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Meu tomate (quase) maduro.

    Era uma vez uma composteira cheia de incríveis minhocas californianas. Para ela destinam-se restos de frutas e vegetais que alimentam as generosas minhoquinhas ao invés de rumarem para o contaminante aterro. Digo generosas porque processam todas essas "sobras" de forma muito competente, rendendo ao final de cada ciclo uma boa quantia de humus. Preste atenção à equação: restos+minhocas=adubo. Alguém vê algum motivo para não fazer isso? Enfim, desde o início a composteira serviu não só para diminuir o lixo como para o aprendizado desta pessoa que vos escreve. Eu diria que uma de minhas especialidades é aprender de novo e de novo as mesmas coisas. Diria que talvez elas não seja m tão óbvias assim, será? Voltando à composteira, passei por um período de adaptação onde precisei perceber que aquilo não era uma máquina onde você aperta um botão de um lado e do outro sai o produto escolhido. Nada disso. Aquilo é um ecossistema e como tal tem seu ritmo próprio e suas particularidades.  A mim coube me curvar à sua cadência. Se eu desejava reduzir o lixo descartado e ainda usufruir de um poderosíssimo adubo deveria entender o ritmo das minhocas. Como pessoa naturalmente revoltada que sou, isso causou um certo desconforto, mas no momento em que vi do que aquela comunidade de anelídeos era capaz de fazer, tirei o chapéu. Incrível! Simplesmente fantástico. Óbvio, você diria. Sem dúvida. Mas ver o óbvio acontecendo sempre me surpreende.
    E de ciclo em ciclo presenciava o despertar de espécies incertas nos vasos adubados. Como coloco sementes de frutas na composteira é esperado que isto ocorra. Tenho pezinhos de lichia que, se forem dar alguma fruta, levará mais uns duzentos anos a considerar a velocidade do seu desenvolvimento. E foi em mais uma dessas manifestações incontestes de vida que uma plantinha mais para frágil do que para robusta despontou em toda parte. Como é de costume deixei que crescesse, ainda que não soubesse o que era. Sabia apenas que tinha um cheiro gostoso nas folhas. Num raro almoço em família aqui, veio o diagnóstico: eram tomateiros. Junto com o diagnóstico a sentença: não dariam tomates pois do tamanho em que estavam já deveriam ter pencas.
    Acontece que tudo aqui em casa tem um ritmo peculiar, não usual. E nesta cadência tímidas, flores surgiram. Umas secaram rápido e outras duas resolveram me presentear com dois frutos, primeiro um e depois o outro. Só por terem surgido para mim já estava de ótimo tamanho, afinal o espaço é precário e os cuidados, confesso, também não são exemplares. Então veio o ataque das cochonilhas. Até hoje não sei porque surgem. Apenas descobri que as joaninhas, as simpáticas joaninhas, são seus predadores naturais. Saí por aí anunciando "comida grátis", mas nenhuma apareceu em meu socorro. Tentei inseticidas naturais (não faz sentido usar veneno químico para um tomate cultivado em casa, correto?), mas também não deu conta. Nas pesquisas que fiz recomenda-se exterminar a planta atacada, mas eu não estava pronta para me desfazer dos meu tomates verdes. Decidi então adubar mais frequentemente para que o tomateiro não morresse de desnutrição. E assim tem sido por um longo e bom tempo. Até que...oh! Um deles começa a mudar de cor. Juro por Deus que foi de ontem para hoje. Não é incrível? É óbvio, você pensa. Sem dúvida. Mas continuo achando fantástico. Olha que belezinha:

Os irmãos tomates: o mais novo é o que está mais alto. O mais velho é do baixo.

       Não faço a menor ideia se serão próprios para o consumo. Também não importa muito, uma vez que são pequenos, coitados. Mas ver a natureza acontecer assim, embaixo do meu nariz faz com que eu me sinta recebedora de um presente. Ou melhor, de dois: um é poder assistir ao surgimento da vida. O outro é poder aprender, mais uma vez, que tudo tem seu tempo para acontecer e quando conseguimos aquietar o coração durante a espera, este tempo se torna um grata aventura.     
Outro ângulo do promissor tomatinho a caminho da maturidade.





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