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Pudim solitário.

    Todos já sentimos solidão em algum momento da vida. Cada um reage de uma maneira. Há quem, ao perceber seu primeiro sinal, fuja em disparada procurando um paliativo para evitar sentí-la. Há quem sinta dó de si e faça um beicinho para ter a atenção de alguém e assim escapar das suas garras longas e afiadas. Há quem fique ali, esperando ela passar como uma rajada de vento. Devem existir inúmeras reações diante da solidão, mas creio que eu esteja nesta última categoria. Quando se trata de sentimentos não gosto muito de distrações a não ser que a coisa se torne doída demais e deixe os dias enlutados e pesarosos. Mas se não for para tanto, prefiro me sentar e calmamente puxar uma cadeira para que eles façam o mesmo.
    A solidão e eu nos conhecemos há bastante tempo. Ficamos muito íntimas na adolescência, acho. Naquela época eu tinha certeza absoluta de que era a única habitante do planeta. As pessoas com as quais eu esbarrava todos os dias eram alienígenas comedores de cérebros, parentes distantes dos zumbis. Não havia outro ser vivo que falasse a minha língua, que entendesse os meus argumentos, que compartilhasse das minhas idéias e dos meus anseios, que vislumbrasse beleza nas mesmas coisas que eu, que se sentisse ferido do mesmo modo e pelas mesmas coisas. Era muito difícil não conseguir estabelecer uma conexão com aquilo que me rodeava. Inevitável crer que algo estivesse errado. Só poderia ser eu! Então tentei ser ET também, zumbi comedora de cérebros. Talvez minha solidão fosse resultado da minha dificuldade em aceitar que as coisas são como são. Puxei o cabo que me conectava à minha essência e fui fazendo escolhas que normalmente não faria, mas que seriam a primeira opção dos ETs. Qual não foi a minha surpresa ao constatar que a conhecida solidão agora vinha para temporadas e não apenas para visitas semanais. Uma gaveta no armário já estava repleta das suas coisas, seus pertences estavam do lado esquerdo da pia do banheiro e até o cardápio do dia tinha o seu palpite. As minhas coisas iam sendo empacotadas pouco a pouco e mandadas para longe. O mais incrível é a nossa capacidade (do ser humano) de adaptação. Realmente impressionante. Podemos nos habituar a quase tudo. É claro que existe um custo. Se você não quer tirar a almofada que está embaixo do popozão, precisa pagar alguma coisa por isso.
    É difícil prever o passado, mas fico pensando como eu seria hoje se, em determinado dia, não tivesse conhecido alguém que não fosse ET. Aí não teve mais jeito. Foi como passar anos e anos comendo aquele doce de água e maizena, que é vermelho e amarelo e vem embrulhado num plástico celofane. Até que  um dia que, sem mais nem porquê, você come pudim. Pronto, a tragédia estava anunciada! Era impossível prosseguir resignada, afinal eu era um pudim também! Se havia encontrado um, certamente haveriam outros. Então tudo se desetruturou e havia chegado a hora de pagar cada centavo devido pela infeliz comodidade.
    Depois de certo tempo consegui compreender que a solidão que conhecia era filha da minha falta de amor próprio, casada com a minha falta de coragem. Até hoje peço perdão por tamanha falta de cuidado comigo. Por isso, quando há algum sentimento sofrido que chama pelo interfone, eu deixo subir. Preciso verificar porque está aqui. Fui eu que o chamei (mesmo sem saber)? Depois de nos entendermos lhe explico que não pode ficar, afinal já localizei parte das minhas coisas que foram indevidamente mandadas para longe no passado e continuo buscando o que falta. Pior, sou um pudim que encontrou outros pudins e sabe onde encontar mais. Não impeço que estes sentimentos venham, mas deixo-os passar. Em alguns momentos eles até me ajudam por fazerem um contraponto elucidativo. Mas é só. Podem vir, mas sem bagagem.
    Ainda hoje sinto solidão. Quando estou fisicamente sozinha por muito tempo, por exemplo. Isto significa que usualmente estou próxima a pessoas que amo, que me amam, que me estimulam, que valorizo, que me valorizam, que respeito, que me respeitam. Pessoas com as quais posso estabelecer uma troca rica: dou o que tenho de melhor e recebo o que elas têm de melhor. Se me sinto só é porque elas não estão aqui agora, mas estarão logo, logo. Ou eu estarei com elas. A solidão, hoje, significa que há amor em minha vida e não mais um deserto de desamor como antes.



2 comentários:

  1. Dri, que bonito este post. Te conheci nesta fase (de pudim solitário) e eu nao sabia o que se passava dentro de você. Mas o que eu sempre soube é que havia algo muito especial a seu respeito, e que me fazia querer estar por perto... Muito obrigada por você nunca ter deixado de ser pudim! Precisamos de mais sobremesas, como você e as que você vem identificando pelo caminho!!! Beijos!

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  2. Querida Driquinha,
    Achei muitas frases lindas neste seu escrito, como sempre.
    Mas só queria contar uma imagem que me veio agora: há uns 4 anos tenho uma cicatriz na mão direita, uma queimadurazinha que fiz desenformando pudim. Ela está aqui, aqui estará por um bom tempo ainda. Mas nunca soube de ninguém que tenha marcas daquela gelatina amarela e vermelha.
    Beijos!
    (ah, a foto do perfil está ótima!)

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