Olá!

Aqui você encontra vários tipos de textos com reflexões, introspecções, filosofadas e relatos, tudo sob a luz do mosaico. Desejo inspirar você com a mesma arte que me inspira.

Do lado de dentro do vidro.

Dia desses fui cortar uma garrafa em três partes. Com o topo e a base eu formaria uma nova garrafa, menor, e a parte do meio me renderia vidro de um verde musgo bonito para fazer uma luminária para vela. Deu quase tudo certo. A parte de cima saiu lindamente. A parte de baixo saiu toooda cagada e os planos iniciais foram por água abaixo. O que aconteceu: a espessura do vidro era bem maior na parte de baixo da garrafa e minhas modestas ferramentas não deram conta do recado. Foi só aí que eu percebi que poderia usar esse vidro grosso de outra maneira. Até então eu fiz luminárias reutilizando vidro de garrafa simplesmente cortando o vidro até chegar no tamanho da tessela que eu queria. Dessa vez fiz isso também, mas depois eu fatiei o vidro na sua espessura. Deu para entender mais ou menos? Como se o pedaço de vidro fosse um pão e você (ou eu, ou nós...) fatiasse o pão. Simples! Muito simples. É isso que normalmente a gente faz quando trabalha com smalti. Mas acaba não fazendo com outros materiais porque fica muito bitolado no feijão com arroz das coisas da vida.

Eu não entendo muito bem da composição do vidro, mas posso dizer que não deu certo fazer esse corte no vidro de garrafa com o conjunto de tagliolo e martelina. Usei torquês de roldana, especificamente o da marca Montolit, porque considero ele bem valente para vidros mais espessos. Se você for fazer isso tenha muito cuidado, pois o vidro de garrafa "solta" muito mais farpas do que as pastilhas de vidro. Então, a não ser que você seja um vampiro apreciador do autofagismo, use óculos de proteção e luvas.

Eu montei as luminárias com uns potinhos de doce que já tinha guardado. Aliás, você já reparou como os potes de vidro são infinitamente úteis? A moça do Tupperware que me desculpe, mas você organiza uma despensa inteira com potes de vidro que já comportaram mel, molho de tomate, conservas, etc. E quando o danado cair, você junta os cacos e passa para o departamento de mosaico. É ou não é uma riqueza? Mas vamos às fotos, pois sem fotos não há fatos e aqui só trabalhamos com verdades. Veja: 

Nas bordas coloquei espelhos porque eu preciso que a coisa brilhe.
Aqui e ali adicionei uns pedacinhos de smalti porque a gente precisa desses pontos de cor na vida.

E essa textura? Acho chic.
Se você reparar bem, em cada pedaço de vidro é possível ver a marca da propagação da trinca. Na minha humilde e fantasiosa opinião é justamente isso de dá beleza ao material, porque reflete a luz de uma maneira diferente, porque dá movimento, porque tem textura. A diferença de altura entre as tesselas também deixa o aspecto final mais rústico e muito mais interessante. Essas luminárias parecem que saíram da natureza, que foram extraídas de uma rocha...elas têm um aspecto orgânico. Adorei isso!

Acredito que muita gente tem resistência ao reuso de materiais, um tipo de preconceito talvez. Isso vai da cultura de cada um, dos valores de cada um, das crenças de cada um. A minha crença é de que temos, todos nós, uma puta responsabilidade sobre o que dá certo e o que dá errado nesse mundo. Também acredito que não dá para tocarmos nossas vidas ignorando que o processo de consumo envolve também o descarte do resíduo daquilo que consumimos. Antes disso, não dá para dizer que não importa quantos e quais recursos são necessários para produzir aquilo que consumimos. No meu conjunto de valores, a gente escolhe ser descaradamente hipócrita ao não dar a mínima em saber o caminho que um produto percorreu antes de chegar até a prateleira do mercado, da perfumaria, da farmácia ou da loja de roupas. Na minha cultura, não resolve a gente se cercar de medidas verdes e sustentáveis e fechar os olhos para o conveniente descarte de nossos venenos em lugares como a Índia (não é, Dona Alemanha? O quê? Eu não disse nada...). Vamos brincar de assumir algumas responsabilidades? Numa boa, podemos ser bem melhores do que isso. Mas é só minha opinião em meio ao samba do eu sozinho. Nada demais.

E nesse clima de merda eu me despeço, infincando minha unhas curtas na esperança oriunda do fato de que a luz sempre vence a escuridão. Até a próxima!


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