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Nas bolhas do Guaraná.

    Ontem fiz um risoto. Interessante que foi o primeiro que fiz na vida. Não achei nada complicado e a exigência de cozinhar com a panela aberta deixa todo aquele colorido borbulhante à vista, espalhando o aroma que fica cada vez melhor. É divertido! Mais divertido ainda foi constatar que ficou muito bom, cremosão sem ficar um grude e quando a comida fica muito boa parece que é festa. Então para comemorar esta sensação abrimos um guaraná de garrafa. Não sou assídua de refrigerantes, nem um pouco, mas ali pareceu o acompanhamento ideal. No primeiro gole lembrei a razão de não beber refrigerantes: são doces demais, a ponto de dar sede. No segundo gole constatei que o sabor do Guaraná de garrafa é totalmente diferente daquele que vem nas latas ou garrafas pet. Ainda que não seja do meu agrado, o de garrafa é bem melhor pois tem sabor de guaraná e as bolhas de gás são menores, pequenininhas, não fazem lacrimejar e não dão soluço (isso só acontece comigo?). No terceiro gole fiquei meio hipnotizada pelas tais bolhinhas no copo. Pareciam pessoinhas muito apressadas, correndo atrasadas do fundo do copo para a superfície, frenéticas e intermináveis. Entre as garfadas do risoto fiquei olhando a garrafa de vidro que caiu em desuso. Ainda é verde mais o rótulo mudou, ficou menor e não tem mais a incrição "Champagne", os recortes no vidro são quase imperceptíveis. Antes eram profundos, pronunciados e me lembravam de grandes janelas de catedrais.
    Quando as garrafas de Guaraná de 1 litro me remetiam  a essas imagens também consumíamos pouco refrigerante em casa. Era uma item de luxo reservado aos finais de semana ou festas. No nosso caso uma garrafa era aberta no almoço de sábado cujo cardápio não variava do frango assado comprado na venda da coreana, arroz, farofa e maionese, para dar liga. Assim como hoje a pizza indica para mim que é sexta-feira, naquela época o frango assado e o Guaraná indicavam que era sábado. Impossível dizer em que momento isto virou um hábito, mas é certo que havia também um cardápio para nossas mentes pois especificamente nestes almoços dávamos continuidade às aventuras de Glorinha e Arnaldo, um casal paladino habitante de um lugar em nosso imaginário, sempres às voltas com o Capistrano, um vilão sem escrúpulos que tentava destruir todos os bons planos dos heróis, como, por exemplo, acabar com o "Jabirito". Veja como tudo já era muito avançado nos anos de 1980: Jabirito era um alimento mágico capaz de se trasmutar naquilo que você desejasse. Seria uma versão melhorada da água. Não tinha cor ou cheiro, mas era suficiente colocá-lo na boca e imaginar o que quisesse. Se o seu desejo fosse o de comer doce de abóbora com côco, daqueles feito em tachos, mexidos horas a fio com uma gigantesca colher de pau, bastaria comer um Jabirito para sentir todo este sabor. Um detalhe: Jabirito era muito nutritivo. Lógico que o Capistrano queria impedir o sucesso deste produto revolucionário, mas Arnaldo e Glorinha sempre conseguiram derrotá-lo.
    Aos poucos fui saindo da garrafa verde de vidro. O risoto acabou. Os heróis e o vilão continuam lá naqueles anos. Um vida inteira transcorreu desde então. Quanta, quanta coisa já vivemos e tenho a sensação de que estamos somente no início e de que ficará cada vez melhor. Não sei explicar. Sou invadida  por uma torrente de gratidão. Ainda que no final das contas estejamos sozinhos em nossa caminhada evolutiva, poder contar com apoio aqui e ali, para pequenas e grandes coisas, faz os obstáculos não terem tanta importância e isso dá um calor gostoso no peito. É bom caminhar ao lado de outras pessoas.
    Acordei hoje ainda um tanto nostálgica. Aí lembrei que exatamente neste dia faz um ano que o Plinplin se foi (Plínio, a mamãe te ama! Do mesmo jeito!) e então fiquei emotiva, além de nostálgica. Mas nada que emperre, só que faça nascer uma admiração: já tivemos muita coisa boa por aqui! Dias assim costumam vir acompanhados de trilha sonora. A minha está aí abaixo e eu a dedico especialmente para o Baltazar.

Ouça e sinta...

http://youtu.be/uu8iWSL3tDk 




8 comentários:

  1. Lindo texto Adri!

    E pode ter certeza que o Plim Plim está junto com outros gatinhos lindos no céu!

    Beijos! Saudades!

    Débora Moura

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    1. Deby, minha linda, eu também acho que ele está no céu tomando sol no barrigão.
      Muitos beijos para ti, minha queridona!

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  2. Nostalgia, rssss, bem vinda ao clube dos senhores e senhoras que já contam com determinada idade e que os mais novos chamam de Tio ou Tia, conforme o caso. Realmente dizem que “relembrar é viver”, então estamos vivendo muito, pois notei que de uns tempos para cá venho, também, tendo estas experiências incríveis de lembranças de anos e memórias que se foram, de coisas que marcaram e de outras coisas, muitas vezes sem uma importância específica, como a sua garrafa de guaraná, mas que marcaram de um jeito todo peculiar. Por outro lado, olho para trás e me sinto cada dia mais moço e mais capaz de fazer determinadas coisas que antes não foram possíveis, por vários motivos e que hoje, talvez em decorrência da idade, tendem a ser mais fáceis. Fato é que a caminhada é longa e difícil, mas necessária para o aprendizado, talvez este seja o fim de tudo, ou seja, sofremos, agimos, lutamos, nos alegramos para ao final aprender, aprender a viver em sociedade, aprender a levar mais aos necessitados de todos os gêneros e nos alegrar com isto, enfim, aprender a viver, na mais extensa intensidade da palavra. E já que é assim, vamos viver muuuito. Abraços.
    Anselmo

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  3. Adriana, comigo também funciona assim. Os mergulhos no passado são operados com um dos cinco sentidos, mas, principalmente com o olfato. Como, quanto viajo.
    E o engraçado é que , de repente lembrei que também havia dia de comida própria, associada.
    Mesmo reconhecendo a aura mágica dessas viagens, eu quero mais é ser feliz agora. É uma luta diária. Deve ser isso que se chama estar vivo.
    Beijo, linda.
    Vou escutar a tua música.

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  4. Adriana, a minha receita de aletria está aqui:
    http://omeupensamentoviaja.blogspot.pt/2011/03/aletria.html
    Beijo

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  5. Adriana, aqui tem a receita:
    http://omeupensamentoviaja.blogspot.pt/2011/03/aletria.html
    Beijo

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