anúncio de uma rolha de plástico da qual saía um fio de LED. A proposta era justamente iluminar garrafas. É sério, Deus? Achei que o Senhor estava bem ocupado com as eternas tensões do oriente médio, com a eterna fome que aflige quase 1 bilhão de pessoas ao redor deste mundo, com as diversas guerras e conflitos que cospem refugiados para todos os cantos. No meio de tudo isso o Senhor teve tempo de inspirar um chinês para fazer o sistema perfeito para iluminar garrafas?! Como agradecê-Lo? Aqui, na minha pequenez, acho que é honrando Sua criação. 

De início fiquei ressabiada em entregar meus dados e meus trocados numa loja virtual desconhecida que prometia uma entrega entre 10 e 45 dias úteis. Muito elástico esse prazo. Deixa para lá. Uma hora a novidade chega por aqui. E chegou! Lá na loja de inutilidades domésticas. Não aqui em Herrsching, é claro. A vocação para o turismo lacustre de terceira idade desta pequena estância bávara não combina com esse tipo de comércio. Fui ser feliz a alguns bons quilômetros daqui.

Uma vez proprietária da rolha iluminadora, separei materiais translúcidos e transparentes para a minha obra. Seria a ocasião perfeita para usar um pires de vidro que pegamos numa caixa de doações. O danado era bem bonitinho, verde, todo desenhado e tinha uns bons lascados aqui e ali. De início achei que o usaria como base para alguma coisa, mas a gente não pode - anote isso aí no seu caderno de diretrizes para a vida - desperdiçar um vidro colorido escondendo sua cor e sua transparência. Anotou? Ótimo! Então o pires iria para uma luminária...mas aí veio a rolha de luz e o pires foi devidamente picotado para ornamentar a garrafa dos meus sonhos.

Maltratado, mas muito digno.

Onde havia um pires passaram a existir tesselas.

Daí para frente todo mundo já sabe como funciona: corta, cola, corta, cola, corta, cola, seca a cola, rejunta tudo, seca o rejunte, limpa tudo, limpa mais um pouco, limpa de novo, coloca a rolha, acha que a rolha não tem nada a ver, troca zapzap com a irmã sobre a rolha, acata a sugestão, pinta a rolha de dourado, acha que a ainda não está bom, cola uma gema em cima da rolha mesmo com o marido sendo contra e aí acha que está ok, harmonioso, funcionando e dentro das expectativas. Sinto falta das tampas de louça e de vidro? Sinto, mas para ter a garrafa dos meus sonhos precisava abrir mão de alguma coisa (nesse caso da estética já conhecida). Quem sabe o mesmo chinês não inventa uma outra rolha de luz com upgrade estético. Quem sabe...

Vamos à diversão!

Fofa! Ela é feliz, mas é discreta. Não sai por aí fazendo post sobre sua felicidade (ao contrário de nós...)

Perfil elegante anunciando que o que está na frente não está atrás.

Parte de trás com sua beleza própria.

Close dos pedaços do pires verde.

Para mim foram os pedaços do pires que deram o toque especial.

A chave mágica, a razão da minha alegria.

Aqui você pode ver a garrafa muito segura de si. Ela pode não ter uma tampa toda ornamentada, mas ela tem luz! Como competir com isso?

Reinando plena e exclusiva.
Há luz...

...por todos os lados!

Fiquei pensando sobre o meu tempo de espera para ter uma garrafa com luz. Poderia dizer que tudo tem seu tempo ou que cada coisa acontece no momento certo. Esses ditos são verdade, mas talvez não nesse caso. A rolha iluminada não é exatamente uma ideia complexa, concorda? Talvez muitos de nós improvisaríamos algo muito semelhante se estivéssemos dispostos a chegar num resultado assim. Não menciono isso porque acredito que deveria ter sido eu a dar a ideia aos chineses, mas porque não sei responder a mim mesma sobre o motivo de não ter encarado com mais atenção o desejo da minha mente inquieta. Aqui é apenas uma garrafa iluminada, mas se faço isso com algo simples, imagine o que acontece com as questões complexas.

E com o amargor desta constatação permitir-me-ei uns instantes de "deixa prá lá" só para ter a mente em paz e apreciar minha garrafa iluminada. Até a próxima!

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"Só sei que nada sei"

Já devo ter comentado sobre uma coisa que acho muito interessante: ouvir a percepção de outra pessoa sobre algo que fiz. É como viajar para outro planeta. Quando faço algo passo preciosos momentos de introspeção matutando uma ideia, um pensamento ou um conceito que virá ao mundo moldado pelas minhas limitações, sejam elas materiais, mentais ou espirituais. Ninguém tem acesso a esse significado a não ser que eu diga. Justamente por isso que é muito interessante ouvir a leitura de alguém sobre algo que fiz. Algumas pessoas se aproximam muito das minha motivações e outras acabam por externalizar seu próprio conteúdo a partir do estímulo oferecido por mim. Lembro-me agora de um mosaico contemporâneo que dei o nome de "Manifesto sobre a assimetria" e que alguém viu e disse "esse aqui dos peixes ficou bem legal". Peixes??? Pedi que me mostrasse onde via os peixes na peça que para mim era quase uma obra político-social-existencial. Foi sensacional!!! Raul tinha toda razão quando disse que "cada um de nós é um universo".

Dessa vez eu fui o segundo universo de mim mesma. Estava eu a revestir uma garrafa. Como de costume havia começado pela tampa, escolhi as cores, os materiais...tudo ia bem. Antes de dizer o que vi, mostro aqui como a garrafa ficou depois de pronta:



Até então eu me questionava sobre as tonalidades. Estava achando tudo meio pálido mesmo tendo adicionando espelhos e pastilhas com glitter para dar um "up".





Foi então que vi. Bem ali, me encarando pacificamente, estavam os simpáticos olhos de uma corujinha...




Caí na gargalhada sozinha e tentei me abstrair da ave de rapina até terminar tudo. Mas não teve jeito. Só o que vejo é uma coruja...com um exótico adorno de cabeça. Uma coruja vedete! É aquela velha história: existem coisas que não tem como desver.

Por causa dessa coruja acidental fiquei pensando em quanta coisa não tem volta, em como as experiências, as vivências nos desvelam fatos que remodelam tudo o que pensamos ou sentimos ou supomos. O aprendizado é muito, muito, muito dinâmico. Nossa conclusões definitivas de hoje não resistirão em pé até o próximo retorno de Saturno, sendo muito otimista. É o paradoxo socrático sorrindo para nós e nos ajudando a manter os pés no chão. Só com os pés firmes no chão é que conseguimos caminhar, seja na direção que for.

Um bom ano a todos que, como eu, não sabem de nada. Até a próxima!
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A mini garrafa minimalista.

Mais uma vez o delicioso ciclo se repete. Uma garrafa vazia. Uma garrafa cortada em três partes: topo, corpo, base. Corpo revestido de mosaico vira luminária para velas de 7 dias. Topo e base colados viram uma pequena garrafa.

Acho que hoje posso dizer com certeza que a reutilização de materiais me encanta tanto quanto o próprio mosaico. A segunda chance, a sobre-vida, o novo uso falam para mim sobre esperança, sobre cuidar da nossa própria bagunça, sobre pensar o consumo de uma forma um pouco menos egocêntrica, sobre deixar alguma coisa decente para quem está chegando no mundo agora, sobre assumir algumas responsabilidades. Uma reflexão para encontrar viabilidade na vida.

De uma garrafa de vidro incolor, dois mosaicos nasceram: a luminária com a imagem de Nossa Senhora (sobre a qual falei na última postagem - leia AQUI) e a pequena garrafa que mostro hoje. Eu queria de todo jeito usar uns losangos de vidro que já tinha há um bom tempo. Depois escolhi a tampa que achei mais proporcional ao tamanho da garrafa. E daí para frente deixei a coisa correr solta. Das formas de construir um mosaico, essa - de deixar a coisa acontecer, nascer "sozinha"- é sem dúvida a que mais me dá prazer. Há um ponto de partida e o resto vai brotando, mudando de direção inesperadamente e/ou totalmente. Há o risco de dar errado? Sem dúvida. Mas acho muito divertido, fazer o quê? Cada um tem seu barato, não é mesmo?

Vamos à ela...
Delicada, charmosa e incrivelmente sóbria para os meus padrões.

Miçangas de vidro, contas de vidro, pastilhas de vidro e os losangos que foram o ponto de partida.


Anote aí: eu gosto muito, MUITO, de usar gemas de vidro quando faço mosaico em garrafas.

A formação atual da família de mini garrafas. Sempre digo que uma garrafa de mosaico é algo lindo. Mas quando elas estão juntas...aí é paixão.

Olha ela desempenhando na decoração. Não briga com ninguém. Apenas brilha.
Em tempo, as contas de vidro que usei vieram todas de bijuterias que já não eram usadas. Minha mãe vai guardando tudo que não usa mais e quando a gente se encontra ela me dá. Certamente você também tem uma amiga toda trabalhada na bijou que pode te doar o que não usa mais. Bota a criatividade para funcionar, gente boa! E vamos em frente para começar mais um ano com mais consciência, mais empatia e, por favor, mais amor. Até a próxima!

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Mosaico sobre base tipo Wedi.

Olá, pessoas! Como tem passado? Aqui nessas terras o outono vai aos poucos perdendo sua magia e dando lugar à aridez das árvores nuas e aos precoces pores-do-sol. As aves migratórias já iniciaram suas peregrinações para terras mais quentes e, quando eu vejo aquele batalhão de pássaros voando em formação de V, sinto que está todo mundo indo embora e só eu ficarei aqui no frio e na escuridão. Sim, bem dramático. Mas as mudanças de estação tem uma dramaticidade inegável e isso invade a gente.

No mundo do mosaico experimentei algo novo (para mim): usar uma base de Wedi. Na verdade usei de outra marca porque tinha um preço mais convidativo. Para quem não sabe o que é isso, trata-se de uma placa de espuma de alta densidade que tem dos dois dois lados uma fina camada de cimento. É só dar um Google em "Wedi" para entender exatamente do que se trata. Essas placas são muito usadas na construção e são uma base muito versátil para mosaico já que podem permanecer tanto em ambientes externos quanto internos. Além disso são bem leves, o que deixa tudo mais fácil. Custam mais (bem mais) do que uma base de MDF, mas tem uma vantagem (mais uma): com um estilete você corta o que quiser, todas as curvas que imaginar e cortes vazados também. Achei o máximo não precisar de uma serra para chegar no formato que eu pretendia. Então valeu a pena o investimento. Mas o que fiz com a tal base super, tunder, mega maravilhosa? Fiz os números para uma casa. Literalmente. Não foi uma placa com os números, foram os números mesmo. Veja:

Recortei cada número e depois revesti com as pastilhas. Como ficarão em ambiente externo, o adesivo escolhido foi específico para isso.

Depois saí brincando de colocá-los em todo lugar e fiquei imaginando quanta coisa dá para fazer a partir desta base.
Eles agora estão viajando rumo ao seu destino final e eu estou rezando porque a viagem é longa. Só desejo uma coisa - que cheguem inteiros.

Depois dessa experimentação voltei ao conhecido mosaico em garrafas. Para mim fazer garrafas é como voltar para casa depois de uma viagem. É uma delícia viajar e igualmente bom regressar para nosso canto.

Utilizando ainda algumas pastilham que sobraram dos números montei uma garrafa com vermelho, rosa, bege, marrom e dourado (porque sou do signo de leão e preciso de um brilho em algum lugar, sempre). Comecei o trabalho meio desconfiada de mim mesma, mas depois fui me apaixonando perdidamente por ela. Adorei a interação dessas cores. Não sei dizer muito bem o motivo, mas paixão é assim mesmo, não é? A gente não consegue explicar. Para a coroação no topo, uma flor de cerâmica que, vou te falar, tinham que fazer em todas as cores do arco-íris.

É ou né?

Tenho uma maneira peculiar de perceber quando gosto muito de um mosaico: sinto vontade de comê-lo. Sério mesmo. Sinto até a salivação aumentar. Alguém explica?

Você pode usar as garrafas da forma que achar melhor na decoração. Eu gosto especialmente de misturá-las a livros e lembranças de viagens. A garrafa faz o fator "uau!", como aquele brinco maravilhoso que você coloca com uma roupa mais básica e fica glamurosa.

Essas foram as últimas por aqui. A gente ainda se encontra pelo menos mais uma vez nesse restinho de ano.

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A flor amarela.

Em Berlim tudo segue na normalidade, mesmo porque se a normalidade falta, o alemão surta. Aí tudo trava, nada segue. Mas cá estamos nós abençoando cada dia de sol e amaldiçoando cada dia cinza (isto significa uma médica de 90% de maldições). E em algum dia dentro desta incrível labilidade emocional que experimentamos aqui, encontrei uma das coisas mais fofas que já tinha visto: um puxador de gaveta em formato de flor! Já imaginou? E, claro, para quem é dessa área de miçangas, o desejo por um puxador de gavetas não é necessariamente para usá-lo como puxador. Explico: quando fui participar do workshop onde aprendi a fazer garrafas decoradas com mosaico, faltava a tampa para a dita cuja. Procurando opções pela internet, foi no Pinterest que encontrei a ideia de juntar uma rolha de garrafa de vinho com um puxador de gavetas. Assim, para mim, um puxador de gavetas é, antes de tudo, uma tampa de garrafa em potencial.

Aqui vamos fazer uma pausa só para pensar sobre os diferentes olhares. Cada um de nós tem uma visão própria sobre um mesmo objeto, ou assunto, ou sentimento, ou lugar, ou qualquer outra coisa e isso é, de certa forma, lindo! Pense em como as possibilidades se multiplicam graças à pluralidade, à diversidade que existe entre nós. Isso faz com que o mundo fique muito, mas muito mais interessante, faz com que você veja solução onde eu só consigo ver problema, faz com que eu prefira aproveitar o sol ficando na sombra, faz com que você prefira aproveitar o sol se expondo a ele na grama e então há lugar para todos, há gosto para tudo. Há amor para todos e tudo tem o seu valor.

Brisas à parte, voltemos à garrafa. Bem, o puxador rendeu mesmo uma tampa encantadora, além de inspiração e bons momentos. Vamos aos fatos?

Fala sério, essa flor não é linda? Diz que sim! Diz que sim!



Sim, os ares primaveris continuam imperando por aqui :-)

Em tempo, se alguém tiver uma sugestão de gambiarra como a da tampa de garrafa, por favor divida! Já diziam que quem divide, multiplica. Vamos nessa!


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