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Nossa louca natureza.

    Ser humano implica viver em sociedade. Nos organizamos em comunidades, civilizações e cidades. Cada qual tem suas preferências sobre onde convém estar: numa metrópole que não dorme, em uma cidade menor e com algumas opções, em pequenos vilarejos um tanto distantes e um tanto precários ou longe de tudo e de todos. Em cada opção há vantagens e desvantagens. A escolha dependerá unicamente do que você deseja obter do lugar onde vive. Confesso que até hoje não cheguei a um consenso sobre a melhor opção. A despeito de apenas ter certeza de que gostaria muito de voltar a morar em uma casa, tenho me reconhecido como uma pessoa urbana. Acho que aquilo que as cidades maiores podem me oferecer está muito relacionado aos meus anseios. Então me refestelo em opções e variedades, agilidade e confortos. O preço é o trânsito, a poluição, a aglomeração, mas parece que conseguimos nos adaptar muito bem a certas restrições. Só que, de tempos em tempos, algo lá dentro começa a chamar. De início podemos achar que é alguma ansiedade como tantas experimentadas. Só que mesmo depois de comer um doce, aquela pulguinha continua pulando. Em alguns momentos incomoda muito e em outros se comporta mais. Mas passar, não passa. Até que temos a oportunidade de sair de folga por alguns dias. Como é bom mudar de ares para a cabeça entender que é para descansar, escolhemos um lugar diferente daquele no qual vivemos. Então vamos lá para o meio do mato, longe de tudo e de todos, um lugar que só tem água encanada porque é lá que fica a sua nascente.  A tendência inicial é manter o mesmo ritmo da vida cotidiana até que vemos um passarinho muito colorido comendo fruta bem próximo a nós. Então acontece aquela cena que vemos em filmes, onde tudo passa em câmera lenta e há uma música de fundo, com a seguinte percepção: "nossa.....um passarinho.....que lindo.....olha.......ele está comendo.......nossa.......um passarinho comendo.....que lindo......olha........voou........olha....voltou.......é outro......nossa.......que lindo.......olha......outro passarinho........como será que chama........que lindo........meu avô iria adorar ver isso...........nossa......que lindo o passarinho.......o passarinho comendo..........na minha frente.......que lindo.........". E este momento slow motion acontece com as plantas, com as flores, com os cavalos, com o esquilinho, com o sol, com o vento, com céu, com as nuvens, com as estrelas (nossa.....quanta estrela.....nossa......que lindo.....já tinha visto tanta estrela......nossa......que lindo......), com o silêncio e então a mágica acontece! Aquele pequeno incômodo que te seguia por tantos dias, aquela pulguinha safada, sumiu! Aquele vazio impreciso no peito foi preenchido por tudo o que foi visto. O ser humano que antes sentia-se incompleto agora percebe-se pleno por ter compartilhado da natureza em abundância.
    Isto pode parecer uma percepção fantástica, mas é na verdade muito básica. Nós e o mundo no qual vivemos somos uma coisa só. Muito tempo longe da natureza e das suas manifestações nos afasta de nós mesmos. Então nos sentimos aquém da satisfação e buscamos no trabalho, na comida, nas relações a tampa deste buraco. Seria como tentar encaixar um triângulo em um círculo e segue-se com uma leve frustração.
    Acredito que viver em cidades não deveria excluir automaticamente este convívio tão essencial com a natureza e também creio que esta é uma tarefa individual, num primeiro momento. Cada pessoa pode cultivar um jardim, seja ele do tamanho que for possível. Imagine se cada família, sem exceção, cultivasse um jardim. Não te parece que teríamos mais flores por aí? Mais beleza, mais delicadeza, mais sutileza, mais afeto? Esta é a ação mais primitiva que podemos fazer para acalmar a pulguinha. Depois disso podemos cultivar o consumo consciente para fazer com que a natureza que ainda existe continue ali. Esta é uma ação e tanto e exige civilidade e maturidade, coisas de quem tem amor próprio. O fato é que não podemos e não devemos esquecer ou suprimir este chamado tão legítimo. Precisamos comungar mais e mais com este preceito criador para avançarmos na nossa singela evolução.


3 comentários:

  1. Adriana...fazia tempo que nao via um texto tão real, tão sacrosanto, tão ...por quê nao dizer de utilidade pública ?!
    Tem toda razao...o contato com a natureza é um bem precioso e está a disposiçao de todos né ?
    Belo artigo querida, voce tem ficado afiada e cada vez melhor !!!

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  2. É Dri, no fundo nós somos todos animais que precisam conviver com o habitat natural, mesmo que de vez em quando; e quanto mais o fazemos, mais isso nos faz bem, e vice-versa.
    Por isso precisamos balancear algumas coisas como ter uma planta nos locais onde convivemos, quando possível um quintal com um bicho de estimação (e que este seja tratado como bicho, e nao como criança) e com isso, aguçar nossos sentidos sentidos natos e usá-los com mais frequência.

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  3. Anselmo disse....
    Falo com alguma propriedade, uma vez que me desvencilhei dos conceitos e facilidades de uma grande cidade para sucumbir ao modo tímido e vagaroso das pessoas de uma pequena Comarca, onde moro atualmente. Deixo aqui o meu entendimento sobre o caso, suportado nas experiências vividas atualmente. Aqui, na cidade pequena, o tempo passa mais vagarosamente, temos tempo para escutar melhor os problemas dos outros, da mesma forma as pessoas também tem mais tempo para escutar os seus problemas, contudo, percebo que o regionalismo sempre é muito presente e se você não é um filho do solo as coisas tendem a se complicar. Evidentemente, tenho outros meios de me fazer notar e de perseguir meus anseios dentro desta Comarca, mas, por vezes, sou obrigado a me valer de outros amigos, filhos da terra, para conseguir o que se quer. De qualquer modo, fato é que o tempo parecer passar de modo demorado, a tranqüilidade com assaltos e coisas do tipo sempre são mantidos a uma certa distancia na minha cabeça, em decorrência do que se vê e percebe neste sentido por meio dos órgãos de publicidade da Comarca. Todavia, a falta de algumas “facilidades” da cidade grande em alguns momentos torna-se difícil de se transpor, mas como dito, tudo tem seu preço. Preço este que em algumas vezes torna-se alto demais, uma vez que a minha vida ainda esta dividida entre este e aquele chão por uma série de circunstancias pessoais. Assim, novamente, tomei outra decisão, a de me mudar novamente para perto dos problemas do grande centro, mas mantendo um pezinho aqui. Agora só me resta ver o que o futuro me aguarda. Sem mais, forte abraço.
    Anselmo

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