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Manifesto sobre a Assimetria.

Esse é o nome do mosaico que fiz.

Sou dessas pessoas que questionam coisas. Sou do signo de leão com ascendente em libra. Recentemente descobri que meu signo lunar é gêmeos. Talvez essa combinação seja a causa da minha rebeldia inerente, mas não tenho certeza. O que sei é que não me identifico nada, mas nada mesmo, com alguns parâmetros que as pessoas espalham por aí. Essa questão da simetria x assimetria é uma delas. Se você der um Google nessas palavras, basicamente lerá sobre dimensões e formas, sobre a simetria presente na natureza e na matemática, verá desenhos e fotos de coisas que quando divididos em partes, uma pode ser sobreposta à outra com perfeição e verá várias vezes a palavra beleza. Associa-se a presença de simetria à beleza, ou seja, se é simétrico então é bonito.

Nem precisa dizer que é nessa parte que meu humor muda. Simetria não é algo relativo, mas beleza...ah, amiguinhos, está aí um conceito que muda todos os dias, que precisa de contexto para acontecer. Pensando um par de minutos você poderá citar algumas coisas que são consideradas belas hoje, mas que no passado não eram. O contrário também vale. O meu ponto é que a beleza é um conceito subjetivo, íntimo e complexo. É nisso que acredito. Confesso que não entendo muito bem a obsessão humana por beleza. Nessa busca desesperada vai todo mundo para um lado só, enquanto há um universo de tantas outras coisas fantásticas acontecendo do lado de lá. Acho isso triste.

O que fiz nesse mosaico foi zombar descaradamente da simetria e de outros pequenos conceitos que, no mundo do mosaico, são tidos como pré-requisito para dizer se um trabalho é belo. Na base, nada bate com nada. Parece que bate, mas não. Usei dois restos de cortes de um círculo e a parte retangular foi a lateral de uma gaveta. Isso significa que uma das suas bordas reta e a outra arredondada. Comecei o revestimento pelas extremidades, repetindo os elementos no lado oposto correspondente. Porém coloquei pedras e conchas no meio dessa história só para ter certeza de que não casaria mesmo, para somar mais assimetria na minha assimetria inicial. E fui seguindo nessa busca do impossível (que é o que fazemos na vida quando tentamos nos encaixar nos padrões), repetindo os elementos dos dois lados. Quando a assimetria se fazia mais do que evidente, suprimia algum elemento para tentar resgatar a simetria que em momento algum existiu. Ou seja, eu aumentei a assimetria para diminuir a assimetria. Faz todo o sentindo. O trabalho como um todo virou uma espécie de "jogo dos sete erros". Você pode gastar alguns momentos encontrando as diferenças.

Ao primeiro olhar, nada parece estar fora da ordem.




E a peça desempenha lindamente na parede, ao lado das coleguinhas. 

Formando uma grande família de assimétricos assumidos.
O que acontece aqui é que o conjunto tem lá sua harmonia e isso prevaleceu. No fim pouco importa a precisão milimétrica. Importa a gana, a paixão, a intenção, o ideal, a expressão, a mensagem. Importa que cada um sinta a liberdade inata e genuína para ser o que é. Isso fica bem pertinho da beleza. Um viva para a assimetria!