Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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Enfim, primavera!

Não é segredo para ninguém que a gente conta os dias, as horas, para o fim do inverno. Nossa esperança é que de um instante para o outro os dias tenham mais horas de luz e as temperaturas se fixem entre 15 e 20 graus (que tal?). Bem, parte disso acontece mesmo. A Terra, com seu eixo inclinado, gira ao redor do sol e isto, somado ao horário de verão que começou há um mês, faz com que o sol nasça às 5:45 e se ponha às 20:23. É uma baita diferença! Não é à toa que os passarinhos cantem tanto e os corvos fiquem praticamente sem motivo para reclamar. Algo semelhante acontece conosco. Tem gente assobiando por aí e é até possível se deparar com algum alemão sendo simpático. Eu me cago de medo com isso, pois acho que os acontecimentos extraordinários alteram a ordem natural das coisas, podendo provocar furacões, terremotos e tsunamis. Mas ainda com este risco eminente, prefiro ver meus anfitriões mostrando seus dentes e com o semblante mais relaxado. Se é para morrer num cataclisma, que seja depois de receber um sorriso.

E foi nesta onde de amar a vida, abraçar árvores e cumprimentar cada pardal que cruza meu caminho que fiz esse vaso. Revesti a cerâmica com pastilhas de vidro de diversos tipos, algumas bijouterias e algumas contas de vidro. Eu amei! Para falar a verdade, no começo não. Eu iniciei este vaso antes das férias e terminei depois de voltar. Isso pode resultar numa peça inconsistente, mas depois do rejunte achei que estava tudo bem e já podia cobrí-lo de beijos e juras de amor. Que ele seja a celebração da vida que volta tão vibrante, da luz que nos brinda generosa e das temperaturas...as temperaturas...essas f*#@* da p#@*& estão de gozação com a gente. Dizem que isso é típico de abril, ninguém sabe o que pode acontecer com o clima durante este mês. Bom, acho que em maio a felicidade estará, enfim, completa. Falta muito pouco. Celebremos!





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Luminária Estrela.

A vontade era matar a saudade de montar uma luminária para velas que trouxesse cores. Outra vontade era reutilizar o máximo possível de materiais. Aliás, cada dia mais sinto que meu caminho vai nesta direção. Esse pensamento fica martelando na minha cabeça e quando reutilizo qualquer coisa, tem uma voz lá dentro que diz "é isso aí!!!!", cada vez mais alto e mais claro. Acho que por isso sempre vou insistir nesse assunto. O mundo é um só, minha gente. Não dá para seguir adiante como se não fosse. Então vamos abrir nossas mentes para aquilo que é diferente do que conhecemos. Vamos assumir responsabilidades ao fazer escolhas. Temos um poder enorme nas mãos.

Voltando à luminária, ela tem 80% de material reutilizado - vidro. Há vidro de garrafas (verde, azul e marrom) e vidros de frascos diversos que foram pintados com verniz vitral. Eu gosto de misturar vidros de diferentes espessuras porque ma agrada a textura que trazem para peça.

Em algum momento lá atrás, fiz umas luminárias com o revestimento "vazado" (veja aqui e aqui) e quis fazer  assim novamente. Desta vez uma estrela. Também adicionei umas miçangas e acho que em algum momento quero fundir o visual das garrafas revestidas de mosaico às luminárias. Veremos quais cenas o futuro nos trará...

Uma coisa que acontece com freqüência comigo é ter uma música na cabeça. Quando faço mosaico, geralmente o disco fica riscado e uma única música se repete até que tudo esteja concluído. Freud, meu querido, será que o Sr. poderia ajudar com isso? Enfim, a música que acompanhou a gestação e o nascimento desta luminária foi "Noite do meu bem". Então vou juntar as duas coisas para que você se transporte um pouco para o meu mundo. Lá vai:

"Hoje eu quero a rosa mais linda que houver e a primeira estrela que vier para enfeitar a noite do meu bem.
Hoje eu quero paz de criança dormindo e abandono de flores se abrindo para enfeitar a noite do meu bem."

"Quero a alegria de um barco voltando, quero ternura de mãos se encontrando para enfeitar a noite do meu bem.
Ah, eu quero amor, o amor mais profundo, eu quero toda a beleza do mundo para enfeitar a noite do meu bem."

"Quero a alegria de uma barco voltando, quero ternura de mãos se encontrando para enfeitar a noite do meu bem.
Ah, como esse bem demorou a chegar!
Eu já nem sei se terei no olhar toda a pureza que quero lhe dar".
Se você não faz nem ideia de que música é essa, clique aqui para ouvi-la na voz de Dolores Duran.

Nesta última foto, a Luminária Estrela faz pose ao lado de suas irmãs mais velhas que também têm muito vidro reutilizado. Como você pode ver, a vida no vale da reutilização é só amor.

À espera da Primavera.

A gente acha que está tudo bem, que estamos levando o inverno numa boa, que talvez tenhamos aprendido a nos defender dos dias eternamente cinzas e juramos que aquela escuridão toda praticamente passou despercebida. Até que acontece um dia de sol. Mas sol de verdade, com céu azul, sem nenhuma nuvem no céu para contar história e inacreditáveis 10 graus de temperatura. Nesse dia percebemos que estivemos fingindo até então, não estava tudo bem, não mesmo! É o que chamo de percepção por contraste, ou seja, só percebemos que uma coisa é muito boa pela oposição imediata que ela faz com uma ruim. Esse "choque" mostra como temos mesmo aquela capacidade de, um pouquinho por dia, ir nos ajeitando no meio de uma coisa ruim pacas.

Mas o que importa aqui e agora é o efeito que esse dia de sol inegável tem na cidade. Tudo, tudo, tudo desperta. Todas as pessoas estão nas ruas, todos os bancos em todas as praças estão ocupados. A única coisa que importa é aproveitar esse momento de luz e calor (calor, aqui, em termos relativos, ok?). Quem pode deixar o que iria fazer para depois, deixa mesmo, sem dor nenhuma na consciência. Ali percebemos que a esperança de dias mais agradáveis é uma coisa que alimenta nossa alma ressequida de um jeito insperado, que nos faz sentir um afeto por tudo e por todos. A vida volta a ser possível e, meu Deus, que força ela tem!!! Sim, a primavera não está tão longe. Em contagem regressiva poderemos voltar a enxergar cores pois haverá cores! Dá uma satisfação em estar vivo e isso basta.

Eu poderia passar horas esmiuçando esse sentimento tão bem-vindo, mas o que quero dizer é que ele foi a inspiração para minha nova garrafa decorada em mosaico. É uma garrafa pequena cuja tampa é a coisa mais fofa que se pode conceber. Aprecie este pequeno poema de vidro que fala de esperança e daquele carinho que mora dentro de nós e salta para fora quando menos esperamos.





Esta jóia está na loja do Etsy. Não conhece? Vai por AQUI! Até a próxima!

A Sardinha Mutante.

Na última viagem a Portugal fiquei impressionada como o Porto mudou. Graças à Ryanair, e outras empresas que operam no mesmo estilo, a cidade do Porto passou a ser ponto de chegada e partida de vôos muito baratos. O resultado foi um ótimo fluxo de turistas da Europa que passaram a entrar em Portugal pelo Porto. Na sequência disso, a cidade tornou-se efervescente, melhorou horrores a infra para os turistas e adquiriu aquele apaixonante ar de cidade cosmopolita.

Foi neste contexto que o artesanato local, visando cativar a pluralidade dos novos visitantes, se reinventou. Você pode encontrar cerâmicas tradicionais e também a "versão atualizada". Muito interessante de se ver. Um dos motivos que vemos estampados em tudo que é tipo de produto, além do galo de Barcelos, são as sardinhas. Elas aparecem sempre com muito bom humor e originalidade e, se eu não tivesse uma passagem da Ryanair, teria comprado alguma sardinha de recordação. Mas como não era esse o caso, me servi da empolgação recém adquirida para fazer minha própria sardinha. Como as novas sardinhas de Portugal são tudo, menos tradicionais, fui também por esse caminho e mandei a literalidade (de quem nunca fui muito amiga) passear em outras bandas. Para compor meu mosaico escolhi cerâmica, pastilhas de vidro e tampas de garrafa. Sim, uma vez mais reafirmo minha predileção pelas tampinhas daqui.


Elas não são simplesmente o máximo? São ricas nas cores, nos desenhos e estão por toda parte. Em Berlim há muitas "spätkauf", que são lojinhas de conveniência que ficam abertas até mais tarde. Entenda que uma grande necessidade do berlinense não é comprar shampoo ou Miojo na loja de conveniência. O que ele precisa mesmo é de cerveja, então este é o principal produto dessas lojas. O resultado: tampinhas de garrafa por todos os lados. Também dá para pegar muitas tampinhas nas próprias lojas. Aqui pertinho tem um restaurante que forrou suas mesas com as tampinhas das bebidas que vendeu, ou seja, tem mais gente apaixonada pelas ditas cujas.

Para minha sardinha, "abri" as tampinhas usando um pequeno martelo e com elas fiz as escamas. Mais uma tampinha aqui e outra ali para os detalhes. Ainda que não tenha saído do lugar comum, sinto uma alegria tremenda quando consigo fazer um trabalho bacana reutilizando qualquer coisa que seja. É uma questão minha mesmo. Eu já fui aquela pessoa para a qual o único significado de beleza no mosaico era traduzido pelo smalti. Aos poucos mudei meu modo de pensar. Continuo achando o smalti lindo, mas também acho que o mundo é muito amplo e seria um grande pecado limitar as escolhas a um único material, por mais tradicional que ele seja. Sem falar que nosso amado planetinha fica bem contentinho quando você reutiliza alguma coisa. Só vejo vantagens.


Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho maior.

Já usei tampinhas outras vezes (veja aqui, aqui e aqui) e a cada novo mosaico com elas tenho uma ideia para o próximo.

Se você não se sente tão confiante para usar outros materiais para seus mosaicos, há um livro chamado "Making Mosaics with Found Objects", da autora Mara Wallach (foto abaixo). No livro há vários projetos de mosaicos que incorporam objetos dos mais variados que você pode achar no fundo daquela gaveta que não é arrumada há décadas. Tudo vale. Tudo pode. Uma coisa eu garanto, se você ousar incluir uma moeda que seja no seu próximo trabalho, nunca mais vai olhar uma caçamba com os mesmos olhos. Sem falar nos bazares da pechincha que guardam tesouros! Está vendo como o mundo é vasto?

Livro para quem precisa desmistificar o uso de outros materiais na composição do mosaico.

Mosaicos no Castelo de Wartburg.

O Castelo de Wartburg está localizado numa colina na cidade de Eisenach, no estado da Turíngia. Dizem que a construção original data de 1067, ou seja, é antigo naquele tanto que a gente nem consegue imaginar muito bem - o bisavô de Pedro Álvares Cabral não tinha nascido ainda, para você ter uma ideia...

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Localização do Castelo de Wartburg - bem no centro da Alemanha.




Ao longo dos anos a construção foi sofrendo uma série de alterações (no melhor estilo "puxadinho daqui e dali") e a parte que pode ser vista hoje foi, majoritariamente, construída no século XII. O Castelo foi considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1999 por ser um rico exemplar do período feudal na Europa central.

Vista do Castelo de Wartburg a partir da sua entrada principal.



Foi no Castelo de Wartburg que Martinho Lutero se escondeu quando foi perseguido. Lá traduziu o Novo Testamento para o idioma alemão e hoje o local é ponto importante de visitação para os Luteranos. No século XIX o castelo passou por uma grande renovação e redecoração. Foi nessa ocasião que configurou-se no último andar uma sala de concertos com acústica impecável. O local é utilizado até hoje para essa finalidade e as temporadas de concertos de verão que acontecem lá são muito famosas por toda a Alemanha. No interior do castelo há ainda uma rica coleção de arte e outros ambientes históricos. Contam que Santa Elisabeth viveu no Castelo de Wartburg e, no início do século XX, uma sala foi ornamentada com mosaicos que homenageiam sua vida. Os mosaicos cobrem todas as paredes e o teto e os visitantes ficam de queixo caído com tanta beleza.








Se tiver interesse em saber mais sobre o castelo, há uma série de informações muito interessantes no site oficial - www.wartburg.de. Ali você também consegue fazer uma visita virtual, inclusive pela sala da Santa Elisabeth. Vai por esse link para fazer o tour: http://www.wartburg.de/NR2/ 
Há uma seta à direita, no meio da tela, para você avançar pelos ambientes. A sala dos mosaicos é a nona nessa sequência. Seja feliz!