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A feliz história de um pallet.

    Em uma data incerta, numa ilha fria e muito distante, nascia um pallet. Diferente de seus companheiros, não seguia as medidas padrão de 1,00m x 1,20m. Seu formato era outro, resultado de seus 1,05m x 0,50m elegantemente distribuídos por ripas espassadas. Desde seu nascimento, seu destino fora traçado. Não permaneceria de um lado para outro, em algum depósito ou estoque, por anos e anos a fio até a sua aposentadoria. Nada disso. Sua tarefa de vida era muito específica. Serviria de base para o transporte de uma imporante peça e para isso seria necessário percorrer uma grande distância. Como todo baixinho, este pallet acreditava que grandes acontecimentos lhe estavam reservados em terras tropicais.
    Muito satisfeito com a sua missão, cruzou um oceano inteiro com muito orgulho pois sabia bem da importância de estar ali sustentando firmemente algo de valor. Mais do que isso, sua presença era fundamental para o deslocamento adequado de algo tão esperado.
    Chegando ao destino, apesar de já mostrar as marcas do que vivera até ali, continuou com nobre resignação o desempenho de sua tarefa. Não importava que o peso sobre seus ombros fosse muito pois havia sido projetado para isso. Aqueles que o manipulavam eram impiedosos e mais marcas, profundas e perenes, eram estampadas em seu corpo.
    Certo dia, a precisosa peça, para cujo tranposte fora fabricado, finalmente foi posta em uso. Tendo a carga retirada de seus ombros, o pallet se sentiu muito, muito leve e mal podia esperar para a próxima tarefa. Foi levado para um canto qualquer, sem nenhum abrigo do tempo, junto de outros companheiros. Sabia que a grande estrela da festa não seria ele mas sempre o objeto transportado. Assim compreendeu o fato de não haver acomodações especiais para estruturas como ele, mas ficou preocupado com sua madeira que poderia sofrer deterioração e prejudicar sua promissora carreira. Os dias  passavam longos e nenhuma novidade chegava até ali. Começou a fazer alguma amizade com os que estavam na mesma situação, mais para ajudar a passar o tempo já que não era muito de conversa. 
    Geralmente os assuntos eram enfadonhos e havia uma certa disputa de egos ali. Este pequeno pallet, por estar fora de padrão, sentia-se preterido. Começou a duvidar de sua sorte e já não sabia se era mesmo tão especial como acreditava. A resposta veio repentinamente, de forma seca e cruel. Todos ali seriam jogados fora. Como? Por quê? O pallet não entendia a razão de não ser mais utilizado se era tão forte. Mas do que isso, havia sido concebido para aquele trabalho. Não havia esperança alguma. Com seus temores concretizados, o pallet mergulhou em profunda depressão e tinha pesadelos horríveis onde era queimado numa fogueira de "sem-teto" ou servia de precário apoio na construção civil. 
    O que o pequeno pallet não sabia era que perto dali uma fada-madrinha havia recebido uma missão especial: transformar uma estrutura como a sua em uma peça de decoração. Sim, o Deus dos Pallets estava cansado de ver seus filhos tendo finais algozes após cumprir sua missão na Terra. Vendo que poderiam ser ainda dignamente muito úteis, lançou o desafio. A sorte de nosso pequeno herói mudou no momento em que Baltazar, um elfo que sempre ajudava muito a fada-madrinha, vendo-o na chuva pronto para o descarte, elegeu-o como merecedor da transformação.
    A fada tomou o pallet em seus braços e levou-o para casa. Apiedou-se dele, que estava tão fedido e molhado.
    Os pequenos animais da floresta foram correndo ao seu encontro sem se importar com sua aparência. Naquele mesmo dia, a fada-madrinha foi providenciar o material para sua nova roupa. O pallet estava um tanto constrangido, apesar de agradecido, porque não fazia idéia do que esperar da sua vida agora. A fada carinhosamente lhe explicou que ele, dali a alguns dias, passaria a ser um mesa de centro. O pequeno pallet voltaria a sustentar objetos, mas nada tão pesado. Um pouco descrente de sua sorte, decidiu relaxar no banho esfumaçante de kálí-danda prontamente providenciado para que seu cheiro melhorasse.
    No dia seguinte a fada-madrinha começou o seu trabalho. Primeiro lixou, lixou, lixou nosso amiguinho, despiu-o de antigos pregos e fez uma minuciosa marcação que nortearia a confecção de sua roupa.
    Depois ela juntou as ferramentas para cortar, colar, cortar, colar, cortar, colar. Ao fim daquele dia o pequeno pallet já podia se animar com as cores que havia ganhado. Muito trabalho ainda estava pela frente, mas já podia se sentir bem melhor.
    A fada trabalhou sem descanso. Os animaizinhos da floresta ficaram carentes de sua atenção e o querido elfo Baltazar também. Contudo todos entenderam a importância daquela transformação e ficaram animados ao verem a roupa praticamente pronta.
     Agora o pequeno pallet sentia-se plenamente amado. Apesar das explicações da fada-madrinha, ainda não entendia bem o que era uma mesa de centro, mas não se preocupava com isso pois sabia que estava em boas mãos. Com a roupa montada, a fada-madrinha passou horas colocando rejunte e depois mais horas passando verniz. Sim, a tarefa de salvamento havia sido concluída. O pallet nem se lembrava mais que não tinha medidas padrão. Aliás todo o seu passado não importava mais. Queria mesmo era conhecer os objetos que sustentaria e quando isto aconteceu ele pode finalmente entender o que fazia uma mesa de centro.
    Quanta alegria! Sentiu muito orgulho de si mesmo e júbilo ao lembrar da sensação que tinha quando ainda estava na ilha fria e distante. Sua certeza de que seu destino seria extraordinário havia se confrimado. Ele agora era o centro das atenções de uma sala de estar. Não poderia imaginar honraria maior.
    Vai dizer que nosso pequeno herói não tem mesmo muito estilo?
    Moral da história: o melhor sempre está por vir.








3 comentários:

  1. Muito bonita história!

    Gostei dos bichinhos da floresta recebendo o pallet!

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  2. Tem, tem muito estilo, muita graça e originalidade e você, Adriana, também!
    Quanta criatividade!
    E não me refiro apenas à reutilização, mas também ao texto.
    Estou impressionada.

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  3. nossa ki lindo gostei tanto ki vou fazer um pra minha casa.

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