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Inverno estéril.

    Acho bonita a cadência das estações. Gosto de ver a transformação de tudo que tem vida, me agrada a mensagem de ciclos que se sucedem, sempre dando chance a um recomeço. Minha preferência escancarada fica com o outono e a primavera. A característica mediana destas estações entende alguma suavidade, mudança paulatina, nada de brutalidade, mas um aviso gentil do que há mais à frente. Se tiver que optar quanto aos extremos, inverno, sem dúvida. O desconforto uma hora se resolve no aconchego da cama e não é preciso escolher a melhor hora para ir caminhando daqui até ali. É até muito bom, pois aquece o corpo.
    Depois de uma coleção de dias deslumbrantes que nos fizeram esquecer que a Terra gira sobre seu eixo inclinado, vieram os dias mais impiedosos. Aí pensamos com seriedade naqueles que não tem um teto sobre suas cabeças e, quando o dia amanhece, pensamos nos frentistas e trabalhadores da construção civil que passarão suas horas de trabalho sob o açoite do vento e da garoa. Há tempos não tínhamos uma sequência de dias com temperaturas abaixo de 10 graus Celsius. No quarto dia digo que somos todos frentistas e pedreiros, pois dentro de casa está tão frio quanto fora, sai aquela fumacinha da boca no meio da sua sala de estar, o aquecedor não vence, as costas doem tensionadas pelo frio, a cabeça dói porque as costas estão tensas e os pés gelados, os pés doem porque estão gelados e assim vai. Fica nítida nossa fragilidade e somos impelidos as recolhimento. Vejo as ruas mais vazias e tudo se manifesta pela metade. Muita coisa simplesmente não acontece, independente do que se faça. Então surge a angústia que cresce a cada novo dia sem sol. É inverno, é inverno, é assim mesmo, repito para mim. Decido que vou entender este período estéril e solitário como uma fase necessária à germinação, à continuidade dos ciclos. Dedico-me a semear o que conseguir de melhor, crente de que haverá a colheita. Em algum momento há de existir novamente a fluidez que dá aquele brilho tão especial à vida. Mas agora não. Agora o momento é outro e é preciso lidar também com isso.


Um comentário:

  1. Adriana, sou tu nesse texto.
    Leve, cadenciado como as estações.
    Escreves tão bem!
    Beijo

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