Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

Se quiser conhecer os mosaicos que faço, visite minha fanpage "Lucano Mosaico" no Facebook, onde há fotos de tudo o que já foi feito por mim. :-)

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Manifesto sobre a Assimetria.

Esse é o nome do mosaico que fiz.

Sou dessas pessoas que questionam coisas. Sou do signo de leão com ascendente em libra. Recentemente descobri que meu signo lunar é gêmeos. Talvez essa combinação seja a causa da minha rebeldia inerente, mas não tenho certeza. O que sei é que não me identifico nada, mas nada mesmo, com alguns parâmetros que as pessoas espalham por aí. Essa questão da simetria x assimetria é uma delas. Se você der um Google nessas palavras, basicamente lerá sobre dimensões e formas, sobre a simetria presente na natureza e na matemática, verá desenhos e fotos de coisas que quando divididos em partes, uma pode ser sobreposta à outra com perfeição e verá várias vezes a palavra beleza. Associa-se a presença de simetria à beleza, ou seja, se é simétrico então é bonito.

Nem precisa dizer que é nessa parte que meu humor muda. Simetria não é algo relativo, mas beleza...ah, amiguinhos, está aí um conceito que muda todos os dias, que precisa de contexto para acontecer. Pensando um par de minutos você poderá citar algumas coisas que são consideradas belas hoje, mas que no passado não eram. O contrário também vale. O meu ponto é que a beleza é um conceito subjetivo, íntimo e complexo. É nisso que acredito. Confesso que não entendo muito bem a obsessão humana por beleza. Nessa busca desesperada vai todo mundo para um lado só, enquanto há um universo de tantas outras coisas fantásticas acontecendo do lado de lá. Acho isso triste.

O que fiz nesse mosaico foi zombar descaradamente da simetria e de outros pequenos conceitos que, no mundo do mosaico, são tidos como pré-requisito para dizer se um trabalho é belo. Na base, nada bate com nada. Parece que bate, mas não. Usei dois restos de cortes de um círculo e a parte retangular foi a lateral de uma gaveta. Isso significa que uma das suas bordas reta e a outra arredondada. Comecei o revestimento pelas extremidades, repetindo os elementos no lado oposto correspondente. Porém coloquei pedras e conchas no meio dessa história só para ter certeza de que não casaria mesmo, para somar mais assimetria na minha assimetria inicial. E fui seguindo nessa busca do impossível (que é o que fazemos na vida quando tentamos nos encaixar nos padrões), repetindo os elementos dos dois lados. Quando a assimetria se fazia mais do que evidente, suprimia algum elemento para tentar resgatar a simetria que em momento algum existiu. Ou seja, eu aumentei a assimetria para diminuir a assimetria. Faz todo o sentindo. O trabalho como um todo virou uma espécie de "jogo dos sete erros". Você pode gastar alguns momentos encontrando as diferenças.

Ao primeiro olhar, nada parece estar fora da ordem.




E a peça desempenha lindamente na parede, ao lado das coleguinhas. 

Formando uma grande família de assimétricos assumidos.
O que acontece aqui é que o conjunto tem lá sua harmonia e isso prevaleceu. No fim pouco importa a precisão milimétrica. Importa a gana, a paixão, a intenção, o ideal, a expressão, a mensagem. Importa que cada um sinta a liberdade inata e genuína para ser o que é. Isso fica bem pertinho da beleza. Um viva para a assimetria!

O despertar da bijuteria.

Falar sobre as estações do ano, sobre as variações de temperatura e a presença ou ausência de sol tornou-se uma constante por aqui. Desculpa, gente! Mas acho que não terá outro jeito por enquanto. Isso me afeta profundamente, afeta meu humor, minha identidade, a maneira como me expresso, a maneira como me relaciono, afeta o olhar que tenho sobre o mundo. Talvez não seja exagero dizer que sou uma pessoa a cada estação do ano. Se um dia isso vai passar (ou ser mais brando), eu não sei dizer. No agora é assim que me percebo. Então vamos falar sobre os efeitos do verão.

O que acontece na estação mais festejada do ano é uma certa histeria. Temos luz em quantidades cavalares. No seu auge são 18 horas de luz. Quando faz calor, faz MUITO calor, mas não é certeza que o sol apareça. Quando ele aparece, a vida só acontece do lado de fora. Tem cinema, shows e concertos ao ar livre, festas e eventos que só acontecem no verão. É preciso fazer uma boa provisão de caixa se você quiser aproveitar tudo o que acontece nessa época. Pessoas dão um jeito de faltar ao trabalho para poder tomar sol. Quem pode, tira férias em agosto. De início eu via uma poesia nisso tudo. Achava lindo esse impulso de aproveitar o momento presente, de desfrutar da luz na simplicidade de um gramado e com a companhia de um livro. Hoje vejo aí um certo ar de desespero e o motivo é simples: dura muito pouco. Se há uma certeza na vida é a de que o verão vai acabar e tudo vai voltar a ser frio e, principalmente, escuro. Daí me vejo mergulhada em angústia se o dia tem sol e por qualquer motivo eu não possa saudá-lo. Se perder esse momento, vai demorar um ano para talvez isso acontecer novamente. Esse é um ótimo abudo para estados ansiosos.

O que vem a seguir é o resultado deste pacote de percepções do meio e de mim. Por breves meses posso sair de casa sem checar qual a sensação térmica do lado de fora. Posso usar na rua a mesma roupa que estou usando dentro de casa. Posso usar brincos enormes porque eles não vão enroscar em nenhuma gola alta ou cachecol. Posso usar colares pelos mesmos motivos. Posso usar anéis porque não preciso de luvas. Posso, enfim, me expressar livremente. Não é, então, por acaso que as bases para bijouteria saltaram à minha inspiração. As coitadas aguardavam a vez desde abril e precisaram de um eclipse da lua e um do sol (no mesmo mês) para ganharem cores, formas e identidade. Se me vierem com a famosa pergunta "o que você fez nesse verão" a minha resposta é essa aí:




Para este pingente utilizei smalti italiano. O cordão é de camurça.

Pingente com pedra natural, smalti ouro, miçanga, stained glass e pastilha de vidro.

Pedra natural, millefiori, smalti italiano e pastilha de vidro.

Pingente com miçangas, pedra natural, stained glass, pastilha de vidro, millefiori e smalti ouro.

Pedras naturais, miçangas e vidro dicróico.

Gema de vidro, millefiori e stained glass.

Gemas e miçangas de vidro.

Millefiori e só :-)

Stained glass e pastilha de vidro.

Pedras naturais, vidro dicróico e miçangas.


Preciso agradecer à Yara Fragoso, professora e amiga, que me incentivou a fazer bijous. Ela disse que eu iria gostar e dividiu comigo seus saberes. Ela estava certíssima (como também estava sobre as garrafas de mosaico e o mosaico contemporâneo). Eu só precisei da plenitude do sol para acender o fogo de mais uma paixão. Querido Deus, por favor, não permita que o fim do verão leve embora a minha inspiração. Amém.

Escolhemos amar.

É, meus queridos, o mundo anda sendo um lugarzinho bem curioso. Talvez sempre tenha sido assim, mas acontece que eu ando com essa sensação de que tudo está muito estranho. Parece que as tensões têm aumentado em quase todos os cantos e precisamos fazer um esforço para não sucumbir ao lado negro da força. Como dizem os filósofos, "não tá fácil, miga!". É neonazista causando pesado no trem, é covarde empurrando gente pelas costas escada abaixo na estação de metrô...e eu me vejo totalmente rendida, sem saber lidar com isso. O curioso é que no Brasil também há muita violência, mas eu carregava a sensação de que conseguia me defender de algumas coisas. Talvez seja aquela casca mais grossa que desenvolvemos para não sangrarmos até a morte. Só que a violência daqui é diferente e...é sério...está complicado de elaborar os sentimentos.

Quando teve o atentado aqui, em dezembro do ano passado, recebi o conselho de me cercar de amor e não entrar em ressonância com os sentimentos derivados de acontecimentos assim. Tem que fazer uma escolha consciente e se prender à ela. Tenho tentado fazer isso. Procuro referências que me inspirem o bem, que me façam rir, gargalhar (se possível), cavocar tudo o que é memória boa para revivê-las e, para não ficar só no passado, manter no horizonte próximo uns planos que aliviem o peso no peito.

Foi daí que veio este quadrinho. Logo mais a Ju vai casar. Meu Deus! A Ju vai casar!!!! Aquela menininha de cabelinho chanel que fugiu de mim tímida na primeira vez que nos vimos vai, toda maravilhosa e trabalhada no luxo, dizer um sonoro "sim" para o Japa. As crianças crescem e a gente assiste meio maravilhado a vida acontecendo. E imaginar quanta curtição deve estar acontecendo nos preparativos deste casamento tem temperado minha maltratada vibe com um pouquinho de açúcar. Sou muito grata por isso.

Ano passado fiz algo neste mesmo tema para a Louise e o Daniel, inspirada que estava pela linda celebração que fizeram. Agora é a vez dos sobrinhos. Para ficar mais personalizado, retirei o tecido que revestia a parte interna do envelope no qual veio o convite e usei-o junto com o mosaico.

Com o tecido do envelope preenchi os números, o símbolo do infinito e fiz duas bordas.


No verso colei o restante do tecido e o convite. Achei que assim a lembrança estaria completa.


Espero que combine com a casa nova dos noivos.

A vida é esse processo acelerado que exige escolhas constantes. Não escolher é também uma escolha, dizem. Então, vamos juntar nossas mentes e escolher o bem, o bom, o belo e o amor. A esperança que precisamos vem de nós mesmos.

Até a próxima!

A lâmpada mágica.

Mudar é sempre um processo e tanto, não é mesmo? A nossa mudança para Berlim envolveu e envolve muito mais (MUITO MAIS!) do que a mudança física. De uma hora para outra não temos mais nenhum referencial familiar. Num primeiro momento, quando vivemos meio acampados, sem nossas coisas, o único elo que temos com a vida que acabou de acabar é o que trouxemos na mala. Todo o resto é novidade. Isso pode ser muito excitante quando se tem um prazo e, ao final dele, um lugar para voltar. Quando esse não é o caso a coisa toda é exaustiva, stressante e nos afeta de formas que não temos como prever. Um exemplo: na vida antiga eu costumava fazer as tarefas da casa, e muitas vezes também os mosaicos, com fones de ouvido. Escutava (performava) minhas músicas prediletas ou ouvia minha rádio favorita. Isso tornava as tarefas penosas mais leves e as tarefas prazerosas mais gostosas ainda. Pois fiquei cerca de dois anos sem conseguir fazer isso. Tentava, porque buscava esse acalento (na verdade a gente busca qualquer acalento), mas não dava certo. Não era mais bom, irritava. Não faço a menor ideia de porque isso aconteceu, mas há alguns meses algo encaixou e voltou a ser muito bom. É um detalhe na vida, eu sei, mas que me trouxe mais conforto comigo mesma e isso é muito valioso para mim. E vamos combinar que se somarmos esses detalhes a coisa toda fica bem grande. Então comemorei esse pedacinho de re-conquista.

Como somos uma coisa só, esse choque de adaptação nos atinge em todos os aspectos. Pois bem, o maravilhoso mundo do mosaico não ficou de fora. Um dos trabalhos que mais curti fazer foram os Vasos Lâmpada. Fiz dois. Amei-os intensamente. Em São Bernardo do Campo tem o Sr. Walter que trabalha com ferro e ele sempre topou minhas idéias. Fez suportes delicados que valorizaram ainda mais o meu trabalho. Aqui não tem o Sr. Walter. Eu fiquei este tempo todo olhando com tristeza as lâmpadas queimadas que vieram junto com meus materiais com a certeza de que jamais faria outro vasinho. Por vezes planejei levá-las para a reciclagem (aqui tem) e todas essas vezes esqueci. Aí aconteceu uma coisa simples e maravilhosa. Um dia deses acordei com a solução dos meus problemas: colocaria o Vaso Lâmpada em pé fixando uma pastilha uma pouco maior na base. É uma solução tão simples que dá até vergonha. Mas o que me admirou mais foi o tempo em que acreditei que não havia mesmo solução para o meu problema. Achei isso muito maluco. O dia em que acordei com a solução foi como o despertar de um transe. O que uma mudança não faz com a gente, não é mesmo? Uma vez mais não faço a menor ideia de porque isso tudo aconteceu, mas saboreei novamente minha pequena re-conquista. Veja o resultado do meu micro despertar:






Dizem que "não há mal que sempre perdure e nem bem que nunca se acabe". Tudo é passageiro. Isto também passará. Vamos celebrar a vida, o amor e cultivar a gratidão. Cada detalhe conta.

Se você quiser conhecer os vasinhos anteriores, visite o álbum de fotos na nossa Fan Page do Facebook. Vai por AQUI.

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A flor amarela.

Em Berlim tudo segue na normalidade, mesmo porque se a normalidade falta, o alemão surta. Aí tudo trava, nada segue. Mas cá estamos nós abençoando cada dia de sol e amaldiçoando cada dia cinza (isto significa uma médica de 90% de maldições). E em algum dia dentro desta incrível labilidade emocional que experimentamos aqui, encontrei uma das coisas mais fofas que já tinha visto: um puxador de gaveta em formato de flor! Já imaginou? E, claro, para quem é dessa área de miçangas, o desejo por um puxador de gavetas não é necessariamente para usá-lo como puxador. Explico: quando fui participar do workshop onde aprendi a fazer garrafas decoradas com mosaico, faltava a tampa para a dita cuja. Procurando opções pela internet, foi no Pinterest que encontrei a ideia de juntar uma rolha de garrafa de vinho com um puxador de gavetas. Assim, para mim, um puxador de gavetas é, antes de tudo, uma tampa de garrafa em potencial.

Aqui vamos fazer uma pausa só para pensar sobre os diferentes olhares. Cada um de nós tem uma visão própria sobre um mesmo objeto, ou assunto, ou sentimento, ou lugar, ou qualquer outra coisa e isso é, de certa forma, lindo! Pense em como as possibilidades se multiplicam graças à pluralidade, à diversidade que existe entre nós. Isso faz com que o mundo fique muito, mas muito mais interessante, faz com que você veja solução onde eu só consigo ver problema, faz com que eu prefira aproveitar o sol ficando na sombra, faz com que você prefira aproveitar o sol se expondo a ele na grama e então há lugar para todos, há gosto para tudo. Há amor para todos e tudo tem o seu valor.

Brisas à parte, voltemos à garrafa. Bem, o puxador rendeu mesmo uma tampa encantadora, além de inspiração e bons momentos. Vamos aos fatos?

Fala sério, essa flor não é linda? Diz que sim! Diz que sim!



Sim, os ares primaveris continuam imperando por aqui :-)

Em tempo, se alguém tiver uma sugestão de gambiarra como a da tampa de garrafa, por favor divida! Já diziam que quem divide, multiplica. Vamos nessa!


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Enfim, primavera!

Não é segredo para ninguém que a gente conta os dias, as horas, para o fim do inverno. Nossa esperança é que de um instante para o outro os dias tenham mais horas de luz e as temperaturas se fixem entre 15 e 20 graus (que tal?). Bem, parte disso acontece mesmo. A Terra, com seu eixo inclinado, gira ao redor do sol e isto, somado ao horário de verão que começou há um mês, faz com que o sol nasça às 5:45 e se ponha às 20:23. É uma baita diferença! Não é à toa que os passarinhos cantem tanto e os corvos fiquem praticamente sem motivo para reclamar. Algo semelhante acontece conosco. Tem gente assobiando por aí e é até possível se deparar com algum alemão sendo simpático. Eu me cago de medo com isso, pois acho que os acontecimentos extraordinários alteram a ordem natural das coisas, podendo provocar furacões, terremotos e tsunamis. Mas ainda com este risco eminente, prefiro ver meus anfitriões mostrando seus dentes e com o semblante mais relaxado. Se é para morrer num cataclisma, que seja depois de receber um sorriso.

E foi nesta onde de amar a vida, abraçar árvores e cumprimentar cada pardal que cruza meu caminho que fiz esse vaso. Revesti a cerâmica com pastilhas de vidro de diversos tipos, algumas bijouterias e algumas contas de vidro. Eu amei! Para falar a verdade, no começo não. Eu iniciei este vaso antes das férias e terminei depois de voltar. Isso pode resultar numa peça inconsistente, mas depois do rejunte achei que estava tudo bem e já podia cobrí-lo de beijos e juras de amor. Que ele seja a celebração da vida que volta tão vibrante, da luz que nos brinda generosa e das temperaturas...as temperaturas...essas f*#@* da p#@*& estão de gozação com a gente. Dizem que isso é típico de abril, ninguém sabe o que pode acontecer com o clima durante este mês. Bom, acho que em maio a felicidade estará, enfim, completa. Falta muito pouco. Celebremos!





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Luminária Estrela.

A vontade era matar a saudade de montar uma luminária para velas que trouxesse cores. Outra vontade era reutilizar o máximo possível de materiais. Aliás, cada dia mais sinto que meu caminho vai nesta direção. Esse pensamento fica martelando na minha cabeça e quando reutilizo qualquer coisa, tem uma voz lá dentro que diz "é isso aí!!!!", cada vez mais alto e mais claro. Acho que por isso sempre vou insistir nesse assunto. O mundo é um só, minha gente. Não dá para seguir adiante como se não fosse. Então vamos abrir nossas mentes para aquilo que é diferente do que conhecemos. Vamos assumir responsabilidades ao fazer escolhas. Temos um poder enorme nas mãos.

Voltando à luminária, ela tem 80% de material reutilizado - vidro. Há vidro de garrafas (verde, azul e marrom) e vidros de frascos diversos que foram pintados com verniz vitral. Eu gosto de misturar vidros de diferentes espessuras porque ma agrada a textura que trazem para peça.

Em algum momento lá atrás, fiz umas luminárias com o revestimento "vazado" (veja aqui e aqui) e quis fazer  assim novamente. Desta vez uma estrela. Também adicionei umas miçangas e acho que em algum momento quero fundir o visual das garrafas revestidas de mosaico às luminárias. Veremos quais cenas o futuro nos trará...

Uma coisa que acontece com freqüência comigo é ter uma música na cabeça. Quando faço mosaico, geralmente o disco fica riscado e uma única música se repete até que tudo esteja concluído. Freud, meu querido, será que o Sr. poderia ajudar com isso? Enfim, a música que acompanhou a gestação e o nascimento desta luminária foi "Noite do meu bem". Então vou juntar as duas coisas para que você se transporte um pouco para o meu mundo. Lá vai:

"Hoje eu quero a rosa mais linda que houver e a primeira estrela que vier para enfeitar a noite do meu bem.
Hoje eu quero paz de criança dormindo e abandono de flores se abrindo para enfeitar a noite do meu bem."

"Quero a alegria de um barco voltando, quero ternura de mãos se encontrando para enfeitar a noite do meu bem.
Ah, eu quero amor, o amor mais profundo, eu quero toda a beleza do mundo para enfeitar a noite do meu bem."

"Quero a alegria de uma barco voltando, quero ternura de mãos se encontrando para enfeitar a noite do meu bem.
Ah, como esse bem demorou a chegar!
Eu já nem sei se terei no olhar toda a pureza que quero lhe dar".
Se você não faz nem ideia de que música é essa, clique aqui para ouvi-la na voz de Dolores Duran.

Nesta última foto, a Luminária Estrela faz pose ao lado de suas irmãs mais velhas que também têm muito vidro reutilizado. Como você pode ver, a vida no vale da reutilização é só amor.

À espera da Primavera.

A gente acha que está tudo bem, que estamos levando o inverno numa boa, que talvez tenhamos aprendido a nos defender dos dias eternamente cinzas e juramos que aquela escuridão toda praticamente passou despercebida. Até que acontece um dia de sol. Mas sol de verdade, com céu azul, sem nenhuma nuvem no céu para contar história e inacreditáveis 10 graus de temperatura. Nesse dia percebemos que estivemos fingindo até então, não estava tudo bem, não mesmo! É o que chamo de percepção por contraste, ou seja, só percebemos que uma coisa é muito boa pela oposição imediata que ela faz com uma ruim. Esse "choque" mostra como temos mesmo aquela capacidade de, um pouquinho por dia, ir nos ajeitando no meio de uma coisa ruim pacas.

Mas o que importa aqui e agora é o efeito que esse dia de sol inegável tem na cidade. Tudo, tudo, tudo desperta. Todas as pessoas estão nas ruas, todos os bancos em todas as praças estão ocupados. A única coisa que importa é aproveitar esse momento de luz e calor (calor, aqui, em termos relativos, ok?). Quem pode deixar o que iria fazer para depois, deixa mesmo, sem dor nenhuma na consciência. Ali percebemos que a esperança de dias mais agradáveis é uma coisa que alimenta nossa alma ressequida de um jeito insperado, que nos faz sentir um afeto por tudo e por todos. A vida volta a ser possível e, meu Deus, que força ela tem!!! Sim, a primavera não está tão longe. Em contagem regressiva poderemos voltar a enxergar cores pois haverá cores! Dá uma satisfação em estar vivo e isso basta.

Eu poderia passar horas esmiuçando esse sentimento tão bem-vindo, mas o que quero dizer é que ele foi a inspiração para minha nova garrafa decorada em mosaico. É uma garrafa pequena cuja tampa é a coisa mais fofa que se pode conceber. Aprecie este pequeno poema de vidro que fala de esperança e daquele carinho que mora dentro de nós e salta para fora quando menos esperamos.





Esta jóia está na loja do Etsy. Não conhece? Vai por AQUI! Até a próxima!

A Sardinha Mutante.

Na última viagem a Portugal fiquei impressionada como o Porto mudou. Graças à Ryanair, e outras empresas que operam no mesmo estilo, a cidade do Porto passou a ser ponto de chegada e partida de vôos muito baratos. O resultado foi um ótimo fluxo de turistas da Europa que passaram a entrar em Portugal pelo Porto. Na sequência disso, a cidade tornou-se efervescente, melhorou horrores a infra para os turistas e adquiriu aquele apaixonante ar de cidade cosmopolita.

Foi neste contexto que o artesanato local, visando cativar a pluralidade dos novos visitantes, se reinventou. Você pode encontrar cerâmicas tradicionais e também a "versão atualizada". Muito interessante de se ver. Um dos motivos que vemos estampados em tudo que é tipo de produto, além do galo de Barcelos, são as sardinhas. Elas aparecem sempre com muito bom humor e originalidade e, se eu não tivesse uma passagem da Ryanair, teria comprado alguma sardinha de recordação. Mas como não era esse o caso, me servi da empolgação recém adquirida para fazer minha própria sardinha. Como as novas sardinhas de Portugal são tudo, menos tradicionais, fui também por esse caminho e mandei a literalidade (de quem nunca fui muito amiga) passear em outras bandas. Para compor meu mosaico escolhi cerâmica, pastilhas de vidro e tampas de garrafa. Sim, uma vez mais reafirmo minha predileção pelas tampinhas daqui.


Elas não são simplesmente o máximo? São ricas nas cores, nos desenhos e estão por toda parte. Em Berlim há muitas "spätkauf", que são lojinhas de conveniência que ficam abertas até mais tarde. Entenda que uma grande necessidade do berlinense não é comprar shampoo ou Miojo na loja de conveniência. O que ele precisa mesmo é de cerveja, então este é o principal produto dessas lojas. O resultado: tampinhas de garrafa por todos os lados. Também dá para pegar muitas tampinhas nas próprias lojas. Aqui pertinho tem um restaurante que forrou suas mesas com as tampinhas das bebidas que vendeu, ou seja, tem mais gente apaixonada pelas ditas cujas.

Para minha sardinha, "abri" as tampinhas usando um pequeno martelo e com elas fiz as escamas. Mais uma tampinha aqui e outra ali para os detalhes. Ainda que não tenha saído do lugar comum, sinto uma alegria tremenda quando consigo fazer um trabalho bacana reutilizando qualquer coisa que seja. É uma questão minha mesmo. Eu já fui aquela pessoa para a qual o único significado de beleza no mosaico era traduzido pelo smalti. Aos poucos mudei meu modo de pensar. Continuo achando o smalti lindo, mas também acho que o mundo é muito amplo e seria um grande pecado limitar as escolhas a um único material, por mais tradicional que ele seja. Sem falar que nosso amado planetinha fica bem contentinho quando você reutiliza alguma coisa. Só vejo vantagens.


Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho maior.

Já usei tampinhas outras vezes (veja aqui, aqui e aqui) e a cada novo mosaico com elas tenho uma ideia para o próximo.

Se você não se sente tão confiante para usar outros materiais para seus mosaicos, há um livro chamado "Making Mosaics with Found Objects", da autora Mara Wallach (foto abaixo). No livro há vários projetos de mosaicos que incorporam objetos dos mais variados que você pode achar no fundo daquela gaveta que não é arrumada há décadas. Tudo vale. Tudo pode. Uma coisa eu garanto, se você ousar incluir uma moeda que seja no seu próximo trabalho, nunca mais vai olhar uma caçamba com os mesmos olhos. Sem falar nos bazares da pechincha que guardam tesouros! Está vendo como o mundo é vasto?

Livro para quem precisa desmistificar o uso de outros materiais na composição do mosaico.

Mosaicos no Castelo de Wartburg.

O Castelo de Wartburg está localizado numa colina na cidade de Eisenach, no estado da Turíngia. Dizem que a construção original data de 1067, ou seja, é antigo naquele tanto que a gente nem consegue imaginar muito bem - o bisavô de Pedro Álvares Cabral não tinha nascido ainda, para você ter uma ideia...

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Localização do Castelo de Wartburg - bem no centro da Alemanha.




Ao longo dos anos a construção foi sofrendo uma série de alterações (no melhor estilo "puxadinho daqui e dali") e a parte que pode ser vista hoje foi, majoritariamente, construída no século XII. O Castelo foi considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1999 por ser um rico exemplar do período feudal na Europa central.

Vista do Castelo de Wartburg a partir da sua entrada principal.



Foi no Castelo de Wartburg que Martinho Lutero se escondeu quando foi perseguido. Lá traduziu o Novo Testamento para o idioma alemão e hoje o local é ponto importante de visitação para os Luteranos. No século XIX o castelo passou por uma grande renovação e redecoração. Foi nessa ocasião que configurou-se no último andar uma sala de concertos com acústica impecável. O local é utilizado até hoje para essa finalidade e as temporadas de concertos de verão que acontecem lá são muito famosas por toda a Alemanha. No interior do castelo há ainda uma rica coleção de arte e outros ambientes históricos. Contam que Santa Elisabeth viveu no Castelo de Wartburg e, no início do século XX, uma sala foi ornamentada com mosaicos que homenageiam sua vida. Os mosaicos cobrem todas as paredes e o teto e os visitantes ficam de queixo caído com tanta beleza.








Se tiver interesse em saber mais sobre o castelo, há uma série de informações muito interessantes no site oficial - www.wartburg.de. Ali você também consegue fazer uma visita virtual, inclusive pela sala da Santa Elisabeth. Vai por esse link para fazer o tour: http://www.wartburg.de/NR2/ 
Há uma seta à direita, no meio da tela, para você avançar pelos ambientes. A sala dos mosaicos é a nona nessa sequência. Seja feliz!