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Abaixo a ditadura...

...da felicidade! Isuportável é como eu descrevo a obrigação de ser feliz. Trata-se de um surto coletivo oriundo não sei de onde, capaz de tapar olhos e ouvidos, além de dissolver o cérebro. Quem é acometido desta doença fica incapaz de perceber a vida como uma sucessão de eventos naturais, como sempre foi. Choveu? Ó desgraça! Fez calor? Que castigo! Alguém está triste? Socorro! Socorro! Socorro! Ponham em quarentena, chamem o Papa, internem, façam qualquer coisa, isso não pode!!!!!! Todos devem saltitar desmotivadamente, diariamente, afinal a vida é um seriado do canal Warner.
    Há vários anos, em um livro que não consigo recordar o nome, vi a citação de que aceitar a dor, e até mergulhar nela, seria um caminho para o bem-estar. Hoje entendo melhor este ponto de vista quando observo o desespero para se alcançar uma vida irreal, onde tudo é perfeito. A dor é sistematicamente negada e eu entendo por dor qualquer fato que não aconteça dentro dos limites da nossa vontade egoísta. Uma grande parte do sofrimento vem da luta contra a realidade, da resistência aos fatos. Que ironia, não? A obrigação de ser feliz e perfeito gera uma ansiedade absurda e anda-se em círculos pegando tudo que estiver pela frente para tapar os buracos da alma. Ridículo! RIDÍCULO!!!!!
    Pense se as coisas não se tornariam mais simples se aceitássemos que no verão faz calor mas pode chover, que no inverno faz frio e tem bem menos horas de sol, que na primavera e no outono temos todas as estações em um único dia e, não vai ter jeito, você terá que sair com um agasalho a tiracolo. Isto é natural! A vida não deixa de acontecer por estes fatos. Também é natural ficar resfriado se não se alimentar e descansar bem. Aliás é natural ficar cansado e desejar ter horas e horas de sono. É natural desejar comer chocolate e se arrepender depois, é natural ganhar quilos a mais quando a matemática de energia consumida e energia gasta não fecha. Tudo isso faz parte da vida. Sempre fez e não significa uma anomalia de caráter. Nem sempre há um remédio para tudo e muitas coisas simplesmente são o que são. Além do mais, o remédio trata os sintomas e não as causas.
    Então explico como o negócio vai funcionar: apesar de acreditar que o amor deveria ser a pauta de nossas decisões, confesso que não amo a todos. Sim, é isso mesmo. Tenho afinidade com algumas pessoas e com outras tenho que fazer esforço para conviver. E tudo bem! Sabe por quê? Porque isto faz parte da vida e é natural! E tem mais: há dias em que tudo é muito claro e simples e há dias em que tudo parece não ter solução. Neste dias é bem provável que eu saia de casa sem maquiagem, como cenho muito franzido. É provável que eu só queira usar tênis ao invés de sapato, pois já me sinto suficientemente desconfortável. É muito provável que não "curta" tudo o que aparecer pela frente, aliás é possível que eu nem veja e-mail pois não aguento mais menssagem  em Power Point. E tudo bem!!!!! Porque há outros dias nos quais abrirei todas as menssagens e chorarei de emoção em cada uma delas, jurando ser uma das coisas mais lindas que já li. Nestes dias serei capaz que reconhecer o esforço que cada indivíduo faz no seu próprio caminho evolutivo e só isto já será mais do que suficiente para mim. Então sairei de casa vestida para salvar a humanidade e verei poesia em tudo. Terei sempre um sorriso nos lábios e pensarei em algo que torne a vida de alguém melhor.
    Acontece que não posso prever quantos dias serão bons e quantos dias serão ruins. Se existe uma regra dizendo que você só pode ficar com cara de bunda por três dias no máximo, desculpe, mas sinto-me na obrigação de mandar esta "etiqueta" à merda. Sinto-me no direito não só de ostentar uma grande cara de bunda como de mergulhar nessa sensação bundal o tempo que for preciso. Pode ser que eu aprenda alguma coisa sobre mim pegando minhas sensações com a duas mãos e olhando-as bem de frente. Acho, sinceramente, que não sairei do lugar se me recusar a vivenciar os maus momentos. Acredito que a vida é o que acontece conosco nesse exato instante e é nisso que vou botar as minhas mãos, tendo o cheiro, a cor e o formato que for. Sinto muito, muito mesmo, se este não é o seu ideal. Aliás, talvez não sinta tanto assim afinal...não é problema meu.


    

4 comentários:

  1. Gostei do seu momento "garota enxaqueca". Principalmente porque estabelece um contraponto nessa necessidade de constante felicidade imposta a todos pela "sociedade".

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  2. Nem meu, querida!
    faz-me impressão que seja impensável estar triste... pois se existe remédio para acabar com a tristeza! Estar triste é, atualmente, sinónimo de estar doente. É uma cadeia diabólica que proíbe dizer não às crianças, porque traumatiza, impedindo que a frustração inevitável faça parte do seu cotidiano. A frustração faz falta, fortalece, e, se não mata...
    Sou dada a gostar dos outros, gosto mais do que desgosto, mas não gosto igualmente. A alguns, poucos, amo, com um amor de amiga para todas as ocasiões. A alguns, poucos, não suporto, fujo do contacto que contamina.
    E não me venham com a história de oferecer a outra face!
    Aí ,eu quero é muito distância e não perder o meu precioso tempo com quem não merece.
    Fantástico o teu texto, linda.
    Gosto de seguir o teu pensamento.
    Gosto!
    beijo da Nina

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  3. Esqueci de dizer que acho essa peça lindíssima.
    Beijo

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  4. Adriana, já entendi tudo. Acho que esse é um exercício extremamente libertador. Nada melhor do que rirmos de nós próprios, ainda que seja antevendo o futuro..
    Beijo, linda.
    Nina

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