Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.
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Vaso Lâmpada

Quando passei a reutilizar Lâmpadas queimadas para fazer pequenos vasos, passei a receber diversas doações. Acredito que isso aconteça com a maioria de nós: sermos lembrados e presenteados pelas pessoas próximas com alguma coisa que nos seja útil, fortalecendo e celebrando vínculos. Foi assim que uma belíssima lâmpada redonda veio parar em minhas mãos.

Minha intenção quando faço vasos a partir de lâmpadas é sempre manter a parte da rosca. Para mim isso deixa a peça ainda mais charmosa. Neste trabalho o destino quis diferente. A rosca se soltou do vidro enquanto eu limpava a lâmpada após extrair o filamento. Uma pena! Mas longe de ser um impedimento para prosseguir o projeto.

Fiz um mosaico com muitos detalhes que, em alguns pontos, mais parece um bordado. Na base da lâmpada fixei uma pastilha Cristal de 5cmx5cm que lapidei até ficar redonda. Isso permite que o vaso permaneça em pé sem a necessidade de um suporte. Para o mosaico utilizei pérolas, hematita furta cor, corações de cristal, contas facetadas, pastilhas Cristal lisa e metalizada, canutilhos, miçangas e partes de bijuterias. As linhas horizontais são interrompidas tanto na parte da frente como na de trás por linhas curvas que emolduram peças focais. Isto traz movimento ao aspecto final do vaso. Para acabamento, utilizei rejunte preto que evidenciou as diferentes cores e acentuou o brilho de alguns materiais.

Ao final de 22 horas de trabalho, nasceu uma peça única e original, capaz de dar um toque de vida e beleza extra a uma decoração harmoniosa.








Esta peça está disponível para pronta entrega. Basta clicar em "loja online no Elo7" do lado direito da tela.

A nova casa da Flor de Maio.

Primeiro é necessário que se diga que nas bandas de cá a Flor de Maio chama-se, numa tradução literal, "Cacto de Outono". Mas eu prefiro chamá-la de Flor de Novembro, que é quando ela dá suas flores. Depois de uma generosa florada no ano que passou, a plantinha foi dando sinais de que precisaria de mais espaço para estender suas asas, digo, raízes. Que fique muito claro uma coisa: pedido de planta a gente não nega. Jamais!

Na fase em que estou, não sei se consigo conceber um vaso sem usar tampas de garrafa. Acho que combinam muito. Ponto de partida estabelecido, notei que o potinho de restos tinha novamente chegado à tampa. Que seja, então, feita a união daquilo que sobrou ali com aquilo o que sobrou aqui. E que se celebre a fartura das sobras! Pois elas abundam e podem construir universos inteiros se assim nós quisermos.

Para quem chegou recentemente por aqui e se pergunta "tampinhas? Mas por que tampinhas?", guarde a resposta: elas são o máximo! Personalidade não lhes falta e merecem o devido destaque.

Animais, brasões, personagens típicos - uma pequena história é contada através do logotipo.
No restante do vaso, emoldurei as tampinhas e delimitei as bordas com uma cor neutra. Os espaços que sobraram foram preenchidos com os amados restos de cortes, aleatórios, coloridos e vivos!


E na cerâmica aparente o dourado que faz justiça à nobreza da Flor de Novembro.
Embaixo também vai o dourado. Não é por estar menos aparente que não vai receber essa mistura viciante de verniz e purpurina, não é mesmo?
O que mais me empolga nesse vaso, além da sua simplicidade, é o fato de utilizar tesselas "alternativas" entre muitas, muitas aspas, porque esta classificação diz muito mais respeito à forma como enxergamos as possibilidades do que aos materiais em si. Ver valor naquilo que comumente não é muito valorizado é, para mim, um tratado sobre a esperança. Esperança de que vá um pouco menos de coisas para o lixo ou para a reciclagem, esperança de ver outras formas de beleza passeando pelo mundo, esperança de encontrar diferentes formas de viver nossa vida gasta e exaurida. Talvez seja possível a gente mudar tudo (ou o que precisa ser mudado) apenas com aquilo que já está à nossa volta. Que coisa louca, não?

Ah! A planta! Mandou milhões de lembranças. Está felizona na casa nova!!!!


Até a próxima!
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As lâmpadas, o mosaico e a neve.

Já mencionei aqui que quando nos mudamos para Herrsching eu notei um incremento na minha energia de vida. Berlim é uma cidade in-crí-vel, mas morar lá foi especialmente desafiador pela falta de luz. Aqui no sul essa questão é muito mais amena e meu cérebro percebeu isso rapidamente. O impacto que isso teve no meu trabalho é percebido claramente. Aliás, um passeio pelo álbum de fotos vai contando diversas histórias sobre fases e percepções.

Somos capazes de fazer o que fazemos nas mais variadas situações, mas para que a nossa verdade venha à tona é preciso que algumas condições estejam alinhadas. Por exemplo, semana passada nevou muito por aqui. Na minha caminhada em meio ao cenário branco fiquei observando a neve acumulada pelos lugares. Em todas as superfícies, inclusive nas mais estreitas, havia uma torre de gelo. É fascinante!

Floco por floco, um após o outro, um sobre o outro e esculturas improváveis vão se formando.
Olhando para essas fotos, imagine a paz que precisa existir para que estas frágeis paredes se ergam sobre um galho, um corrimão, uma cerca...O vento não pode ser exagerado, a temperatura deve se manter dentro de determinada faixa e o tipo da neve também influencia. Cumprido todos os requisitos o espetáculo acontece.

No mundo encantado do mosaico, a mágica também funciona dessa maneira. É necessária uma dose de paz (muito mais interna do que externa) para que a criatividade baile, para que as ideias e o vidro sejam lapidados. É necessária paciência para unir os pedaços de uma determinada forma para que surja o todo. É necessário esperar, porque o tempo leva o tempo que o tempo leva. Cabe a nós nos encaixarmos nesse fluxo.

Meus objetos de paz e paciência da vez são dois vasinhos de lâmpada que mais parecem duas jóias preciosas de um tesouro inestimado.











Fazer mosaico é como andar na neve, você dá um passo por vez e anda devagar. Às vezes precisa mudar o percurso para contornar um obstáculo, às vezes precisa voltar uma parte para depois retomar a mesma direção. Chegar ao final da caminhada é bom, mas o percurso é o que há de mais gostoso.

Que tenhamos a paz e a paciência que nossos passos requerem para andarmos no rumo que mais nos atrair, desfrutando do caminho tanto quanto do prazer da chegada.

Até a próxima!
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Um vaso para plantar esperança.

No meu aniversário, ganhei d'além mar um delicado arranjo de mini rosas. Elas, tão coloridas e generosas, me foram entregues pela funcionária da floricultura em meio a um sorriso aberto de quem ama o trabalho que tem. Só aquele sorriso já foi um presente. O arranjo enfeitou nossa mesinha de café da manhã até as rosas começarem a murchar. Foi só então que percebi que elas estavam plantadas na terra. Corri para o YouTube em busca de orientações sobre como cuidar destas flores. Quanto de sol? Quanto de água? Em meio às respostas às minhas dúvidas constatei com alegria infantil que, sim, existe uma maneira de preparar a roseira para que ela sobreviva ao inverno. Com esse horizonte de esperança à minha frente, fui logo comprar um vaso. Herrsching tem tudo o que você precisa para o seu dia a dia, ainda que não tenha muita variedade. Então comprei o melhor vaso possível e lá fui mergulhar nas infinitas possibilidades de revesti-lo. Escolhe daqui, dali...os desenhos se formando e se modificando na mente...separei o material. Daí para frente é aquela alegria de ver o sentimento tomar forma. Amei o que fiz!

Usei tampas de Club-Mate, pastilhas de vidro, gemas de vidro e pastilhas de cerâmica.
Achei que ficou alegre e com uma cara de arte mexicana, não parece?
A borda e o fundo do vaso pintei de dourado...porque amo dourado.

Desavisados perguntariam porque pintar o fundo. Gente! E por que não? Já dizia alguém que "Deus mora nos detalhes".

 Fiz o plantio das mini rosas um tanto incrédula. Eu adoro plantas, converso com todas, mas tem algumas que me parecem inacessíveis. Rosas são uma delas. Então já comecei o papo pedindo desculpas pela falta de jeito, explicando que nunca tinha cuidado de rosas antes, mas que tinha me informado bastante e que, se elas quisessem, a gente poderia cultivar ali não só as próprias rosas, mas também uma amizade. Acho que ter tido uma conversa franca ajudou. A bichinha não morreu! Só aí já ganhei o mês. Mas o melhor de tudo foi ver as folhinhas novas nascendo. Não me aguentei e enchi a roseira de beijos!!! 

Olha que amor!!! Já expliquei para as outras flores que elas também ganharão casa nova. É só ter paciência.
A sobrevivência da roseira e a esperança que as novas folhas me trouxeram fizeram com que eu notasse uma tristeza resignada que trazia de Berlim. Lá fui deixando de cultivar plantas porque sabia que elas morreriam. Era só uma questão de tempo. Por isso meu primeiro pensamento ao ganhar a roseira foi dúbio. Algo como "que linda!...pena que vai morrer" e tentei me conformar com isso. Precisei de um tempo para ver que uma possibilidade já existia bem ali na minha frente. E, quem sabe, essa possibilidade me traga mais do que sobrevivência. Quem sabe, eu possa sonhar com flores antes do inverno chegar e, se tudo der certo, resistir ao frio para ressurgir na primavera.

Tenho uma relação conturbada com essa história de esperança. A cada novo momento não sei decidir se ela é um véu que colocamos sobre os olhos para não encarar diretamente o que precisa ser visto ou se é um cajado que nos ajuda a caminhar mais longe. Mas hoje, exatamente hoje, ela é tudo que tenho. Sem a ideia de que algum dia verei botões de rosa se abrindo na minha varanda fica muito, muito difícil continuar a jornada. Então, ainda que não saiba definir o que é a esperança, acho que sua função, no final das contas, é simplesmente essa - nos manter aqui.   

Cultivemos o nosso melhor e...até a próxima!
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Santo de casa faz par de vaso.

Parece uma manchete criminal, mas é apenas uma alegre notícia. Diz o ditado, e ditados são sempre sábios, que santo de casa não faz milagre. Eu concordo 80% com isso. Não é que o santo não faça seus milagres em casa e ponto final. É que o santo geralmente está ocupado fazendo milagres por aí, mas quando calha de dar certo, não tenha dúvidas, ele fará um milagre em casa sim!

Pode parecer absurdo, mas para mim é relativamente recente ter olhos de posse para as coisas que eu faço. Isso significa que, a despeito de toda a paixão envolvida, as crias sempre eram para o mundo. Meu único desejo era que elas seguissem seu caminho em companhia de alguém que as valorizassem tanto quanto eu, alguém que se encantasse com elas a cada novo olhar, assim como eu sempre me encanto. De uns anos para cá aquela parte de criar para mundo tem se mostrado um tanto diferente e comecei a cultivar um sonho absurdamente comum para quem faz mosaico - morar dento de um, ou seja, ter uma casa forrada, abarrotada, entupida de mosaico. Antes eu pensava que isso seria reservado a um futuro tão, tão distante, que eu não precisaria fazer nada agora. Só que, veja que coisa, eu mudei. Quero quase tudo para mim e faço quase tudo para mim. De um momento para o outro o futuro não parece mais tão distante. Inclusive, parece que uma pontinha dele já está virando presente agora mesmo, enquanto conversamos. Não chega a ser um desespero ou o refinado senso de urgência. É mais como uma prioridade mesmo.

Enquanto não posso revestir paredes, tetos e pisos, vou multiplicando os objetos para poder carregar comigo esse mundo de vidro que faz minha alma cascuda florescer. "E o desapego às coisas materiais?", você deve estar se perguntando. Honestamente, acho que todo mundo tem um apego nessa vida. Melhor dizendo, temos apegos e desapegos seletivos. Você não vai me ver colecionando sapatos ou bolsas ou maquiagens. Mas não ouse olhar torto para o meu universo de vidro. Ele é sagrado para mim. Estou bem consciente que caixão não tem gaveta, mas em minha defesa digo que meu apego é com coisas que foram feitas para durar por gerações e gerações.

Argumento apresentado, defesa feita, vamos aos fatos. Dei-me de presente dois vasos. Para minha alegria, há muito mais luz onde moramos agora. Então posso novamente cultivar minhas plantinhas, observar seus ciclos e bater aquele papo gostoso durante a rega. As plantas que ganharam nova moradia são sobreviventes das trevas de Berlim. Foram companheiras fiéis e a singela homenagem é o mínimo que eu poderia fazer por elas.

Para revestir os vasos de cerâmica usei tampinhas, miçangas e pastilhas de vidro. A escolha da cor foi de acordo com um critério sem critério. Eu olhei para a prateleira de materiais e vi que a coluna das pastilhas azuis era a mais alta. Escolhi três tons e pronto. A parte não revestida, pintei de dourado porque aqui é leão, amores! Tudo bem que o ascendente em libra dá uma acalmada, mas não o suficiente para eu deixar de enfiar um dourado em tudo. Pode reparar. Vamos lá? Vaa-moooos!!!

Este foi o primeiro. Aqui você pode ver as quatro tampinhas diferentes e o revestimento nesse movimento circular que é delicioso de olhar.

Este foi o segundo, um pouco maior que o anterior. Além das tampinhas, o colorido também veio de pastilhas escolhidas ao acaso, diretamente do pote de pastilhas órfãs, ou seja, últimas sobreviventes de uma placa inteira.

Minhas amigas replantadas na suas respectivas novas casas.
Não sei se acontece com mais pessoas, mas depois que termino um trabalho e o mosaico está no lugar ao qual foi destinado, sempre dou uma piscadinha quando passo por ele. É o micro gesto que diz "ficou bacana, hein?", numa relação de cumplicidade entre criador e criatura, relação que guarda os segredos mais profundos e delicados, que guarda o amor de quem conhece as falhas do outro, mas esse saber só faz aumentar o amor. Estou ficando louca? Acho que não...enlouqueci já há algum tempo.

Até a próxima!
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Mini Vasos para iluminar a decoração.

Hoje é segunda-feira de Carnaval, mas aqui nesta terra hoje é só segunda-feira mesmo...pelo menos aqui no norte. Parece que lá no sul tem alguma comemoração, num conceito bem mais discreto e inocente do que nós estamos acostumados a ver no nosso amado Brasil. Se você não foi para muito longe do wi-fi e também não está enlouquecido no bloquinho, dá uma olhada nesse par de mini vasos que eu fiz. Consegui encontrar mais umas lâmpadas queimadas por aí e não resisti.

Usei um pouco mais de cor em relação ao último par que fiz e achei que o conjunto precisava de uma base. Recorri a um prato de cerâmica. Como as lâmpadas ficam totalmente revestidas, acredito que fica mais interessante se forem colocadas sobre espelho, assim os detalhes da parte de baixo não se perdem. Os pedaços de espelho que usei foram encontrados na rua, há muito tempo. Parece ser um costume mundial deixar espelhos quebrados por aí...para minha sorte :-) Além dos espelhos, usei também gemas de vidro, pastilhas de vidro, stained glass e miçangas. O rejunte foi colorido com pigmento marrom. Normalmente uso sempre o rejunte grafite que, para meu olhar, é neutro e realça as cores. Mas nesse caso achei que o marrom "aqueceria" a combinação de cores. A parte de baixo do prato é dourada. Usei o mesmo dourado também nos bocais das lâmpadas.

Os Mini Vasos de Lâmpada, sozinhos, pareciam para mim um detalhe lindo e delicado par usar na decoração. Mas assim, em dupla e com uma base, eles deixaram de parecer um detalhe e ficaram com cara de centro de mesa, seja a mesa que for. Vamos a eles:

Desta vez escolhi lâmpadas com formatos diferentes para minha composição.


Repare que o espelho, ao refletir a parte de baixo, confere mais luz e cor ao conjunto.

Gemas de vidro soltas pela base - é para dar charme mesmo.

Com as tulipas mais lindas que se podia encontrar nessa época.

Ficam lindos onde quer que seja.
Para quem é de Mosaico e está entusiasmado em fazer um trabalho com material reutilizado, aproveite os festejos de Carnaval para garimpar objetos pela rua. Acredito que essa época deve render a melhor safra do ano. Seria esse o lado positivo do desleixo dos foliões?

Beijos floridos e até a próxima!
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A lâmpada mágica.

Mudar é sempre um processo e tanto, não é mesmo? A nossa mudança para Berlim envolveu e envolve muito mais (MUITO MAIS!) do que a mudança física. De uma hora para outra não temos mais nenhum referencial familiar. Num primeiro momento, quando vivemos meio acampados, sem nossas coisas, o único elo que temos com a vida que acabou de acabar é o que trouxemos na mala. Todo o resto é novidade. Isso pode ser muito excitante quando se tem um prazo e, ao final dele, um lugar para voltar. Quando esse não é o caso a coisa toda é exaustiva, stressante e nos afeta de formas que não temos como prever. Um exemplo: na vida antiga eu costumava fazer as tarefas da casa, e muitas vezes também os mosaicos, com fones de ouvido. Escutava (performava) minhas músicas prediletas ou ouvia minha rádio favorita. Isso tornava as tarefas penosas mais leves e as tarefas prazerosas mais gostosas ainda. Pois fiquei cerca de dois anos sem conseguir fazer isso. Tentava, porque buscava esse acalento (na verdade a gente busca qualquer acalento), mas não dava certo. Não era mais bom, irritava. Não faço a menor ideia de porque isso aconteceu, mas há alguns meses algo encaixou e voltou a ser muito bom. É um detalhe na vida, eu sei, mas que me trouxe mais conforto comigo mesma e isso é muito valioso para mim. E vamos combinar que se somarmos esses detalhes a coisa toda fica bem grande. Então comemorei esse pedacinho de re-conquista.

Como somos uma coisa só, esse choque de adaptação nos atinge em todos os aspectos. Pois bem, o maravilhoso mundo do mosaico não ficou de fora. Um dos trabalhos que mais curti fazer foram os Vasos Lâmpada. Fiz dois. Amei-os intensamente. Em São Bernardo do Campo tem o Sr. Walter que trabalha com ferro e ele sempre topou minhas idéias. Fez suportes delicados que valorizaram ainda mais o meu trabalho. Aqui não tem o Sr. Walter. Eu fiquei este tempo todo olhando com tristeza as lâmpadas queimadas que vieram junto com meus materiais com a certeza de que jamais faria outro vasinho. Por vezes planejei levá-las para a reciclagem (aqui tem) e todas essas vezes esqueci. Aí aconteceu uma coisa simples e maravilhosa. Um dia deses acordei com a solução dos meus problemas: colocaria o Vaso Lâmpada em pé fixando uma pastilha uma pouco maior na base. É uma solução tão simples que dá até vergonha. Mas o que me admirou mais foi o tempo em que acreditei que não havia mesmo solução para o meu problema. Achei isso muito maluco. O dia em que acordei com a solução foi como o despertar de um transe. O que uma mudança não faz com a gente, não é mesmo? Uma vez mais não faço a menor ideia de porque isso tudo aconteceu, mas saboreei novamente minha pequena re-conquista. Veja o resultado do meu micro despertar:






Dizem que "não há mal que sempre perdure e nem bem que nunca se acabe". Tudo é passageiro. Isto também passará. Vamos celebrar a vida, o amor e cultivar a gratidão. Cada detalhe conta.

Se você quiser conhecer os vasinhos anteriores, visite o álbum de fotos na nossa Fan Page do Facebook. Vai por AQUI.

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Enfim, primavera!

Não é segredo para ninguém que a gente conta os dias, as horas, para o fim do inverno. Nossa esperança é que de um instante para o outro os dias tenham mais horas de luz e as temperaturas se fixem entre 15 e 20 graus (que tal?). Bem, parte disso acontece mesmo. A Terra, com seu eixo inclinado, gira ao redor do sol e isto, somado ao horário de verão que começou há um mês, faz com que o sol nasça às 5:45 e se ponha às 20:23. É uma baita diferença! Não é à toa que os passarinhos cantem tanto e os corvos fiquem praticamente sem motivo para reclamar. Algo semelhante acontece conosco. Tem gente assobiando por aí e é até possível se deparar com algum alemão sendo simpático. Eu me cago de medo com isso, pois acho que os acontecimentos extraordinários alteram a ordem natural das coisas, podendo provocar furacões, terremotos e tsunamis. Mas ainda com este risco eminente, prefiro ver meus anfitriões mostrando seus dentes e com o semblante mais relaxado. Se é para morrer num cataclisma, que seja depois de receber um sorriso.

E foi nesta onde de amar a vida, abraçar árvores e cumprimentar cada pardal que cruza meu caminho que fiz esse vaso. Revesti a cerâmica com pastilhas de vidro de diversos tipos, algumas bijouterias e algumas contas de vidro. Eu amei! Para falar a verdade, no começo não. Eu iniciei este vaso antes das férias e terminei depois de voltar. Isso pode resultar numa peça inconsistente, mas depois do rejunte achei que estava tudo bem e já podia cobrí-lo de beijos e juras de amor. Que ele seja a celebração da vida que volta tão vibrante, da luz que nos brinda generosa e das temperaturas...as temperaturas...essas f*#@* da p#@*& estão de gozação com a gente. Dizem que isso é típico de abril, ninguém sabe o que pode acontecer com o clima durante este mês. Bom, acho que em maio a felicidade estará, enfim, completa. Falta muito pouco. Celebremos!





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Vaso Bohemian.

    Acho que desde sempre gostei muito do estilo Bohemian, tanto para decoração como para o vestuário. Agrada-me a profusão de detalhes e cores, a exuberância e a mistura de padrões e estilos.       Podemos dizer que é um estilo eclético e, talvez por isso, livre.
    Este vaso de cerâmica nasceu sem essa intenção, mas quando olhei para os materiais que tinha separado para o brain storm...já era! Meu coração é Bohemian!!!

Tenho gostado de adicionar detalhes em pedras naturais. Gosto muito do toque rústico que conferem ao visual.



Eu tinha dúvidas se apenas folhagens ficariam bem neste vaso para não competir com os detalhes. Mas quando coloquei a orquídea, achei que o casamento funcionou muito bem.

Genteeee!!! Fala se não é babado puro na decoração!!!


Se você mora na União Européia, pode conferir esta e outras peças de mosaico na minha loja virtual. Ela fica hospedada na plataforma Etsy. Vai por AQUI!

Abraços a todos e até a próxima!

O que você faz com os restos de pastilhas?

Acho que todo mosaicista costuma guardar o que sobra dos cortes de pastilha de vidro, cerâmica, espelho ou o que quer que seja que tenha usado. Isso acontece porque somos apaixonados pelo material que usamos e só descartamos o que não dá para ser usado de jeito nenhum. Eu sempre guardei meus cotoquinhos e para não virar um caso patológico de acúmulo de cacos, coloquei uma regra para mim. Funciona assim: vou colocando tudo num pote de vidro. Quando ele enche, é hora de usar o que está ali. Simples, terapêutico e colorido.

Na "desova" mais recente dos restos fiz um vasinho pequenininho e um incensário. Veja como ficaram:
No vaso, várias direções proporcionaram várias faces.

No incensário fui no estilo "quebra-cabeça", encaixando cada pedaço sem fazer novos cortes. Faço isso só para ser mais divertido ;-)
O uso dos restinhos sempre resulta em peças alegres e com texturas interessantes. Na decoração, elas não são a atração principal. São o arremate, aquele detalhe especial que faz a amarração de outros elementos, geralmente mais neutros.

Gosto dessa modalidade de trabalho porque é despretenciosa, me remete à máxima de que menos é mais e me faz sentir que não desperdicei nada. Além disso esses restinhos danados rendem muito bem. Meu pote (que um dia foi de mel) estava cheio...

...e ficou pela metade, um pouco menos da metade talvez.

Esse visual não lembra aquele piso de cacos de cerâmica muito comum nas casas construídas antigamente? Sinto um cheiro de infância no ar...

E você? Como costuma usar suas sobras de corte?
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Quem reside em algum país da União Européia, pode conferir o incensário na Loja Lucano Mosaico no Etsy. Vai por AQUI :-)

Uma vaso para o pé de gengibre.

Sabe aquelas pessoas que preferem tomar um chá a tomar um remédio? Sou dessas! Acho mesmo que os alimentos são o melhor remédio. Para dores de garganta e resfriados o gengibre é meu medicamento preferido. Um chá bem forte, como se fosse um quentão (mas sem pinga, pelo amor de Deus!), resolve o problema por milagre. Por isso sempre há um gengibre por aqui. Só que um coitado ficou na fruteira tempos e tempos e tempos, ignorado pela falta de necessidade do poderoso chá. O pobrezinho começou a murchar, resignado, e um dia reparei que estava soltando um brotinho. Foi promovido a um pequeno vaso, apenas deitado sobre a terra caso quisesse soltar raízes. E ele quis! O brotinho foi alçando vôo em direção aos céus e um novo broto veio vindo do outro lado. Bom, o gengibre foi muito claro na sua mensagem: quer continuar se transformando. Já que é assim, merece o que de mais definitivo eu poderia providenciar para um ambiente de apartamento: um vaso. Em casa de mosaicista nada passa impune a uma cola e uns cacos. Não vi porque fugir à regra. Mas antes fui pesquisar como era,a final, um pé de gengibre.Achei isso aqui:


E, já feliz com os dias nos quais seremos autossuficientes em gengibre nesta casa, lancei mãos-à-obra. Escolhi as pastilhas...e as tampinhas de garrafa. Sim, eu gosto delas. São coloridas, divertidas, estão por toda parte e não vejo motivo para não usá-las. Achei que as tampinhas de Club-Mate (um chá mate gaseificado) combinariam bem. Dessa vez dei umas marteladas nas tampinhas para achatá-las, nivelando mais ou menos com as pastilhas.



Plantei o gengibre e o danado se empolgou, se espichou e soltou folhinhas...até que a Antônia simpatizou com os brotinhos e mastigou as folhas novinhas :-(


Agora já não sei se o gengibre vai conseguir vingar com tamanho assédio. Talvez meus planos de formar o império do gengibre tenham que ser adiados. Por enquanto fico no mosaico mesmo.



Atualização de julho de 2016: veja como o gengibre cresceu!!! O primeiro broto não vingou, mas o segundo foi em frente e já olha a rua do segundo vidro. Além disso, a cúrcuma que estava toda tímida também está feliz da vida. É ela que você pode ver em primeiro plano. O gengibre é o que está preso à haste. Ainda que a Antônia tenha investido mais algumas vezes contra os brotos, parece que agora deu uma sossegada já que está menos ergonômico.