Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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Garrafa Frankenstein

Nós humanos temos este hábito pouco auto crítico e muito entusiasmado de achar que quando avançamos um passo é como se todo o caminho já tivesse sido percorrido. Que engano! Fiquei um bom tempo nessa inércia quando conseguimos cortar as garrafas de vidro. O topo e o fundo são tirados e o cilindro que resta é usado para luminárias de velas votivas ou cortado em pedaços menores que serão coloridos e utilizados em outras luminárias. Estava muito satisfeita com isso. Achava que reduzir o volume de material que vai para reciclagem já era um bom avanço. De fato é, mas pode ser melhor. Alguns fundos de garrafa utilizo aqui em casa como potinhos para sobremesa e funcionam muito bem. Mas há outros fundos, a maioria deles, que não tem um tamanho bom para isso. E para os gargalos não tinha arrumado nenhuma utilidade ainda. Finalmente chegou o dia em que pude ver o óbvio que bailava discretamente bem embaixo do meu nariz: unir as duas partes e fazer uma nova garrafinha ou um novo potinho.

Peguei alguns pares e colei as partes. Achei que deveriam ser bem vedados, caso alguém decida utilizá-los como vasinhos (não poderia vazar água). Assim nasceram as primeiras peças "Frankenstein". Vejam:
Escolhi a garrafinha para mosaicar primeiro e o resultado foi este:
O andamento das pastilhas é uma verdadeira colcha de retalhos e a parte de trás ficou completamente diferente da parte da frente. Eu arriscaria dizer que você pode ter duas garrafas em uma só. ;-)
O fato é que ficou alegre e parece guardar alguma coisa muito especial (uma poção mágica?!). É aquele detalhe de decoração que diz tudo sobre a personalidade de quem mora ali.
Estava na dúvida se ela devia ou não receber uma rolha. O que você acha?

Bem, depois de alguns dias olhando para ela e ela olhando para mim concluí que sim, a garrafa precisava de uma finalização que a lançasse em direção ao céu. Alguém tem uma rolha aí?

Em com pequenos ajustes a pequena garrafa foi coroada e agora esbanja ainda mais grandeza!


Se quiser ver detalhes técnicos da peça é só clicar AQUI .


Os protetores.

    Já havia um tempo que eu sabia da existência de uma rede de pessoas protetoras de animais aqui na região. Quando travei o primeiro contato fiquei pasma com a capacidade que essas pessoas tem de suplantar obstáculos. Não acontece com elas o que acontece comigo de sentir uma impotência sem tamanho diante de um animal abandonado. Elas dão nó em pingo d´água e não desistem de encontrar uma solução, leve o tempo que for. Naquela ocasião perguntei se podia ajudar de alguma forma. Disseram-me que de quando em quando acontecia um bingo com a finalidade de arrecadar dinheiro para os cuidados veterinários da bicharada de rua. Essas pessoas são discretas e não saem por aí alardeando seus feitos ou chorando as pitangas. De forma que só fui ouvir falar delas novamente quando chegou a ocasião do bingo. Eu não poderia ir, mas queria dar minha participação. Perguntei se poderia doar uma peça para ser prenda de alguma rodada. Aceitaram e achei que o mais pertinente era um porta chaves temático que havia feito.
    Fui levar a peça e nas conversas cujo tema foi unicamente o bem-estar dos bichos da região, fiquei atônita em constatar que eu não imaginava a dimensão dos problemas que acontecem por aqui. Mas também aprendi que a solução dos problemas existe, basta começar a agir. Aí tudo se encaixa aos poucos e acontecem desfechos felizes ou nem tanto, mas ainda assim muito bons considerando o contexto. Concluí que o maior problema dos animais são os humanos e sua forma obtusa de entender a existência. Quanto a isso, não há arrecadação de bingo que dê jeito.
    No final da conversa ainda surgiu um pedido: um porta chaves como aquele, mas com a figura de uma cachorro. Fiquei feliz, lisonjeada e tocada e ouvi que se todos ajudarem uns aos outros, tudo fica melhor. Alguém discorda?
    O melhor de tudo para mim foi saber que existem pessoas assim. Dentre tantas adversidades, os motivos para termos esperanças ainda são maiores.


Tradução do mosaico contemporâneo

    Definitivamente o workshop de Mosaico Contemporâneo exerceu influência muito forte em mim (e foi somente o módulo I...). Ao mesmo tempo que senti vontade de fazer novas peças como a do curso, também achei que seria interessante utilizar as técnicas em peças menores, de consumo teoricamente mais fácil. Seria como se a peça do workshop fosse uma daquelas roupas conceituais, apresentadas em desfiles de modas e as que fiz agora fossem as roupas quem encontramos na lojas: ideais para o dia a dia, mas com influência marcante de um estilo. Tenho a sensação de que a professora Yara Fragoso, se ler isto, terá vontade de me estrangular, esquartejar e fritar em óleo velho de pastelaria vagabunda, mas é como eu concilio estilo e produção neste momento.
    Ainda nas aulas achei que as técnicas casariam muito bem ornamentando peças para velas. Então nasceram dois porta velas de mesa. Achei-os bastante expressivos e decorativos. São peças fortes, porque as técnicas do Mosaico Contemporâneo são fortes, a com grande potencial para fechar gestalts de decoração.
    Apreciem sem moderação, pois o contemporâneo é sentido e intuído. Diante de uma mesma obra, cada indivíduo é capaz de fazer sua leitura própria, de perceber um significado singular.
    Estas duas peças estão à venda na loja virtual do Elo7.






Adriana e o Mosaico Contemporâneo.

    Primeiro foi o workshop de Mosaico Estrutural no começo do deste ano. Depois foi a visita ao workshop da Prof. Yara Fragoso no mês passado. Nas duas situações aquela sensação interior de forte vibração. Como essas sensações são bem viciantes, dei-me o direito de me inscrever no módulo I (são quatro no total) de workshop de Mosaico Contemporâneo, com a mesma Yara Fragoso que, aliás, conheci no workshop de Mosaico Estrutural. Sim, o mundo é um ovo. Como dizia o sábio "o planeta todo tem 300 pessoas. O resto é figurante".
    Mas você deve estar se perguntando o que é Mosaico Contemporâneo, não é? Parafraseando a Prof. Yara "podemos definir o Mosaico Contemporâneo como um meio de comunicação usando materiais em 3D, textura, luz e sombra e, principalmente, o andamento (forma de dispor as tesselas). (...) É um mundo de experimentações com infinitas possibilidades. É a arte pura e simples de criar."
    A minha identificação com esta proposta é muito, muito grande. A infinidade de materiais que podem ser utilizados casa perfeitamente com a minha necessidade latente de reutilização ou "upcycling", se você quiser usar um nome da moda. Para mim é totalmente coerente dar um novo uso a algo cuja função inicial já se esgotou. Antes eu percebia essa minha tendência, mas tentava conferir aos materiais uma característica mais próxima do clássico que fosse possível. Nesse novo contexto não existe esta "necessidade". Você pode usar de tudo. Desde o menos provável, como um pregador de roupas, até o mais provável só que de uma maneira diferente, como pastilhas de vidro, mas aqui posicionadas na vertical, com o corte para cima.
    Esta primeira experiência foi libertadora. Foi a legitimação dos meus instintos. O curioso é que ainda que tudo faça muito sentido para mim, a confecção do meu trabalho foi extremamente desafiadora, tamanha a força das amarras dos conceitos anteriores. Um exemplo simples de entender: no mosaico Contemporâneo o adesivo utilizado faz parte do processo criativo. Isto significa que ficará aparente! Então tive que passar a conceber e a imaginar o que antes era inimaginável. Não significa que as técnicas sejam deixadas de lado. Muito pelo contrário, afinal sem elas não é possível traduzir tudo aquilo que está dentro do indivíduo. A aplicação delas é que é diferente, posicionada em um novo contexto.
    Sei que para muitos uma obra contemporânea traz aquele pensamento de "essa bagunça aí eu também faço". Geralmente não gostamos daquilo que não entendemos e confesso que já pensei isso algumas vezes. Até começar a entender um pouco do processo. Nada ali está posicionado ao acaso. A escolha dos materiais também segue uma linha de raciocínio. Existe um ponto de partida, mas o trabalho é acentuadamente vivo, mudando a cada nova etapa. E assim, olhando com novos olhos, é tudo muito atraente, é uma festa para os sentidos, é um caminho sem volta. Ainda bem!







Trabalho realizado durante o módulo I do workshop de Mosaico Contemporâneo realizado de 22 a 25 de outubro de 2013 no ateliê Arte em Harmonia, ministrado pela Prof. Yara Fragoso.

E agora, Adriana?*

    A jornada até aqui foi muito diversa. Desde os tempos de mumificação egoica dos anos escolares, passando pela liquefação emocional da adolescência, pela autoenganação da juventude até o despertar dos sentidos na fase adulta. Quando fiz a transição do mundo ortodoxo para o mundo heterodoxo achei que a tarefa estava concluída, sendo necessários apenas alguns ajustes de quando em quando. Mania besta esta de supor que tudo foi entendido. A viagem para dentro de si é feita de curvas, curvas fechadas e por isso as surpresas nunca param de chegar, como tortas jogadas na sua cara.
    Se você ficar quieto no momento onde uma dúvida toma conta da sua mente, vai perceber a resposta pulando ali no canto. Às vezes é acompanhada de um luminoso intermitente. Ao olhar para isso, perceberá um resumo da sua vida, onde os momentos relevantes foram grifados com marca-texto. Sim, a resposta sempre esteve lá. Talvez sua constatação não seja confortável, mas a pergunta já foi respondida.
    O "caldo" mais recente que tomei foi a sentença de que dentro da profissão que escolhi, preciso seguir uma vertente. Preciso desesperadamente. Por quê? Porque não dá mais para fingir que não sinto uma torrente de vibração quando rodeio o mosaico contemporâneo. É muito nítido agora. Sabe quando você trava contato com alguma coisa e tem aquela sensação de que o que você pensa/sente não só faz sentido como acaba de ser legitimado porque tem mais pessoas que pensam/sentem como você? É isso! Depois vem aquele sentimento de não ser mais  aquela ervilha sozinha, esquecida no prato.
    O caminho de aprendizado e aperfeiçoamento que se desenha à minha frente não assusta, porque esta é a constante de qualquer coisa que se faça. O que me causa temor é que vou caminhando para o heterodoxo dentro do heterodoxo e não sei muito sobre a aceitação dessa vertente. Contudo acredito que fico destinada à mediocridade se não der a devida atenção a este chamado, que é tão honesto. Assim prossigo, sentido todos os calafrios que uma transição pode causar e a profunda e dolorida paixão de, a cada dia mais, poder ser quem eu sou.





*Alusão ao poema "José", de Carlos Drummond de Andrade


Tapetes amarelos.

    Naquela época, este era mais um dos "eventos" pelo qual eu aguardava com boa expectativa. Na reta final do inverno as árvores da rua, já com folhas novas, floriam loucamente sua pequeninas flores amarelo ouro. À chuva fraca ou ao vento desenhavam-se consecutivos e densos tapetes amarelos. Da calçada de casa era fácil observá-los ao longo da rua, até o final da subida sinuosa. Não havia muitos carros estacionados e os que havia ficavam integrados neste cenário de cor, cobertos também pelos tapetes. Ao se movimentarem, lançavam ao vento as florzinhas que iam contando pelo caminho que a primavera logo estaria ali.
    Numa tarde que não deixava dúvidas de que ainda estamos no inverno, a caminho dos Correios, fui surpreendida. Na rua menos agitada, nas raras calçadas espaçosas, estavam lá, dois tapetes amarelos. Afastei o guarda-chuva, olhei para cima e sorri em resposta às copas verdes, brilhantes, que balançavam suas espigas de florzinhas desesperadoramente amarelas. A chuva e o vento do dia fizeram a delicadeza de tecer aqueles tapetes amarelos, nostálgicos, fora de contexto. Diferente de antes, passei sobre eles. Não queria pisar nas flores, mas precisava sentir aquela fração de paisagem que me sugeria memórias tão reconfortantes. Claudicante que sou para acompanhar a tecnologia, não tive como registrar o cenário. No dia seguinte, como não chovia mais, os funcionários dos condomínios daquela rua prontamente desmancharam minhas memórias, atendendo à expectativa do time daqueles que chamam as flores no chão de sujeira.
    Nos dias que se sucederam à visão furtiva do passado, atinei meu olhar para as calçadas. Para não dizer que não vi mais nada, uma ou outra florzinha me acenou com timidez. Há carros estacionados por todos os lados em todas as ruas, as calçadas encolheram, várias árvores perderam seu lugar na cidade para espécies que não atrapalham os fios de luz...e que não fazem sujeira. As sobreviventes tentam, mas não há mais como tecer os mesmos tapetes amarelos.


Inverno estéril.

    Acho bonita a cadência das estações. Gosto de ver a transformação de tudo que tem vida, me agrada a mensagem de ciclos que se sucedem, sempre dando chance a um recomeço. Minha preferência escancarada fica com o outono e a primavera. A característica mediana destas estações entende alguma suavidade, mudança paulatina, nada de brutalidade, mas um aviso gentil do que há mais à frente. Se tiver que optar quanto aos extremos, inverno, sem dúvida. O desconforto uma hora se resolve no aconchego da cama e não é preciso escolher a melhor hora para ir caminhando daqui até ali. É até muito bom, pois aquece o corpo.
    Depois de uma coleção de dias deslumbrantes que nos fizeram esquecer que a Terra gira sobre seu eixo inclinado, vieram os dias mais impiedosos. Aí pensamos com seriedade naqueles que não tem um teto sobre suas cabeças e, quando o dia amanhece, pensamos nos frentistas e trabalhadores da construção civil que passarão suas horas de trabalho sob o açoite do vento e da garoa. Há tempos não tínhamos uma sequência de dias com temperaturas abaixo de 10 graus Celsius. No quarto dia digo que somos todos frentistas e pedreiros, pois dentro de casa está tão frio quanto fora, sai aquela fumacinha da boca no meio da sua sala de estar, o aquecedor não vence, as costas doem tensionadas pelo frio, a cabeça dói porque as costas estão tensas e os pés gelados, os pés doem porque estão gelados e assim vai. Fica nítida nossa fragilidade e somos impelidos as recolhimento. Vejo as ruas mais vazias e tudo se manifesta pela metade. Muita coisa simplesmente não acontece, independente do que se faça. Então surge a angústia que cresce a cada novo dia sem sol. É inverno, é inverno, é assim mesmo, repito para mim. Decido que vou entender este período estéril e solitário como uma fase necessária à germinação, à continuidade dos ciclos. Dedico-me a semear o que conseguir de melhor, crente de que haverá a colheita. Em algum momento há de existir novamente a fluidez que dá aquele brilho tão especial à vida. Mas agora não. Agora o momento é outro e é preciso lidar também com isso.


Meu tomate (quase) maduro.

    Era uma vez uma composteira cheia de incríveis minhocas californianas. Para ela destinam-se restos de frutas e vegetais que alimentam as generosas minhoquinhas ao invés de rumarem para o contaminante aterro. Digo generosas porque processam todas essas "sobras" de forma muito competente, rendendo ao final de cada ciclo uma boa quantia de humus. Preste atenção à equação: restos+minhocas=adubo. Alguém vê algum motivo para não fazer isso? Enfim, desde o início a composteira serviu não só para diminuir o lixo como para o aprendizado desta pessoa que vos escreve. Eu diria que uma de minhas especialidades é aprender de novo e de novo as mesmas coisas. Diria que talvez elas não seja m tão óbvias assim, será? Voltando à composteira, passei por um período de adaptação onde precisei perceber que aquilo não era uma máquina onde você aperta um botão de um lado e do outro sai o produto escolhido. Nada disso. Aquilo é um ecossistema e como tal tem seu ritmo próprio e suas particularidades.  A mim coube me curvar à sua cadência. Se eu desejava reduzir o lixo descartado e ainda usufruir de um poderosíssimo adubo deveria entender o ritmo das minhocas. Como pessoa naturalmente revoltada que sou, isso causou um certo desconforto, mas no momento em que vi do que aquela comunidade de anelídeos era capaz de fazer, tirei o chapéu. Incrível! Simplesmente fantástico. Óbvio, você diria. Sem dúvida. Mas ver o óbvio acontecendo sempre me surpreende.
    E de ciclo em ciclo presenciava o despertar de espécies incertas nos vasos adubados. Como coloco sementes de frutas na composteira é esperado que isto ocorra. Tenho pezinhos de lichia que, se forem dar alguma fruta, levará mais uns duzentos anos a considerar a velocidade do seu desenvolvimento. E foi em mais uma dessas manifestações incontestes de vida que uma plantinha mais para frágil do que para robusta despontou em toda parte. Como é de costume deixei que crescesse, ainda que não soubesse o que era. Sabia apenas que tinha um cheiro gostoso nas folhas. Num raro almoço em família aqui, veio o diagnóstico: eram tomateiros. Junto com o diagnóstico a sentença: não dariam tomates pois do tamanho em que estavam já deveriam ter pencas.
    Acontece que tudo aqui em casa tem um ritmo peculiar, não usual. E nesta cadência tímidas, flores surgiram. Umas secaram rápido e outras duas resolveram me presentear com dois frutos, primeiro um e depois o outro. Só por terem surgido para mim já estava de ótimo tamanho, afinal o espaço é precário e os cuidados, confesso, também não são exemplares. Então veio o ataque das cochonilhas. Até hoje não sei porque surgem. Apenas descobri que as joaninhas, as simpáticas joaninhas, são seus predadores naturais. Saí por aí anunciando "comida grátis", mas nenhuma apareceu em meu socorro. Tentei inseticidas naturais (não faz sentido usar veneno químico para um tomate cultivado em casa, correto?), mas também não deu conta. Nas pesquisas que fiz recomenda-se exterminar a planta atacada, mas eu não estava pronta para me desfazer dos meu tomates verdes. Decidi então adubar mais frequentemente para que o tomateiro não morresse de desnutrição. E assim tem sido por um longo e bom tempo. Até que...oh! Um deles começa a mudar de cor. Juro por Deus que foi de ontem para hoje. Não é incrível? É óbvio, você pensa. Sem dúvida. Mas continuo achando fantástico. Olha que belezinha:

Os irmãos tomates: o mais novo é o que está mais alto. O mais velho é do baixo.

       Não faço a menor ideia se serão próprios para o consumo. Também não importa muito, uma vez que são pequenos, coitados. Mas ver a natureza acontecer assim, embaixo do meu nariz faz com que eu me sinta recebedora de um presente. Ou melhor, de dois: um é poder assistir ao surgimento da vida. O outro é poder aprender, mais uma vez, que tudo tem seu tempo para acontecer e quando conseguimos aquietar o coração durante a espera, este tempo se torna um grata aventura.     
Outro ângulo do promissor tomatinho a caminho da maturidade.





Novamente Chillon

Alguém se lembra de uma mandala que fiz inspirada em uma figura entalhada em um móvel de madeira que estava no castelo de Chillon? Se não lembra, veja aqui. Se lembra, boas novas: nasceu uma irmã!

A inspiração veio exatamente do mesmo móvel, veja:

E a minha versão ficou assim:


Recém terminada, a ansiedade foi tal que nem deu para esperar a luz do dia para fazer um foto mais decente, com um fundo que ofereça contraste e valorize as cores. Não senhor, senti urgência em oferecer ao mundo a beleza destas pastilhas que só quem pode "ver com a mão" apreciará a riqueza. Totalmente diferente da anterior, esta tem ares soturnos, misteriosos e elegantes.

Da mesma maneira que antes, continuo convicta de que não inventamos nada, apenas resgatamos o que já existe. Mas uma coisa me intrigou: fazer uma mandala é diferente, o trabalho flui de uma maneira particular. Já ouvi falar de seus poderes para harmonizar energias, mas com a sensação tão fresca fui pesquisar rapidamente sobre este símbolo tão antigo. Antigo mesmo, século VIII a.C. é de onde remontam as primeiras referências. Mandala significa círculo ou concentração de energia. Podem ser usadas como instrumento de concentração para atingir estados superiores de meditação. Hum...agora as coisas começam a fazer sentido. Li também que são capazes de ativar e irradiar energia, trabalhando na harmonização do ambiente e que trabalhar com mandalas é uma forma carinhosa de abrir o coração para a criatividade, a intuição e o amor. Hum...tudo faz sentido agora. Então sugiro que você experimente desenhar e colorir uma mandala e depois me conte se sentiu algo de bom.

Agora sim, fotos um pouco mais dignas:



 
Esta mandala está à venda na loja virtual. Acesse e confira!


 


Viajar de carro.

    Fazia tempo, muito tempo, que eu não fazia uma boa viagem de carro. Dessas que não é para ter pressa pois quem vai de carro ao invés de tomar o avião é porque aprecia o percurso tanto quanto o destino.
    Como esta eu nunca tinha feito: a bordo de um Opala de luxo, laranja, 1974. Devo informar que o conforto é inegável. O carro é extremamente macio e mais ergonômico do que os atuais.
    Época do ano propícia para estar em um carro sem ar condicionado. Rumamos para o sul, mais apropriado ainda. Havia esquecido como é se deixar ficar em estado contemplativo, descobrindo paisagem após paisagem, colocar a música preferida para tocar e deixar o sol, a vegetação, o céu e o relevo cantarem a poesia.

    
    No meu mundinho de creme para isso e creme para aquilo, deixei a vaidade de lado para permitir que o vento me (des)penteasse. E, sinceramente, como é gostosa a sensação de ter os cabelos esvoaçando livres, loucos, libertos.
 

    Parar a cada tanto percorrido, um bom carro, um bom motorista, água, protetor solar e bons óculos escuros é o que se precisa para viajar com tranquilidade.


    O resto é história, é memória, novas andanças e novas lembranças.



Será que te conheço?

    Quando abriram-se os portais da Era de Aquarius tomei como certo que mergulharíamos num grande bolsão de esperanças, de regeneração e evolução. Ingênua? Pode ser. Afoita, imediatista? É, acho que é esse o caso. Contudo não vi nenhuma placa que indicasse declive tão acentuado à frente. E é aí que não entendi mais nada. Sinto que tomamos o caminho inverso às estradas de serenidade, compreensão, amor fraterno e toda essa turma. O caminho está tão diferente do que eu imaginei que acabei eu mesma assustada com minha intolerância. É tudo tão extremo que não sei para que lado ir. Não consigo me identificar com a nova ordem e por vezes, muitas vezes, prefiro fechar portas e janelas para não ver o que está fora. O motivo é simples: percebi que não consigo lidar com o que está lá. Não sei nem por onde começar. Assusta-me a indignação que cresce desacompanhada de ações. Todos se revoltam em relação a tudo, 80% das vezes com razão, afinal não há mais lugar neste mundo para uma série de coisas. Que bom, então? Não, afinal esta movimentação toda não tem sido acompanhada por atitudes que ajudariam a solucionar os problemas. Fala-se muito, muito mesmo e o tom é alto. Mas as palavras se perdem, sem significado real.
    Assim, com uma sensação prá lá de esquisita, não consigo mais reconhecer as pessoas que achava que conhecia. Arregalo os olhos para tentar enxergar algo que certamente não vi até até então e tento entender como é possível exaltar monstros do passado para expressar a insatisfação com o presente. Ao voltar a respirar após o sopetão, permaneço estarrecida com a minha dúvida: eu também integro este grupo que aos meus olhos parece sinistro, indesejado, mau amado? Caramba! E agora? Agora fica ainda mais evidente a solidão, pois no final de tudo estamos realmente sozinhos, sempre. Não importa o tamanho do seu círculo de convívio, no apagar das luzes estamos sós, eu comigo, você cosigo e ninguém pode salvar ninguém das próprias verdades, dos próprios medos, das próprias perguntas...e respostas. O caminho da cada um é trilhado apenas com dois pés. Mas a ilusão de que não é assim reconforta bastante e ter isso se esvaindo um pouco mais a cada dia me entristece.
    Você também se sente assim? Sente que estamos em uma espécie de "stand by", num entardecer incompleto na expectativa de não se sabe o quê? Sente que tudo se desintegra velozmente? Que não conseguimos desatar as amarras que nos impedem de agir?


Você conhece o Mosaico Estrutural?

    Quem anda mais pelo Facebook do que por aqui certamente responderá que sim. Mas para quem já perdeu, ou nunca teve, paciência para as redes sociais eu faço questão de apresentar. Trata-se uma técnica criada pelo artista Marcelo de Melo onde o mosaico não é apenas decorativo, mas atua na sustentação do trabalho. O resultado são peças de beleza e formas inesperadas.
    Agora vamos por partes. Recomendo, e muito, que você conheça o trabalho do Marcelo, este brasileiro que já está há mais tempo fora do que dentro do Brasil. Visite o site: www.mdemelo.com . Por aí você poderá perceber a versatilidade da expressão artística dele. Se você está no Facebook, pesquise "Structural Mosaics Workshops" e veja a produção resultante dos cursos que aconteceram nos meses de março a abril aqui no Brasil.
    Isto posto, vamos aos devaneios que povoaram esta pessoa durante o workshop que aconteceu em São Paulo, em março. O curso foi em território conhecido, o ateliê da Tânia Kassya (conheça aqui), mesma cena do crime do curso da Orsoni de 2011. Assim eu sabia que seria muito bem recebida, mas não sabia muito bem o que esperar do workshop. Ainda bem! Porque a experiência foi bem intensa. Primeiro me encantei com a técnica em um nível superlativo porque ela permite criações prá lá de livres. Não há limites e logo nos primeiros instantes já dá para perceber isso. Eu não estava me vendo, mas acho que devo ter feito uma cara de criança na loja de doces quando me dei conta de que o céu não era a linha final. Apenas tomei o cuidado de não viajar demais na maionese, mesmo com a tentação sendo grande, para poder terminar a peça durante o curso, aproveitando ao máximo as orientações do professor em cada fase do projeto.
    Meu segundo encantamento foi justamente com o professor. Em todo meio é comum encontrar quem suba no salto Luís XV quando domina o assunto. Em mosaico isto não é diferente e existem histórias pavorosas de professores que jogam o material do aluno no lixo (literalmente) por não ser o que há de melhor no planeta. Só que o Marcelo é o oposto disso e mostrou-se imensamente humilde e acessível. O que mais um aluno pode querer? De uma sensibilidade amorosa, entendeu e respeitou o processo criativo de cada um, embarcando inteiramente no universo alheio para poder orientar de maneira específica. 
    Então vamos às fotos!
Acima - com a base pronta, recebo a orientação de como transpor minha idéia rascunhada no papel para uma superfície 3D.

Abaixo - dá-lhe revestimento! E...um dos lados ficou pronto.

Abaixo - parecendo um espectro do outro mundo, com a mão na massa trabalhando o outro lado.

E depois da última tessela aplicada, recebendo o certificado.

    Foi uma semana que me abasteceu de inspiração, que abriu minha mente um pouco mais, que reforçou minhas convicções, que me fez mudar de opinião (adoooooro!!!!) sobre algumas coisas e acreditar ainda mais em outras. Fiquei flutuando uns dias depois, com aquela sensação de gratidão que brota bem no centro do peito.

    O acabamento fiz em casa e a peça ficou assim:

Enquanto fotografava, achei que dava para explorar ainda mais as formas. Então desci para o jardim e te convido a enxergar com os meus olhos:




    Não sei você, mas eu acho demais poder dar esta sensação de leveza e movimento a algo tão sólido. Vivas à técnica e ao seu criador!





Frete Grátis!!!

Bom dia de sol a todos!

Uma ótima notícia: de 25/04 até 30/04 alguns produtos da loja on line terão frete grátis para envio por PAC! O presente para a sua mãe pode estar aí...
Veja quais são:





Acesse www.lucanomosaico.elo7.com.br e confira!

"This little light of mine"

    Esta é a história das luminária para velas de sete dias. Por trás de uma ideia existe algo maior e mais profundo, uma crença, uma filosofia talvez.
    Após o nascimento das primeiras luminárias o olhar para tudo que fosse de vidro tomou novas proporções. O gosto da novidade, a empolgação e o encantamento me faziam ter vontade de revestir tudo que fosse transparente para poder brincar com a luz. Era comum gastar um bom tempo nas lojas de R$1,99 imaginando se tal pote resultaria em algo viável ou não. Numa destas vezes comprei o recipiente padrão para velas de 7 dias, aquele que tem a base de metal (não sei qual) onde você coloca a vela e um cilindro de vidro para posicionar por cima. Diga-se de passagem acho aquilo uma coisa tosca e horrenda. O material é ruim, o acabamento é pior ainda e o visual é pobre. Mas foram estas faltas de qualidade que incentivaram minha compra. Acontece que a cabeça aqui não se aguenta no lugar por mais de dez minutos e mergulhei na questão de porque aquilo era tão feio, justo uma peça que estava relacionada ao exercício da fé. Achei uma contradição pois acredito que a beleza nos aproxima um tanto assim de Deus e que simplicidade e despojamento não significam precariedade. Acho ainda que isso é uma espécie de consenso, pois se não fosse os mosteiros e templos não seriam lugares tão belos e sublimes, onde você sempre sai com a sensação de que ali é muito mais fácil ter fé.
    Com esta convicção tinindo, comecei a trabalhar a peça. O resultado ficou ok.

   Mas por hora havia desistido pois o tal porta-velas do R$1,99 era mesmo de lascar, muito torto e não adiantava colocar o revestimento que fosse numa coisa que não ajudava.
    Para minha alegria, minha irmã e parceira criativa (no sentido mais amplo possível do termo) viabilizou os vidros coloridos, pintados artesanalmente. Não eram vidros novos, mas sim reutilizados, ou seja, garrafas e potes eram cortados e então pintados. Por serem mais transparentes do que as pastilhas, a projeção de luz colorida é mais marcante e a sustentabilidade do material não deixou dúvidas de que era hora de tentar de novo. O resultado foi este:

    O princípio é o mesmo: uma base e um cilindro. Só que aqui tudo é reutilizado - a madeira da base, o cilindro, que é uma garrafa cortada e o revestimento de diversos tipos de vidro cortados e coloridos. Agora sim estava tudo alinhado com o que eu sentia. A aceitação foi boa e outras vieram na sequência, com uma diferença aqui e outra ali.




   Mas aí, já acostumada com isso passei a achar que este formato estava austero de mais e que a peça precisava de mais vida. Então nasceu a versão 2013:

   Todas as cores do arco-íris continuam ali, mas misturadas em arabescos. E quem não concordar que luz colorida eleva o espírito, que assopre a primeira vela.

   Por falar em luz e cores, segue o resultado final das luminárias mostradas aqui no último texto. Mostrei as cúpulas e o casal de clientes confeccionaria as bases. Assim fizeram e eu amei o resultado final:
    Para embalar toda esta conversa, sugiro uma trilha sonora para todo mundo ficar brilhando!
http://youtu.be/ZZ6SAryPyQk