Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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A garrafa iluminada

Os fatos já são velhos conhecidos: Adriana adora decorar garrafas com mosaico. Adriana adora luz colorida. Adriana adora vidro colorido. E já faz um bom tempo que eu nutria o desejo de juntar todas as minhas adorações em uma coisa só. Enquanto não achava um bom jeito de fazer a tal união acontecer, praticava o prazer secreto de colocar uma lanterna sob uma garrafa terminada só para imaginar as possibilidades iluminadas do futuro. Até que certo dia, enquanto mergulhava fundo no oceano da internet, apareceu um anúncio de uma rolha de plástico da qual saía um fio de LED. A proposta era justamente iluminar garrafas. É sério, Deus? Achei que o Senhor estava bem ocupado com as eternas tensões do oriente médio, com a eterna fome que aflige quase 1 bilhão de pessoas ao redor deste mundo, com as diversas guerras e conflitos que cospem refugiados para todos os cantos. No meio de tudo isso o Senhor teve tempo de inspirar um chinês para fazer o sistema perfeito para iluminar garrafas?! Como agradecê-Lo? Aqui, na minha pequenez, acho que é honrando Sua criação. 

De início fiquei ressabiada em entregar meus dados e meus trocados numa loja virtual desconhecida que prometia uma entrega entre 10 e 45 dias úteis. Muito elástico esse prazo. Deixa para lá. Uma hora a novidade chega por aqui. E chegou! Lá na loja de inutilidades domésticas. Não aqui em Herrsching, é claro. A vocação para o turismo lacustre de terceira idade desta pequena estância bávara não combina com esse tipo de comércio. Fui ser feliz a alguns bons quilômetros daqui.

Uma vez proprietária da rolha iluminadora, separei materiais translúcidos e transparentes para a minha obra. Seria a ocasião perfeita para usar um pires de vidro que pegamos numa caixa de doações. O danado era bem bonitinho, verde, todo desenhado e tinha uns bons lascados aqui e ali. De início achei que o usaria como base para alguma coisa, mas a gente não pode - anote isso aí no seu caderno de diretrizes para a vida - desperdiçar um vidro colorido escondendo sua cor e sua transparência. Anotou? Ótimo! Então o pires iria para uma luminária...mas aí veio a rolha de luz e o pires foi devidamente picotado para ornamentar a garrafa dos meus sonhos.

Maltratado, mas muito digno.

Onde havia um pires passaram a existir tesselas.

Daí para frente todo mundo já sabe como funciona: corta, cola, corta, cola, corta, cola, seca a cola, rejunta tudo, seca o rejunte, limpa tudo, limpa mais um pouco, limpa de novo, coloca a rolha, acha que a rolha não tem nada a ver, troca zapzap com a irmã sobre a rolha, acata a sugestão, pinta a rolha de dourado, acha que a ainda não está bom, cola uma gema em cima da rolha mesmo com o marido sendo contra e aí acha que está ok, harmonioso, funcionando e dentro das expectativas. Sinto falta das tampas de louça e de vidro? Sinto, mas para ter a garrafa dos meus sonhos precisava abrir mão de alguma coisa (nesse caso da estética já conhecida). Quem sabe o mesmo chinês não inventa uma outra rolha de luz com upgrade estético. Quem sabe...

Vamos à diversão!

Fofa! Ela é feliz, mas é discreta. Não sai por aí fazendo post sobre sua felicidade (ao contrário de nós...)

Perfil elegante anunciando que o que está na frente não está atrás.

Parte de trás com sua beleza própria.

Close dos pedaços do pires verde.

Para mim foram os pedaços do pires que deram o toque especial.

A chave mágica, a razão da minha alegria.

Aqui você pode ver a garrafa muito segura de si. Ela pode não ter uma tampa toda ornamentada, mas ela tem luz! Como competir com isso?

Reinando plena e exclusiva.
Há luz...

...por todos os lados!

Fiquei pensando sobre o meu tempo de espera para ter uma garrafa com luz. Poderia dizer que tudo tem seu tempo ou que cada coisa acontece no momento certo. Esses ditos são verdade, mas talvez não nesse caso. A rolha iluminada não é exatamente uma ideia complexa, concorda? Talvez muitos de nós improvisaríamos algo muito semelhante se estivéssemos dispostos a chegar num resultado assim. Não menciono isso porque acredito que deveria ter sido eu a dar a ideia aos chineses, mas porque não sei responder a mim mesma sobre o motivo de não ter encarado com mais atenção o desejo da minha mente inquieta. Aqui é apenas uma garrafa iluminada, mas se faço isso com algo simples, imagine o que acontece com as questões complexas.

E com o amargor desta constatação permitir-me-ei uns instantes de "deixa prá lá" só para ter a mente em paz e apreciar minha garrafa iluminada. Até a próxima!

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Dando asas à perua.


Dizem os especialistas que ao longo da vida nossas orelhas e nosso nariz não param de crescer. Além de outras partes do corpo, eu adicionaria à lista os anéis, os brincos e os colares. Eu fui um dia a discreta, adepta das bijuterias minimalistas. Qualquer acessório além dos mini brincos já era coisa demais. Mas, não sei por qual motivo, a regra foi perdendo efeito ao longo dos anos. Seria o signo solar falando mais alto? Seria a auto censura falando mais baixo? Pouco, muito pouco importa. Tendências "peruescas" assumidas, vamos tratar de expressá-las, afinal não é toda perua que gosta de legging com animal print, de dirigir SUV e de longas unhas decoradas. A minha jovem perua curte a tendência de andar a pé, prefere estampa floral em roupas largas e leves como o vento e mantém as unhas curtas e eventualmente coloridas (de preferência uma mão de cada cor). E para atender aos meus próprios anseios, achei que era uma boa fazer meu próprio colar, logicamente com influências musivas. 

Em outras ocasiões fiz minhas caminhadas por esses campos. A cada peça feita, tive a sensação de que ainda não tinha chegado lá, ou seja, ainda não tinha conseguido me expressar satisfatoriamente nas bijuterias. Agora dei mais um passo numa direção que para mim é boa. Vamos a ele:

Essa é a parte de trás. Como das últimas vezes, a base é feita com tampas de garrafa. Neste colar usei todas do mesmo tipo (Fritz-Kola).
 
Tirei a borda ondulada das tampinhas e preenchi cada uma com pequenos mosaicos de stained glass, miçangas, areia de espelho e contas de vidro.


As peças de vidro foram o elo de ligação entre as tampinhas.
Sim, um guizo para finalizar. Porque eu gosto, porque é lúdico, porque me traz lembranças da juventude.

Belo! Muito belo!

Dá para usar bem próximo do pescoço.

Ou deixar mais comprido, descendo pelo colo.
A sensação de "quase lá" me diz que falta dominar essa caminho que vai desde o que existe dentro da cabeça até as mãos. É um processo curioso esse. Freqüentemente me perco nas curvas ou pego atalhos. O problema destes desvios é não chegar no destino final. A gente chega, mas chega em outro lugar.

Criar e executar também envolve disciplina e, às vezes (ou sempre), a criança interna não fica muito contente com essa história. Ela quer sair pulando e cantando, pisando em poças d'água, deitando na grama, correndo no mato, voando entre nuvens, cheirando flores para sentir se são perfumadas... Sempre há o dilema de quem deve falar mais alto: a disciplina ou a liberdade? Alguém uma vez disse que se a primeira ameaça a segunda, é o momento da segunda falar mais alto. Neste ponto a gente precisa tomar um certo cuidado para não descambar para a boa e velha putaria. Parece, então, que tudo se resolve com o famoso "meio termo". Difícil...bem difícil. É muito mais simples ficar em um ou outro extremo, mas aí não se chega onde se quer chegar. Já pensou nisso? Dilemas, meus queridos, dilemas! A boa notícia é que enquanto estamos vivos, podemos aprender. Que siga o baile!

Até a próxima!
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