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O Pau de Flor.

    Como já foi percebido até pela criatura mais alienada que por ventura tenha lido o que escrevo, muitas das minhas conclusões nascem da observação e da contemplação da natureza. Suas várias formas de manifestação me são magnéticas e admirá-las e tentar entendê-las traz um contentamento que não encontro em muitas outras atividades (aliás esta semana fui apresentada à flor de maracujá doce e digo com veemência: se você não a conhece, trate de fazê-lo! É uma das coisas mais lindas que já vi. Estupenda e inacreditável!). Pois bem, dirigia eu pela Av. Lucas Nogueira Garcêz um tanto embasbacada pela quantidade de estabelecimentos de saúde que se instalaram por lá. Onde há concentração de hospitais, clínicas e laboratórios há, consequentemente, concentração de pessoas carregando sacolinhas de exames com uma cara muito específica de bunda (uma bunda decadente e mal lavada). Esse cenário em um dia cinzento fez a localidade parecer uma sucursal do inferno. Mas como nem tudo na vida é depressão e medicamento tarja preta, fui salva pelo corredor de trólebus. Nos seus canteiros laterais foram plantados vários pés de Pau de Flor ou Manacá, que em tupi-guarani significa moça bonita. Na Serra do Mar há muitos e acredito que devam fazer parte da vegetação nativa. Talvez por esta razão decidiram plantá-los por aí. O fato é que agora estão todos floridos, pintando vários lugares de branco e tons de rosa, numa generosidade encantadora. No dito canteiro há vários pés, muito deles bem pequenos. Todos estão floridos, mas um chamou especialmente a minha atenção. Ele é muito pequeno, uma esquálida vareta com pouco mais de um metro de altura. Apesar da aparência tão frágil, estava entupido de flores na sua micro copa. É o típico caso do baixinho invocado que a gente tem vontade de olhar de cima e perguntar "o que você acha que está fazendo?". Mas aquela árvore anã estava totalmente alheia à sua aparência peculiar e dedicou-se integralmente a cumprir sua tarefa, sua missão. É época de florada? Então vamos a ela com toda a força. Ponto final. É evidente que o Pau de Flor não é dotado do mesmo aspecto mental que nós. Sorte desta árvore. Se ela pensasse poderia desenvolver algum complexo por ser tão pequena e estar em um lugar tão desfavorável, selvagem, agressivo e poluído. Talvez não florisse por se achar muito nova. Talvez sua mãe a levasse ao médico de Manacás para ter certeza de que sua estatura é normal para idade e saber se florir daquela maneira, ainda tão jovem, não seria o prenúncio de algum problema. Mãe e médico lamentariam a precocidade imperativa de nossa era e achariam que o mundo está perdido. Tudo isso porque a pequena árvore realizou a sua missão. Fez aquilo para que nasceu.
    Pergunto: e nós? Tragédia! Quanto drama, quanto entrave emocional, quanto questionamento que nos impede simplesmente de ser aquilo que somos, de vivenciarmos nossa verdade íntima. Acredito que em nosso âmago está muito claro a que viemos, mas não pode ser tão simples assim. Temos que nos preocupar primeiro com um sem número de dúvidas que vão desde "o que os outros vão pensar" até "mas porque que eu sou assim". Será que é por isso que muitas vezes a vida nos parece um fardo pesado demais, difícil demais? E porque não conseguimos simplesmente viver de acordo com nossa natureza? Por que não deixamos nossas respostas aflorarem? Bem, creio que cada um tenha uma teoria para seu drama pessoal, mas também acredito que temos uma questão a resolver no campo da auto-estima e da importância de nos amarmos com tudo de bom e de mau que trazemos em nossa alma. Uma parte grande de nós é natureza, pois todos juntos compomos algo muito maior. Em algum ponto, nós e os Manacás somos a mesma coisa. Nossa esperança de bem-estar reside em adormecer por alguns instantes esta insana e cultivada atividade mental que nos afasta de nós mesmos para que nosso íntimo (nosso Manacá) possa falar de forma audível e que possamos finalmente florir alegre e despreocupadamente.


2 comentários:

  1. Dri,
    A gente de fato pensa demais e pensar demais atrapalha. Queria ser mais manacá. Valeu por me lembrar disso.
    Beijos,
    Andrea

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  2. É, minha cara prima, acredito que o mal do “ser” dito “humano” seria o fato de pensar muito, e deste pensamento a imaginação cria asas e vai além do que se deveria pensar, por vezes os pensamentos descambam indo de encontro ao que outras pessoas anseiam, ou o que os outros vão pensar de nossas ações, atitudes, roupas, carros e por ai vai. Nossa, a vida me parece tão pequena, tão insignificante em comparação com o resto do Universo. Se pensarmos, a nossa existência pode ser comparada a de uma poeirinha que se encontra dentro de outra poeira maior que navega no espaço em um sistema minúsculo no meio da galáxia e dentre estes sistemas tantos se encontram, com talvez muito mais chance de ter elementos vivos e mais complexos que nós e partindo deste princípio o comando, acredito que, seja o de fazer o que se tem vontade, pretendendo ajudar aos que puder no meio deste turbilhão de idéias e conceitos que encontramos em nossas vidas, fazendo sempre a nossa parte para tentar servir de exemplo aos outros, mas principalmente respeitando o ponto de vista alheio, que por vezes incomoda. Bem, este é o meu ponto de vista que, nem sempre, é por mim seguido em função das dificuldades de “ser humano”. Beijos.
    Anselmo

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