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| Não é uma lindeza de tampa? |
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| A parte da frente. Dá um close e vê essa riqueza em detalhes. |
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| A garrafa de perfil. Algo aí me faz pensar em céu, em nuvens, em conforto. |
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| A parte de trás que também poderia ser da frente. |
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| Não é uma lindeza de tampa? |
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| A parte da frente. Dá um close e vê essa riqueza em detalhes. |
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| A garrafa de perfil. Algo aí me faz pensar em céu, em nuvens, em conforto. |
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| A parte de trás que também poderia ser da frente. |
Tinha terminado a parte teórica do curso online de vitrais e, sabendo que não daria para fazer o projeto do curso agora, fui cheia de amor me reencontrar com o mosaico. Havia um vaso sobre a mesa que seguramente já fizera aniversário. Ele veio dos desapegos muito comuns na primavera, quando a maior parte das pessoas faz um faxinão em casa e coloca para fora o que não quer mais. Quase o revesti uma vez. Fiz rascunho e tudo, mas não me convenci e o vaso continuou ali de lado. Porém, o momento agora era outro. Comecei os trabalhos dizendo para mim que não era para ter pressa porque certamente não o terminaria antes das férias já programadas. Com o espírito embuído de calma fui compondo com carinho, curvada sobre os materiais e ferramentas que tanto gosto. Curvada como sempre. Curvada demais, talvez. Já tinha umas dores aqui e ali, mas a pausa para um bom alongamento não acontecia nunca. Encurtando a história, a dor no ombro, na escápula, no braço direito, no cotovelo e os dedos dormentes eram sintomas de hérnia de disco cervical que estava extrusa. Entre C5 e C6, mostrou a ressonância feita no que seria o primeiro dia de férias. Férias canceladas. Drogas e fisioterapia no lugar. Também conheci algo chamado Osteopatia, que até agora não sei dizer extamaente o que é, mas recomendo muitíssimo!
Além das férias, fiquei sem tudo que mais gosto. Sem as caminhadas no mato, sem mosaico, sem crochê, sem desenho, sem conseguir dormir, sem conseguir escrever, sem conseguir pegar o PoiZé no colo, sem independêcia...sem identidade, enfim. Aos poucos fui sabendo de mais e mais pessoas com o mesmo problema. Recebi muitas dicas e coloquei todas em prática. Também me deparei com muita solidariedade e, vou te dizer, isso faz maravilhas denro do organismo! Como todo este apoio, o tratamento e muita paciência as coisas foram melhorando. Para drenar um pouco do que acontece dentro da minha cabeça, pedi uma ajuda para a mão esquerda e ela me foi muito útil para fazer alguns desenhos, apesar da sua falta de prática.
Com a dor menor, olhei para o vaso iniciado. Daria para continuar? Não, ainda não. Mas ele me pareceu simpático como estava. Então decidi pintar a cerâmica e presentear a fisioterapeuta que foi, sem dúvida, a profissional de saúde mais acolhedora com que tive contato aqui.
A ocasião coincidiu com a véspera do feriado de Páscoa, de forma que o vaso foi rechado de chocolate. O presentear rendeu um "oh, nein!" (oh, não!), que eu já aprendi que é dito em momentos de boa surpresa. Também teve "Gänsehaut", que é quando a pele fica arrepiada. E o que veio depois, eu nunca imaginei que aconteceria aqui: um abraço. Por essa eu não esperava! Foi preciso concentração para conseguir deixar o choro para depois. Em minha defesa, digo que nestes dias eu chorava por tudo e por nada.
Agora tudo está melhor. Na última semana comecei a mosaicar uma garrafa, muito mais atenta aos limites do corpo. É ele que me diz quando devo parar. Ontem fiz um pouco de crochê e isso me deu alegria. Antes de ontem voltei a caminhar no mato e isso me acalmou. Viver apenas um dia por vez nunca foi tão necessário.
Até a próxima!
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O episódio Charles de Gaulle
A hoje vizinha havia se mudado há pouco tempo para a região e ainda morava em um hotel enquanto procurava apartamento para alugar. Conta ela que, certo dia, enquanto dava aquela boa relaxada no esqueleto, alguém abriu a porta do quarto. Tomada por um susto sem tamanho, ela levantou prontamente da cama já perguntando "quem é?". Não deu tempo de ver as feições do invasor, que saiu em disparada dizendo "Charles de Gaulle! Charles de Gaulle! Charles de Gaulle!". Minutos depois o telefone do quarto toca. É a recepção pedindo milhões de desculpas. Houve um equívoco nas reservas e a chave do quarto ocupado pela hoje vizinha foi dada a um novo hóspede. Para tornar a desculpa mais crível, o hotel ofertou à hóspede invadida uma garrafa de espumante de primeiríssima qualidade. Achei justo.
Quando ela nos contou o ocorrido, supusemos que o invasor não teria dito "Charles de Gaulle", mas sim "Entschuldigung!", que signifa "desculpa" em alemão. A hoje vizinha fez uma carinha de que finalmente as coisas faziam mais sentido. Brindamos, nos deliciamos e eu pedi se poderia ficar com a garrafa, tão ancuda e pescoçuda. Pedido atendido, a garrafa foi para a prateleira dos materiais.
A ansiedade e o mosaico.
Atualmente deixo para fazer uma garrafa quando quero colocar as coisas de dentro da cabeça em ordem.
Ano novo, problemas velhos, achei que uma garrafa seria a melhor forma de começar janeiro. Olhei a prateleira e escolhi justamente a garrafa "Charles de Gaulle". Suas formas marcantes seriam um bom estímulo. Porém, desta vez, não queria que a já companheira íntima, a ansiedade, atrapalhasse a minha brincadeira. Propus uma regra para mim: não faria nada correndo. Levaria o tempo que fosse preciso para fazer o mosaico. Se desse um branco, faria uma pausa e só seguiria adiante quando surgisse a ideia. Fiquei muito vigilante e parei o trabalho inúmeras vezes. Fazendo isso, descobri que a ansiedade em terminar logo vem do fato de que há muitas ideias na cabeça e a torneira por onde elas saem tem uma vazão muito pequena. Então fica aquela pressão desgraçada, um desejo de tornar real tudo o que habita a imaginação. Impossível, não é, amores? Totalmente impossível.
O fato é que fazendo as pausas necessárias para não colocar a carroça na frente dos bois, levei quase um mês para terminar o mosaico. Um mês! Qual o ponto positivo? Tenho apenas um arrependimento no trabalho como um todo: a cor do rejunte. Normalmente são vários arrependimentos. O ponto negativo é que levou um mês para fazer um trabalho de aparência ordinária, ou seja, não é pior e nem melhor do que os demais. Então concluí algo bem estranho: talvez não valha muito a pena querer controlar a ansiedade a ferro e fogo. Quero dizer, o fato de eu deixar para continuar o trabalho quando estivesse mais tranquila e pensando com mais clareza não me levou a um resultado melhor. Se tiver algum analista lendo isso, por gentileza, me conte o que Freud diria.
Enquanto aguardo o meu diagnóstico, vamos aos fatos:
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| Ei-la, senhoras e senhores,a rainha de janeiro! |
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| O bom e velho puxador rosqueado na rolha como tampa. Agora desça um pouco o seu olhar e veja que belo desenho as miçangas formaram ali em baixo. |
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| Cada coluna da garrafa teve uma cor guia. Foram quatro no total: laranja, rosa, roxo e verde. |
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| Usei conchas pintadas por toda a volta. |
Para o mosaico desta garrafa usei pastilhas de vidro, miçangas, contas, canutilhos e conchas. A questão do rejunte é que se ele fosse uma tonalidade mais escura, acredito que as cores ficariam mais vibrantes. Da forma como ficou, a garrafa tem uma delicadeza que eu não desejei que tivesse. Mas, como alguém já disse em vários lugares, tudo é aprendizado. Por aqui, lição aprendida e anotada.
Espero que o ano de vocês, até este meio de fevereiro, tenha sido estável. Se não melhorou nada em relação ao nefasto 2020, que pelo menos não tenha piorado. Torço por isso!
Até a próxima!
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| Além dos espelhos, também a base sobre a qual o mosaico foi feito, um tipo de Madeirite, é presente das ruas. |
| Tampas de garrafa sem desenhos também são ótimos elementos para composição. |
| Os materiais e suas cores foram escolhidos de forma a criar harmonia no local onde estes mosaicos ficarão. |
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| Fazia um tempo que os espaços ao lado do porta-chaves ficavam olhando para mim com expressão suplicante. "Está mesmo muito pelado", pensei. Então fiz essas duas peças, repetindo elementos da Sardinha Mutante e do Porta-Chaves para que todos os mosaicos pareçam membros de uma mesma família. |
| A parte de cerâmica pintei com esta tonalidade de dourado. |
| Utilizo o rejunte escuro com frequência para destacar as cores, fazendo-as brilhar. |
| O prato, por ser muito pesado, ganhou um suporte e assim pode ficar sobre aparadores e buffets. |
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| Maltratado, mas muito digno. |
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| Onde havia um pires passaram a existir tesselas. |
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| Fofa! Ela é feliz, mas é discreta. Não sai por aí fazendo post sobre sua felicidade (ao contrário de nós...) |
| Perfil elegante anunciando que o que está na frente não está atrás. |
| Parte de trás com sua beleza própria. |
| Close dos pedaços do pires verde. |
| Para mim foram os pedaços do pires que deram o toque especial. |
| A chave mágica, a razão da minha alegria. |
| Aqui você pode ver a garrafa muito segura de si. Ela pode não ter uma tampa toda ornamentada, mas ela tem luz! Como competir com isso? |
| Reinando plena e exclusiva. |
| Há luz... |
| ...por todos os lados! |
| Essa é a parte de trás. Como das últimas vezes, a base é feita com tampas de garrafa. Neste colar usei todas do mesmo tipo (Fritz-Kola). |
| Tirei a borda ondulada das tampinhas e preenchi cada uma com pequenos mosaicos de stained glass, miçangas, areia de espelho e contas de vidro. |
| Sim, um guizo para finalizar. Porque eu gosto, porque é lúdico, porque me traz lembranças da juventude. |
| Belo! Muito belo! |
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| Dá para usar bem próximo do pescoço. |
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| Ou deixar mais comprido, descendo pelo colo. |
| Essa é luminária "Ondas", versão 2. |
| Com a luz da vela as cores bailam fluidamente. |
| As miçangas, as pastilhas de vidro, o Vidrotil, os vidros de garrafa o stained glass...todos se unem nesse movimento sinuoso e infinito. |
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| "Ondas" 2 e todas a suas faces. |
| Um poço dos desejos numa cascata de cores. |