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    Há cerca de duas semanas fui cortar o cabelo como sempre faço a cada três meses. Quando a cabeleireira chegou notei que tinha algo estranho e só depois de alguma conversa reparei: o cabelo dela estava normal. Entenda-se aqui por normal um corte simétrico e uma cor que eu ou você usaríamos. Eu estava habituada a encontrá-la com um visual diferente a cada vez que voltava, sendo um dos meus preferidos uma franja comprida pintada num tom cereja que contrastava com o preto curtíssimo do resto do cabelo, com sua pele bem clara e com seus olhos azuis. Todas as vezes desejava ter o estilo necessário para usar um cabelo como o dela. O que jamais me passou pela cabeça foi o motivo que a fez optar pelo visual tradicional: "preciso me casar", sentenciou. Não entendi muito bem e perguntei se na igreja onde ela iria casar não podia usar cabelo rosa. "Nããão. É que eu preciso arrumar um marido e aquele cabelo afasta os homens". Sabe o que é pior? É verdade. Achei triste além da conta alguém mudar seu estilo próprio, a forma de expressar sua individualidade, para atrair outra pessoa. E todo o conjunto me pareceu uma grande furada. Perguntei como seria se, já com o marido "em mãos", ela voltasse a ter o cabelo pink ou azul ou verde. Ela explicou, como quem já estudou todas as possibilidades a respeito, que quando isso acontecesse o potencial pretendente já a teria conhecido melhor e não concluiria algo equivocado a seu respeito. Muito bem, e o que devemos concluir sobre alguém que tem o cabelo rosa? Que veio de Marte, que come animais ainda vivos para sentir seu sangue quente, que só sai à noite pois morreria se exposto à luz solar, que fala um idioma próprio só compreensível pelas outras pessoas de cabelos coloridos, que faz tapete com couro de criancinhas órfãs, ou o que mais? É inacreditável o monte de besteiras que imaginamos loucamente sobre quem é um pouco (não precisa ser muito...) diferente de nós. Preste atenção para o fato de que esta é uma impressão mútua, o que significa que você, com suas particularidades, também é muito esquisito para alguém em algum lugar. Por mais normal que tentemos ser, sempre seremos diferentes. Há motivo para isso. Somos todos únicos. Não há um ser igual a outro. Como dizia uma antiga professora, nem os cinco dedos da mesma mão são iguais. Se somos indivíduos singulares, o "normal" não existe. O que existe são pessoas que acreditam numa padronização e pagam um preço por isso: não podem ser elas mesmas. Eu acredito que alimentar tantos esteriótipos é um caminho para a infelicidade. Muita coisa não é experimentada pois há um rótulo, comprado por nós mesmos, dizendo "Perigo! Não toque!". Faça as contas de quantos lugares você deixou de visitar, por exemplo, por ter acreditado numa imagem que chegou pronta até você. Isto não é nada saudável para o nosso aprendizado aqui na Terra. Toda a questão é muito elementar na verdade. O princípio é o mesmo que faz com que uns gostem de comida italiana, outros amem a culinária oriental e outros adorem misturar tudo para ver o que aparece. Se o Fulano não gostou ou gostou muito de tal coisa, não quer dizer nada para mim. Eu tenho a minha própria forma de ver, sentir, pensar e isto fará das minhas experiências algo totalmente distinto daquelas que o Fulano experimentou. E ambas são válidas.
    Este cenário merece muita atenção pois temos deixado de nos relacionar melhor com as pessoas à nossa volta por um motivo tão banal. Não conseguimos ver além da casca e, pior, esquecemos que somos todos feitos da mesma matéria. Isto significa que temos todos as mesmas necessidades básicas. Simplificando mais ainda, todos desejamos amar e ser amados. Se temos este objetivo em comum, por que temos tanta dificuldade em concretizá-lo? Nossas crenças equivocadas podem ser uma pista. É muito curioso observar o nosso próprio comportamento a esse respeito. Quando você está em uma fila qualquer, após dez minutos já traçou o perfil de pelo menos duas pessoas à sua frente e de duas pessoas atrás. Já classificou o sujeito da fila ao lado como sem salvação e desmerecedor de misericórdia. Até sobre a mãe dele você já tem uma opinião. Interessante, não? Não nos damos ao trabalho de dar o primeiro passo, de estabelecer um contato, de nos identificarmos como seres de uma mesma espécie. Detalhe: ninguém jamais é bom o bastante para este padrão tortuoso. Será que isto explicaria porque há tantas pessoas solitárias no mundo?
    Precisamos acordar desta auto-hipnose cujos maiores prejudicados somos nós mesmos. Deixamos de acreditar na nossa existência no momento em que acreditamos que o indivíduo ao nosso lado, igual a nós na sua forma essencial, não vale a pena. Assim, de fato não resta esperança alguma para a humanidade se não pudermos transpor o supérfluo e enquanto não formos capazes de enxergar no outro tudo aquilo que também há em nós.


2 comentários:

  1. Faço minhas as palavras de Gabriel Pensador: "Somos escravos da nossa própria falta de atitude".
    Bjks

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  2. Oi, vim fazer uma visitinha e ver as novidades...
    Esse gatinho está divino, amei as cores que vc usou, só fiquei em duvida sobre o material, é vidro, pastilha ou cermaica ??? Boa Semana Pra Ti

    www.schandramosaico.blogspot.com

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