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Sem medo da chuva.

    São muitas as coisas que chamam a minha atenção. Os acontecimentos pipocam a cada minuto e sempre algo novo me surpreende. Vejo muitas situações que poderiam ser revistas e outros tantos sofrimentos desnecessários que fica quase impossível não falar neles. Porém, na última semana desejei olhar mais para o que me encanta do que para o que me desafia. O primeiro efeito foi a produção de duas peças que explodem em cores. Todas as cores que posso ter em pastilhas coloquei lá. Isso me lembrou dos desenhos que costumava fazer quando era mais nova onde esta explosão era constante. Até um céu estrelado precisava de todas as cores do arco-íris para ficar do meu agrado. Depois de saciar esta sede tão nítida puder voltar minha atenção para uma pálida paixão antiga, daquelas de fazer os olhos brilharem: as tempestades. Desde pequena sinto uma atração explicável por elas. Naquela época já ficava alerta com o seu prenúncio. O vento mudava. Era preciso, autoritário e sisudo. Enquanto a empregada rezava toda a sorte de impropérios porque as folhas recém varridas eram novamente espalhadas pelo quintal, eu gostava de sentir o seu tato áspero na pele. Muitas vezes tentei ficar escondida no meio das plantas para não perder um minuto sequer do espetáculo. Logicamente era resgatada assim que os primeiros pingos começavam a cair sob o argumento de que ficaria doente. Não ficava. Consegui ter a honra de participar de algumas tempestades e não adoeci por isso. A minha moléstia vem de ficar na fila do banco para tentar resolver o problema da cobrança de um cartão de crédito que não existe, por exemplo. Isso dá até febre alta. Mas chuva não. 
    Repare que na prepação de uma tempestade há todos os tons de cinza que você pode supor. Primeiro é uma nuvem aqui e outra lá, despretensiosas, servem para dar assunto para quem não sabe o que falar - "parece que hoje chove, né?". Depois os tons ficam mais e mais intensos e variados. A velocidade do vento aumenta e ele vem e vai para quase todas as direções. Tudo passa a se mover mais rápido. As borboletas são catapultadas, os passarinhos se apressam de volta para as árvores que enloquecem totalmente. As pessoas correm como se não soubessem o que vai acontecer. O cinza agora é chumbo, bem escuro. Tudo vira noite e esta transgressão, sozinha, já me traz contentamento. Então os flashes! Primeiro ao longe e, então, cada vez mais perto. A luz antecede o estrondo de um grave tão profundo que faz o corpo reverberar. É uma declaração irrefutável de poder e subjugo. Quando a água cai todos os elementos se unem para não deixar dúvida de quem é que pode mais, quem dá a última palavra. São tantas as metáforas da vida ali presentes que é impossível não se maravilhar. As respostas das nossas perguntas essenciais estão ali. A ordem das coisa é ali elucidada para aqueles que querem compreender. A natureza é muito generosa e paciente. Nos proporciona incontáveis espetáculos que nos mostram o caminho a seguir. As tempestades nos colocam em nossos devidos lugares. Nos mostram com clareza quem somos e para que servimos. Nos falam de força e dizem que sete cores para um arco-íris não são nada! Ela pode tornar absolutamente tudo cinza e depois devolver as cores ainda mais fortes, a vida mais exuberante do que nunca e o ar ainda mais leve. É um desabafo em grande estilo. Um opinião bem colocada. Um argumento definitivo.
    Quando ouço maldizerem esta maravilha, esta caridade existencial, sinto peninha de quem tem medo de chuva...




5 comentários:

  1. Dri,
    Chuva por si só realmente só pode ser algo bom. E a sua descrição, realista e ao mesmo tempo poética, me faz lembrar muito bem de como é bonito um temporal nos trópicos. Senti até o cheirinho que antecede a tromba dágua. O problema é o que esta água encontra na descida... Em se tratando de uma cidade como São Paulo, onde ela simplesmente nao tem para onde correr, infelizmente entendo perfeitamente quem tem medo de chuva... Uma pena.
    Beijos! (PS: linda a peça!)

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  2. Amada, sempre amada, Andréa,
    Realmente é muito triste o que pode ocorrer nas cidades durante uma chuva forte. O que não aceito é culpar a chuva! Ela é o único fato sabido, previsível até, imutável talvez. Temos esta lamentável dificuldade em focar as causas. Não é a chuva mas sim o lixo (e aí você pode incluir uma imensidão de coisas), a impermeabilização sistemática do solo e o descaso de quem não usa o dinheiro que cada um deu para contornar o problema da forma que precisaria e deveria que ceifam as vidas - total ou parcialmente - de várias formas. E então muitas, muitas pessoas perdem sua conexão com estes fenômenos fantásticos. Distanciam-se assim de sua própria natureza e passam a ser cada vez mais amorfos...Uma pena.
    Beijos sempre com saudades!

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  3. "A natureza é muito generosa e paciente.(...)As tempestades nos colocam em nossos devidos lugares".

    Driquinha querida,
    amei o post.
    A última tempestade que vivi foi anteontem, no apartamento dos seus pais, na praia. Ela fez que fez até me colocar completamente inteira, entregue, cuidando dos meus apavorados meninos. Sentada na caminha do Davi com o Pi no colo - os dois dormindo (apenas) enquanto eu ali estivesse - eu estava simplesmente realizando a minha vocação. E senti quase como se precisasse desse pretexto para amar e cuidar sem pressa e sem pretensões. Deve ter chovido água benta.

    Beijos!

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  4. Driquinha!

    Mais um texto...
    Mais uma peça de mosaico...
    Mais uma descoberta da sua alma linda:" não ter medo de chuva"
    Tudo LINDO!
    Tudo MARAVILHOSO!
    Parabéns,filhota!
    Bjs

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  5. Dri,
    Como você é feliz em ter encontrado o que gosta! Está na cara como você se realiza em escrever estes textos poéticos e maravilhosos! Adorei! A peça então, nem se fala! Linda demais.

    Um beijo chuvoso.
    Clau.

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