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Plínio, a mamãe te ama!

    Essa era a frase que eu nunca cansei de repetir para a coisa mais gostosa, peluda e charmosa que apareceu por aqui em dezembro de 2004. Naquela sexta-feira, este bicho mais que esperto usou tudo o que aprendeu no seu curso de "Charme para Gatos - Avançado" para entrar, facilmente, em nossa casa. Fez uma inspeção geral e sentenciou "vou morar aqui". Deixou bem claro que, apesar da casa agora ser dele, poderíamos dividir alguns espaços sem problemas e sem custos adicionais. Apenas alguns itens não poderiam falhar: comida sempre à disposição, petiscos aos finais de semana, água fresca, bandeja com areia sanitária sempre limpa, locais para banho de sol, bolinhas pula-pula, posto de observação do movimento da rua, prioridade para escolher o lugar na cama e largas passadas de mão na barriga sempre que ele desejasse. Em contrapartida poderíamos olhar naqueles olhos cor de caramelo e perceber que o amor tem tantas formas quanto a nossa disposição de amar. Nos pareceu muito justo. Aceitamos o contrato e iniciamos uma das experiências mais incríveis que já tivemos. Poderíamos passar dias descrevendo cada um dos aspectos tão particulares do seu comportamento, todas as suas formas despudoradas de nos seduzir e sua maneira doce de deixar bem claro que quem mandava aqui era ele. O fato é que o Plínio reinou glorioso nestes pouco mais de seis anos em que ficou conosco.
    Até que nesta última segunda-feira tivemos que conhecer a resposta de uma terrível pergunta: como seria a nossa vida sem o Plínio? Tão atípica quanto a sua vida, foi a sua partida. Inacreditável. Imprevista. Inesperada. Dirigindo para o hospital onde testemunharia seus últimos momentos, buscava ordenar os fatos na minha mente, todas a palavras ouvidas há pouco pelo telefone para tentar saber se eu poderia ter esperanças. Mas, com o pouco conhecimento de saúde, não conseguia equacionar desta forma. Quando começaria a pedir, rogar, rezar para que o desfecho fosse o escolhido por mim, lembrei que as coisas não funcionam desta forma. A fé implica entrega. Aconteceria o que fosse para o bem maior de todos os envolvidos.
    O olhar da recepcionista disse claramente que o momento era grave, muito mais do que eu queria acreditar até então. Os olhos avermelhados e marejados da médica anestesista disseram que não havia qualquer esperança. Os olhos atônitos da médica cirurgiã tentavam, úmidos, encontrar uma resposta para o que estava em nossa frente. Tive a sensação de que pesos de 500kg haviam sido amarrados aos meus pés. Eu tinha que lidar com uma verdade irrefutável: nenhum de nós vive para sempre.
    Tivemos a nobre oportunidade de nos despedir de um amigo grandioso. Eu não conseguia falar. Mentalmente o agradeci por tudo que ele fez por mim e repeti até depois do último instante "A mamãe te ama. A mamãe te ama. A mamãe te ama. A mamãe te ama". Até agora eu repito e não sei quando ou se vou parar.
    O buraco que fica é imenso mas não é maior do que toda a experiência de afeto que ele nos proporcionou. Poder amar um bicho e ser amado por ele torna a vida muito, muito, muito rica, colorida, linda e alegre. A lição de respeito que aprendemos ao conviver com um animal nos faz pessoas melhores, mais sensíveis e gentis. É uma parceria que nos traz evolução. Felizmente temos aqui nossa querida Tonica, essa pequena princesa de orelha virada e motor possante, que tornou a vida do Plínio mais feliz, para nos lembrar da continuidade da vida e da necessidade de seguir adiante.
    Apesar de desejar egoísticamente tê-lo por um instante a mais, sentir a maciez dos seus pelos, ouvir seu ronronar bem perto do meu ouvido e olhar na plenitude dos seus olhos, não consigo mal dizer a sua partida. Agora percebo que pude usufruir de tudo o que me foi dado. Tudo o que o Plínio pode me dar, eu aproveitei. Quando estava com ele, eu vivia unicamente o momento presente e isto é uma dádiva. Todas as vezes em que ele se aninhou em mim eu tive consciência de que aquele momento era único e especial. Sempre que senti seu calor e seu amor eu agradeci. Sempre que o vi tão lindo, fazendo charme para mim me perguntava "existe coisa melhor do que isso?". Então posso sentir uma saudade inclassificável, mas não posso pensar que este presente que Deus nos deu, feito sob medida, tenha sido pouco. Foi exatamente como deveria ser.
    Plínio, a mamãe te ama!!!!!! Muito! Sempre!


8 comentários:

  1. Ai Dri, que tristeza, nem consigo comentar!Quando é inesperado deve ser pior ainda! Força, menina! Bjs carinhosos!

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  2. Driquinha,
    Você e o Plínio estão quites: ele foi o gato que vc pediu a Deus, e vc foi a mãe que ele pediu a Deus.
    O que vcs viveram juntos é seu pra sempre.

    Plin Plin, obrigada por ter feito da Driquinha uma pessoa melhor.

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  3. Que triste , achei o texto muito lindo , uma dia vc pode der outro e colocar o nome PLÍNIO , achei o nome lindoo . Já perdi a minha cachorra , chamada XUXA , ela desapareceu e nunca mais voltou .
    Beijos

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  4. Plin, o papai também te ama. Muito, e sempre.
    Dri, seu texto foi lindo, sem ser piegas nem trágico. Tivemos a grande sorte de ter um bicho tão especial e bacana conosco por estes 6 anos e meio.

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  5. Adri, Amei o Texto, meus sentimentos, chorei muito lendo o texto do Plin Plin!

    Que o Senhor conforte os corações de vocês!

    Beijos!

    Deby e Milo

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  6. Super Dri!!! é a Super Gigi...
    Vc não faz idéia de como seu texto me tocou... Tenho meu gato há um ano e meio e por motivos de saúde vou ter dá-lo para alguem que eu saiba q realmente vai amá-lo e cuidar dele por mim...
    Ele é exatamente como vc descreveu o Plinio. LOGICO q chorei mto...

    Sinto mto (mesmo)...

    PS: Se vc souber de alguém com o amor q temos por nossos bichanos e q esteja disposto a amar mais um, me avisa, POR FAVOR...

    Saudades mil!!! Bjos!!!

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  7. Dri,
    Que forma mais bonita de encarar uma perda tao difícil. Acho que você está coberta de razao, ao se lembrar de viver cada momento de forma inteira, quando estamos ao lado de quem amamos.
    Um abraco bem apertado, viu?
    Andrea

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  8. Adriana! Lí seu texto com a alma e o coração, pois sou apaixonada por esses maravilhosos mestres de autoestima, que são os felinos. Tenho cinco filhinhos e cada um deles me ensina uma coisa nova a cada dia! Entre coisas lindas, gostosas e alegres, eles também nos ensinam coisas tristes, porém necessárias, como "lidar com a perda!" Que você possa aprender muito e ser muito feliz ao lado da Tonica e da Madalena. Um grande beijo!
    Anete

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