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A Igreja Memorial Kaiser Wilhelm

Conhecida por aqui como "Gedächtniskirche" esta igreja (ou o que sobrou dela) é um dos marcos mais famosos de Berlim. Está localizada na Breitscheidplatz, na região da Kurfürstendamm, área de turismo esteriotipado da lado ocidental da cidade.

A igreja foi projetada por Franz Schwechten em estilo neo romântico. Sua pedra fundamental foi assentada em 22 de março de 1891, aniversário do Imperador Guilherme I, homenageado com a construção da igreja. Foi inaugurada em 1895, mas a conclusão total de suas obras deu-se anos mais tarde, em 1906.
Vista da igreja após sua conclusão (foto do site www.rao-berlin.de)
Com capacidade para receber 2.000 pessoas sentadas, era famosa por acolher batizados, casamentos e funerais reais. A igreja também ganhou destaque pelos mosaicos originais que retratavam os duques da Prússia e príncipes da dinaistia Hohenzollern ,em painéis que somavam 2.740m² de arte e beleza. 

Contudo, em 1933, com o final da monarquia, houve quem sugerisse sua demolição, por ser considerada um entrave ao fluxo do trânsito na região. Oi? Parece uma piada, ainda mais para alguém como eu, que passou uma parte da vida estacionada no trânsito da grande São Paulo. Enfim, a ideia maluca não foi adiante...mas veio a Segunda Guerra Mundial. Em 23 de novembro de 1943 a igreja foi quase totalmente destruída em um ataque aéreo dos aliados. A torre principal, que media 113m de altura, passou a medir 71m após a destruição.
Vista da igreja após o bombardeio (foto do site www.rao-berlin.de)
Após a lenta remoção dos escombros, concluiu-se que os danos eram irreparáveis. Realizaram-se vários concertos com o objetivo de arrecadar fundos para sua reconstrução, mas antes que o montante necessário fosse atingido, o acesso às ruínas foi fechado, em 1953, por motivos de segurança. A nave central precisou ser demolida e apenas o hall de entrada e a torre principal ficaram de pé.

Em 1957 surge um novo projeto de reconstrução de autoria de Egon Eiermann. Uma vez mais considerou-se a hipótese de demolir as ruínas, mas agora a opinião pública foi unânime em dizer que o hall de entrada e a torre principal deveriam permanecer como um memorial de guerra. Assim, uma nova igreja, com um design totalmente diferente, foi construída exatamente ao lado e a história permanece viva para ser aprendida pelas gerações seguintes.

As ruínas foram reabertas para visitação pública em 1987. Desde 2010 os mosaicos vem sendo restaurados pela empresa Restaurierung Am Oberbaum (RAO) em conjunto com o escritório de arquitetura BASD-Gerhard Schlotter Architekten.

Vamos à ela?
Esta é a visão impactante que você tem logo que se aproxima da igreja.

Chegando perto você entende o motivo de se manter uma ferida aberta. Há histórias que não devem ser esquecidas. Há lições que precisam ser aprendidas para que os erros não sejam repetidos. Essa vibração pode ser sentida na pele e a guerra (qualquer uma) deixa de ser a matéria que vai cair na prova ou o tema do filme que ganhou Oscar. Ela é real, aconteceu ontem, transformou o mundo e fez (faz?) da humanidade o que ela é hoje.

Se você não se emocionou até agora, pegue a caixa de lenços. Vamos aos mosaicos (clique sobre as imagens para velas em tamanho maior):

Visão da abóboda.
Repare no tecido da roupa do monarca.

Procissão de príncipes da Dinastia Hohenzollern. Repare na face levemente rosada da princesa, como se tivesse recebido um toque de maquiagem.
Repare que na borda do véu há um bordado dourado.
Repare na fluidez das vestes dos anjos...e as asas, você reparou na plumagem?
Eu fiquei um tempo olhando apenas para a musculatura da panturrilha deste sujeito.
Reparou nos sapatos? (não só esses...)
Agora a decoração dos arcos:




Se você estiver vendo estes mosaicos in loco e seu pescoço estiver doendo, não tem problema! Olhe para o chão:
Arcanjo Miguel lutando contra o dragão.






É, e teve quem jurasse que isso que vemos hoje (que é uma fração pequena do que existiu) atrapalhava o trânsito e precisava ser demolido...ainda estou tentando imaginar esse trânsito alemão de 1933...

As ruínas não são apenas um memorial de guerra. Trazem também o tema da reconciliação. No interior do hall é possível ver o crucifixo de pregos de Coventry (Inglaterra), símbolo do perdão mútuo entre as duas nações. Mas este você precisa, repito, você precisa ver pessoalmente...

O que ainda me incomoda (além daquela história de demolir por causa do trânsito) é que não consegui encontrar informações sobre onde estes mosaicos foram feitos e por quem. Vou continuar a busca, mas se alguém souber, por favor, compartilhe esta informação. Obras de arte não devem jamais ficar apartadas de seus genitores.

Fontes:
Guia Visual Folha de São Paulo, Berlim - 2012 Publifolha.
www.gedaechtniskirche-berlin.de
www.wikipedia.org
www.pt.wikipedia.org
www.berlin.de
www.virtualtourist.com
www.rao-berlin.de
www.belcanto-incantatotour.blogspot.de

Fotos:
Fotos de época - www.rao-berlin.de
Fotos 2014 - Adriana V. Piacezzi

Um comentário:

  1. Olá Adriana! Obrigada por esta visita guiada. Já me emocionei ao vivo, in loco, com o espetáculo e simbolismo desta igreja.
    Você já visitou algum dos campos de concentração nazis? Também eles se conservam abertos e preservados para que a humanidade nunca esqueça!
    Adoro a Alemanha que visito todos os anos. Berlim ocupa um lugar especial na lista das minhas predileções.
    Desejo que tenha um feliz dezembro e que a sua estadia na Alemanha continue a provocar-lhe "ohs!" de espanto.
    Um beijo da Nina

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