Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos. São reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

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Mais um recomeço.

Dessa vez mais para o sul, cerca de 600km distante de Berlim. Sim, os dias berlinenses acabaram. A cidade mais plural, escura, cultural, machucada, vibrante, cicatrizada, original, triste, multi-tudo e com a melhor comida vegetariana e vegana que conheci agora faz parte do passado. Há quase um mês deixamos a cidade estado que é volteada pelo estado de Brandenburgo para habitar a Bavária. Dá para dizer que é outro país. Quase tudo é diferente. O relevo, a vegetação, o sotaque, a cultura...tudo diferente. Viemos parar especificamente em Herrsching am Ammersee, ou seja, Herrsching à beira do lago Ammer. Uma mini cidade com dez mil habitantes (10.002 agora que moramos aqui) que tem um mini cinema, cinco mercados, muitos velhinhos, muito mato, um grande lago, um mosteiro onde se faz cerveja, uma perfumaria, muitos velhinhos, algum comércio local, um restaurante aqui e outro ali, quatro concessionárias de carro (??? para 10.000 gatos pingados???), poucas e estreitas calçadas, algumas confeitarias (deve ser por causa dos velhinhos e seu hábito de comer bolo à tarde), uma floricultura, meia dúzia de cabeleireiros, outra meia dúzia de farmácias, vários velhinhos...será que lembrei de tudo? Ah! Uma loja de sapatos e uma porção de velhinhos. É...fazemos umas escolhas, a vida apresenta alguns caminhos e a gente opta por um deles. Depois vale o famoso "e seja o que Deus quiser". Foi mais ou menos assim que optamos pela cidade.

Tirando a parte da mudança em si que, pelo amor de Deus, serve para zerar todos os pecados de uma vida, esses recomeços nos ensinam muita coisa. Eu destacaria hoje desapego e tentar deixar de lado as expectativas. A parte do desapego é meio óbvia quando falamos de coisas materiais. Você precisa se desfazer de alguns objetos para seguir adiante. É uma readequação ao novo espaço. Tranquilo. Te ajuda a ver o que tem e o que não tem relevância. Nós nos transformamos muito com o passar do tempo e se você for desmontar seu ninho certamente irá se deparar com um tanto de coisas que não tem mais razão para estarem ali. Nada demais. Mas tem um desapego que pega como uma agulhada no calcanhar. Desapegar-se das relações, dos poucos e fiéis amigos que foram feitos, que te acompanharam nos dias de sol e na infinita sombra soturna dos meses de escuridão. Ainda que se cultive o contato via 4G, estamos agora em contextos diferentes...e seguimos mudando. É nessa hora que precisamos fazer duas coisas. Coisa 1: agradecer. Não é sempre que encontramos pessoas que fazem nosso peito florescer. Agradeça muito, muito, muito. Aí chore um pouquinho e faça a coisa 2: liberte. Liberte a si e aos outros. Vamos seguir nossos caminhos, vamos torcer uns pelos outros, nos encontrar se der certo, mas precisamos entender que agora somos uma memória mútua muito boa. Somos parte do passado. Somos página virada, desejando que o elo que nos uniu permaneça (ainda que diferente), mas se ele se romper voltamos para a coisa 1 e continuamos a vida.

O aprendizado sobre o cultivo de expectativas é: não cultive. Qualquer coisa que se espere, será uma decepção. A expectativa é um tipo de fantasia que fazemos para tentar prever o que vem pela frente mas, amigos, isso é impossível. Expectativas normalmente não são realistas e funcionam como um caminho certo para dar com os burros n'água. Se não conseguir deixar sua tela em branco, faça como eu e crie a pior expectativa possível. Algo como "é ali que eu vou morrer soterrada pela neve e levarão duas semanas para perceber que morri". Depois disso, o que vier é lucro. Talvez por esse hábito tão positivo eu venha tendo boas surpresas com a pequena Herrsching. Acho que a melhor até agora é que aqui tem sol. Tudo bem, estamos na primavera, mas neste quase um mês eu tomei mais sol do que em 10 meses de Berlim. Fato.

No mundo encantado do mosaico, digo com muita alegria que agora disponho de bastante luz natural para trabalhar. É praticamente um milagre operado na minha vida. A sensação é que voltei a enxergar. E qual foi o primeiro fruto da nova era? Uma garrafa...e isso não é surpresa para ninguém, não é mesmo? A filha mais nova de Herrsching vem puxada no azul, aquele que se vê quando não tem uma danada de uma nuvem por aí e a cor do lago se funde à cor do céu. Também vem com bons toques de dourado, daquele mesmo dourado que banha toda a cidade quando o sol está se pondo.

Confesso que dá um alívio de vê-la pronta e bonitinha.

Essas pausas forçadas e prolongadas fazem a gente sentir que "perdeu a mão".

Mas, olhando bem, acho que está tudo a salvo.

Ainda não foi dessa vez que terei que abandonar o ofício do Mosaico e me dedicar a outra atividade, como o encaixotamento de qualquer coisa (descobri que sou muito boa nisso!)

A luz parece continuar brilhando no final do túnel.

A vida é fluxo, é inconstância, é redescobrir, é partir, é reconstruir. A vida é permitir encantar-se com a beleza que habita a simplicidade e dar chance para o improvável. É deixar vir e deixar ir. Pausar e continuar. E fazer de um tudo, tudo mesmo, para não perder a esperança.

Até a próxima!
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Mini Vasos para iluminar a decoração.

Hoje é segunda-feira de Carnaval, mas aqui nesta terra hoje é só segunda-feira mesmo...pelo menos aqui no norte. Parece que lá no sul tem alguma comemoração, num conceito bem mais discreto e inocente do que nós estamos acostumados a ver no nosso amado Brasil. Se você não foi para muito longe do wi-fi e também não está enlouquecido no bloquinho, dá uma olhada nesse par de mini vasos que eu fiz. Consegui encontrar mais umas lâmpadas queimadas por aí e não resisti.

Usei um pouco mais de cor em relação ao último par que fiz e achei que o conjunto precisava de uma base. Recorri a um prato de cerâmica. Como as lâmpadas ficam totalmente revestidas, acredito que fica mais interessante se forem colocadas sobre espelho, assim os detalhes da parte de baixo não se perdem. Os pedaços de espelho que usei foram encontrados na rua, há muito tempo. Parece ser um costume mundial deixar espelhos quebrados por aí...para minha sorte :-) Além dos espelhos, usei também gemas de vidro, pastilhas de vidro, stained glass e miçangas. O rejunte foi colorido com pigmento marrom. Normalmente uso sempre o rejunte grafite que, para meu olhar, é neutro e realça as cores. Mas nesse caso achei que o marrom "aqueceria" a combinação de cores. A parte de baixo do prato é dourada. Usei o mesmo dourado também nos bocais das lâmpadas.

Os Mini Vasos de Lâmpada, sozinhos, pareciam para mim um detalhe lindo e delicado par usar na decoração. Mas assim, em dupla e com uma base, eles deixaram de parecer um detalhe e ficaram com cara de centro de mesa, seja a mesa que for. Vamos a eles:

Desta vez escolhi lâmpadas com formatos diferentes para minha composição.


Repare que o espelho, ao refletir a parte de baixo, confere mais luz e cor ao conjunto.

Gemas de vidro soltas pela base - é para dar charme mesmo.

Com as tulipas mais lindas que se podia encontrar nessa época.

Ficam lindos onde quer que seja.
Para quem é de Mosaico e está entusiasmado em fazer um trabalho com material reutilizado, aproveite os festejos de Carnaval para garimpar objetos pela rua. Acredito que essa época deve render a melhor safra do ano. Seria esse o lado positivo do desleixo dos foliões?

Beijos floridos e até a próxima!
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A mini garrafa minimalista.

Mais uma vez o delicioso ciclo se repete. Uma garrafa vazia. Uma garrafa cortada em três partes: topo, corpo, base. Corpo revestido de mosaico vira luminária para velas de 7 dias. Topo e base colados viram uma pequena garrafa.

Acho que hoje posso dizer com certeza que a reutilização de materiais me encanta tanto quanto o próprio mosaico. A segunda chance, a sobre-vida, o novo uso falam para mim sobre esperança, sobre cuidar da nossa própria bagunça, sobre pensar o consumo de uma forma um pouco menos egocêntrica, sobre deixar alguma coisa decente para quem está chegando no mundo agora, sobre assumir algumas responsabilidades. Uma reflexão para encontrar viabilidade na vida.

De uma garrafa de vidro incolor, dois mosaicos nasceram: a luminária com a imagem de Nossa Senhora (sobre a qual falei na última postagem - leia AQUI) e a pequena garrafa que mostro hoje. Eu queria de todo jeito usar uns losangos de vidro que já tinha há um bom tempo. Depois escolhi a tampa que achei mais proporcional ao tamanho da garrafa. E daí para frente deixei a coisa correr solta. Das formas de construir um mosaico, essa - de deixar a coisa acontecer, nascer "sozinha"- é sem dúvida a que mais me dá prazer. Há um ponto de partida e o resto vai brotando, mudando de direção inesperadamente e/ou totalmente. Há o risco de dar errado? Sem dúvida. Mas acho muito divertido, fazer o quê? Cada um tem seu barato, não é mesmo?

Vamos à ela...
Delicada, charmosa e incrivelmente sóbria para os meus padrões.

Miçangas de vidro, contas de vidro, pastilhas de vidro e os losangos que foram o ponto de partida.


Anote aí: eu gosto muito, MUITO, de usar gemas de vidro quando faço mosaico em garrafas.

A formação atual da família de mini garrafas. Sempre digo que uma garrafa de mosaico é algo lindo. Mas quando elas estão juntas...aí é paixão.

Olha ela desempenhando na decoração. Não briga com ninguém. Apenas brilha.
Em tempo, as contas de vidro que usei vieram todas de bijuterias que já não eram usadas. Minha mãe vai guardando tudo que não usa mais e quando a gente se encontra ela me dá. Certamente você também tem uma amiga toda trabalhada na bijou que pode te doar o que não usa mais. Bota a criatividade para funcionar, gente boa! E vamos em frente para começar mais um ano com mais consciência, mais empatia e, por favor, mais amor. Até a próxima!

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