Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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A mini garrafa minimalista.

Mais uma vez o delicioso ciclo se repete. Uma garrafa vazia. Uma garrafa cortada em três partes: topo, corpo, base. Corpo revestido de mosaico vira luminária para velas de 7 dias. Topo e base colados viram uma pequena garrafa.

Acho que hoje posso dizer com certeza que a reutilização de materiais me encanta tanto quanto o próprio mosaico. A segunda chance, a sobre-vida, o novo uso falam para mim sobre esperança, sobre cuidar da nossa própria bagunça, sobre pensar o consumo de uma forma um pouco menos egocêntrica, sobre deixar alguma coisa decente para quem está chegando no mundo agora, sobre assumir algumas responsabilidades. Uma reflexão para encontrar viabilidade na vida.

De uma garrafa de vidro incolor, dois mosaicos nasceram: a luminária com a imagem de Nossa Senhora (sobre a qual falei na última postagem - leia AQUI) e a pequena garrafa que mostro hoje. Eu queria de todo jeito usar uns losangos de vidro que já tinha há um bom tempo. Depois escolhi a tampa que achei mais proporcional ao tamanho da garrafa. E daí para frente deixei a coisa correr solta. Das formas de construir um mosaico, essa - de deixar a coisa acontecer, nascer "sozinha"- é sem dúvida a que mais me dá prazer. Há um ponto de partida e o resto vai brotando, mudando de direção inesperadamente e/ou totalmente. Há o risco de dar errado? Sem dúvida. Mas acho muito divertido, fazer o quê? Cada um tem seu barato, não é mesmo?

Vamos à ela...
Delicada, charmosa e incrivelmente sóbria para os meus padrões.

Miçangas de vidro, contas de vidro, pastilhas de vidro e os losangos que foram o ponto de partida.


Anote aí: eu gosto muito, MUITO, de usar gemas de vidro quando faço mosaico em garrafas.

A formação atual da família de mini garrafas. Sempre digo que uma garrafa de mosaico é algo lindo. Mas quando elas estão juntas...aí é paixão.

Olha ela desempenhando na decoração. Não briga com ninguém. Apenas brilha.
Em tempo, as contas de vidro que usei vieram todas de bijuterias que já não eram usadas. Minha mãe vai guardando tudo que não usa mais e quando a gente se encontra ela me dá. Certamente você também tem uma amiga toda trabalhada na bijou que pode te doar o que não usa mais. Bota a criatividade para funcionar, gente boa! E vamos em frente para começar mais um ano com mais consciência, mais empatia e, por favor, mais amor. Até a próxima!

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Luz para Joanna.

Desde 2014 que eu não fazia uma luminária para velas de 7 dias. Não consigo ver no consumidor daqui a inclinação místico/religiosa na mesma intensidade que podia observar no Brasil. Então deixei para lá. Ocorre que às vésperas de considerar encerradas as atividades do ano veio este pedido do maridão: fazer uma luminária para velas de 7 dias para a esposa de um amigo. Eu quis saber o motivo, não para responder se faria ou não (eu faria de qualquer maneira), mas para me conectar com a intenção. A resposta veio sem precisão da razão e com muito impulso intuitivo. Exatamente a justificativa que gosto, pois tenho convicção que nossa verdadeira inteligência mora na intuição e não no intelecto.

Esse tal amigo é um alemão e a esposa é polonesa. Estão juntos há um bom tempo e juntos tiveram um filhinha que tem pouco mais de 1 ano. Ela, a esposa, que também é nossa amiga, vem passando por uma fase difícil. Há tempos que tenta se achar dentro de sua própria vida, após o acontecimento de mudanças profundas pelas quais passou. Acho que isso é natural. Mudanças significativas rompem com nossas referências e, de repente, não conseguimos nos reconhecer mais. Mas não é por ser um processo natural que deixa de ser extremamente desconfortável, penoso. Esses problemas emocionais são um campo que os alemães não conseguem entender muito bem. São pragmáticos até a última gota. E, de acordo com alguns relatos que me deixaram de cachos em pé, é realmente difícil você conseguir tratamento psicoterápico por estas bandas. Por sorte a amiga é muito católica. Digo sorte porque acredito que a fé (seja no que for) é um elemento que nos ajuda a superar obstáculos.

A religiosidade foi o tema da luminária, com a figura de Nossa Senhora. A intenção foi dizer que ela, a amiga, não está só, que todo mundo tem seus problemas e que isso não é demérito para ninguém. Também foi dizer que ela, a amiga, é importante e única, que sua identidade cultural importa e que ser diferente não é um problema, é apenas uma questão de contexto.

A luminária mede 18,50 cm de altura. Utilizei uma garrafa cortada como base para o mosaico de stained glass e pastilha de vidro.

A vela fica sobre um prato de cerâmica que pintei de dourado.

Na parte de trás utilizei gemas de vidro e alguns pedaços de stained glass.

Detalhe da gema de vidro em formato de coração na parte de trás. O amor é capaz de curar nossos males.


No barrado do manto utilizei estas pastilhas de vidro douradas e com texturas. Minha intenção foi fazer uma referência ao manto que é retratado na imagem de Nossa Senhora da Czestochowa, cultuada na Polônia. Também conhecida como Nossa Senhora Negra, a imagem original teria sido pintada por São Lucas. Dizem que em suas seguidas visitas à mãe de Jesus, ela teria lhe contado sobre a infância do filho.


Intuição seguida, mosaico feito, presente entregue. E cada um de nós vai tocando a vida, fazendo o melhor que pode. Dentro de nossas limitações acho que vale a pena a gente se esforçar um tanto a mais para ser mais empático. A gente não precisa fazer amizade com todo mundo, mas precisa respeitar todo mundo. Acho que empatia é um dos caminhos para isso. Sem esse respeito fica difícil melhorar nas convivências e, caramba!, o mundo está precisando muito que a gente melhore nisso.

Que cada um de nós encontre o próprio caminho e a própria luz.

Bom Natal e até logo mais!




Re-iluminando o passado.

Acredito que um dos maiores encantos que o mosaico me trouxe foram as experiências com vidro. Elas não começaram ao acaso. Começaram porque minha irmã achou que era uma boa idéia e como eu estava absorta em outras coisas ela foi abrindo o caminho, desvendando alguns mistérios e fertilizando um belo terreno para mim. Foi extremamente estimulante comungar com uma mente de uma criatividade tão complexa. Os frutos foram brotando ao longo do caminho.

Porém (e sempre há um) a mudança para Berlim afetou-me em muitas formas e quase todas elas imprevistas. Um das maneiras foi a perda dos parâmetros criativos que eu tinha. Traduzindo: eu fazia uma coisa e depois de algum tempo, num segundo olhar, não via o menor sentido naquilo. Não gostava do que tinha feito. Aos poucos a "pegada" foi voltando, mas nada foi como era antes. Um passeio pelo álbum de fotos deixa isso muito claro.

O que ainda me incomoda é ter perdido muito a mão para fazer luminárias. Tem sido uma luta me re-encontrar num tipo de trabalho que foi um dos meu prediletos, que tanto inspirou e elevou minha alma. Falta do estímulo certo (leia-se da irmã)? Sim, pode ser. Mas para o que não tem remédio, a aceitação é o caminho...

Dias desses voltei ao campo das luminárias. Compramos uma ferramente para ajudar a cortar garrafas e senti vontade de reviver aqueles dias. Para felicidade minha ainda tenho alguns cortes de vidro feitos pela Alê e coloridos nos tons que só ela sabe fazer. Foi bom, a sensação foi muito boa e senti que voltei a colocar um pé naquela antiga estrada.

Além desses vidros também usei outros que foram coloridos por mim, alguns de garrafas coloridas, umas pastilhas para mudar a textura e umas miçangas. Para a base usei um prato de cerâmica devidamente pintado. O resultado final é uma luminária rústica, como a maioria das coisas que faço, e muito nostálgica para mim.

Esta é a base. Misturei folha de ouro e purpurina com goma laca.
Nas bordas na luminária dei o mesmo acabamento dourado da base.
Os cortes transversais de vidro de garrafa foram o ponto de partida.
O conjunto ficou cheio de texturas. Eu gosto disso. Acredito que traz vida e movimento à peça.
Quando apagada ela até faz a linha discreta...
Mas quando acesa, não dá para ignorar o bailar das cores.



O desejo puro e descontrolado é de voltar àqueles dias. Mas isso é fantasia perdida, pois tudo passa. Então o único desejo que posso acalentar é o de fazer andarem na mesma estrada o meu encanto pela reutilização de vidros, a magia das luzes coloridas e a pessoa que sou hoje. O passado pode ser uma grande referência, mas não pode ser o nosso norte. Acolher as mudanças é tão desafiador quanto nos reconhecermos após elas. Mas isso é a vida, não é?

Que suas mudanças sejam inspiradoras!

Beijos para todos e até a próxima!
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